"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Voz do Coração



Durante algum tempo o coração voou.
Por vezes havia a benção da voz limpa
Abrindo as portas ao paraíso...
Os dias e as noites agora são muito longos...

LFM (fotografias e palavras)
13-2-2009 13:15

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Tarde Azul


As palavras chegam do Mar,
como gaivotas embriagadas de sol.
São beijos de luz aquecendo
a alma na tarde azul.
Mergulhado nos ruídos da cidade,
arrepio-me com essa música
de longe que chega com o sabor
da saudade. Gaivotas, dizia,
enluaradas. Flores de amendoeira
estremecendo na brisa de Fevereiro.

Luís Filipe Maçarico
11-2-2009, 15:45

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Caderno de Versos para um Coração que está Longe


Recolho numa novela esta frase: "Morre-se por amar de menos e por amar demais..."
Escancarei o meu caderno de versos, para que um coração que está longe leia e reconsidere. E saiba que escrevi para a sua alma voltar. Continuo a ser meiguinho e a merecer o seu sorriso. Com esperança o faço, como quem diz: Meu amor, não fujas.
Aguardo a mensagem que pode devolver-me a vida suspensa por uma palavra sua. Tão necessária quanto o oxigénio, o pão, o sol, o mar, a noite...


Espero um veleiro
de sol para poder
navegar na pele
de Junho com o nome
dos sonhos nas veias
e o sabor das cerejas
na língua.

26-1-2009 22:17

Faz-me falta o paraíso
dos teus lábios o jardim
das tuas palavras o mel
do teu olhar para apaziguar
o fogo deste desejo.

2-2-2009 12:45

A tua ausência
dói como a cegonha
que não voltou ao ninho,
Melro emudecido,
rio seco
antes da foz...

6-2-2009

Em teu rosto
acorda a alegria
nos teus dedos
o corpo arde
quero adormecer
nesse sorriso
sensual,
lua dos sonhos.

7-2-2009 15:30

Essas dunas
onde te queria
já foram minhas
na efémera tarde
de espuma e lume.
A memória dos dias
embala as frágeis flores
de areia nesse espaço
onde te sonho.
Essas dunas...

7-2-2009 10:55

Luís Filipe Maçarico

sábado, fevereiro 07, 2009

O Furúnculo




As imagens são da Vila-Museu de Mértola, onde era suposto construir-se em taipa, respeitando volumetrias e materiais.
Conheço esta terra desde a década de oitenta do século XX , quando o cometa Halley andou pelos céus e habituei-me a encontrar nas suas ruas a beleza genuína dum território singular, que me fez voltar sempre.
Cantei-a em verso e é cenário para os melhores sonhos da vida.
No entanto, recentemente, deparei-me com um cubo nascente de cimento e tijolo, que definirei como furúnculo num corpo são. Para folclorizar o sítio, os inventores desta forma de construir, colocaram um batente marroquino.
Como perguntar não ofende e amar uma terra assim não é pecado, deixo uma questão a quem de direito: Que património se pretende promover? O tradicional ou esta inovação? Já é permitido fazer de qualquer maneira?
Luís Filipe Maçarico (recolha fotográfica e texto)

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Aula na Mesquita e no Bairro Islâmico de Mértola















A aula de sábado do professor Santiago Macias, que começou no Museu Islâmico de Mértola, prosseguiu na Mesquita, terminando no Bairro Islâmico.
Observámos as escavações que continuam a desenvolver-se na mesquita e em redor do castelo.
Soubemos no local como era habitar Mértola no tempo do Al-Andalus.
Na véspera, as aulas desenrolaram-se sob a batuta do professor Luís Filipe Oliveira, com a apresentação dos últimos trabalhos por parte de cinco colegas, todas mulheres: 3 professoras, uma arqueóloga e uma técnica superiora de turismo da Câmara Municipal de Mértola.
Noite dentro, bebi um gin no Lancelot, na companhia dos meus colegas... O pior foi acordar e estar a horas no Campo Arqueológico...
Este curso foi uma das melhores decisões da minha vida, pelo que tenho aprendido, pelo convívio com professores que são grandes pensadores e pela fraternidade com colegas que deixam saudades quando regressamos a casa.
Este fim de semana a chuva perseguiu-nos na ida e no regresso. Muita. O Baixo Alentejo parece um poema de Camões. "Verdes são os campos..."
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

domingo, fevereiro 01, 2009

Museu Islâmico de Mértola
















Este sábado, o professor Santiago Macias apresentou aos alunos do Mestrado "Portugal Islâmico e o Mediterrâneo", o Museu Islâmico de Mértola. Com alucidez e o arrebatamento que reconhecemos a Cláudio Torres, ouvimo-lo uma vez dizer que quem pretenda conhecer o que foi o Al-Andalus neste território, não precisa de ir às Bibliotecas do Cairo, mas a Mértola, a este Museu.
Desde a concepção do espaço à mostra de objectos que são magníficos tesouros do património português, descobertos nas escavações de três décadas de trabalho entusiástico, que acrescentaram conhecimento à Comunidade, foi muito bom fazer esta viagem, através de uma aula inesquecível.

Visitei várias vezes este Museu, mas nunca tinha tido a possibilidade de o desvendar pela experiência de um dos protagonistas, que o idealizaram e concretizaram.

As fotografias são apenas um ténue aliciante para, quando se embrenharem nas ruelas antigas de Mértola, não perderem a magia da História, através das memórias que cada utensílio evoca.

Texto e fotografias de Luís Filipe Maçarico

José Mattoso



O Professor José Mattoso proferiu ontem no Campo Arqueológico de Mértola uma Conferência.
Transcreve-se da Wikipédia a biografia do Mestre:

José João da Conceição Gonçalves Mattoso (Leiria, 1933) é um historiador, medievalista e professor universitário português.
Filho de
António Gonçalves Matoso, autor, entre outros trabalhos, dos compêndios liceais de História aprovados pelo Estado Novo, doutorou-se em história medieval pela Universidade de Lovaina, na Bélgica, em 1966 (com a tese Le Monachisme ibérique et Cluny: Les monastères du diocèse de Porto de l’an mille à 1200)[1], sendo então monge beneditino na Abadia de Singeverga, com o nome de Frei José de Santa Escolástica Mattoso. Retorna à vida laica em 1970, e inicia a carreira universitária; foi investigador do Centro de Estudos Históricos da Universidade de Lisboa, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e depois, catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Exerceu ainda as funções de director da Torre do Tombo.
Reconhecido em Portugal e no estrangeiro como um dos mais insignes especialistas na história medieval de Portugal, tendo grande parte dos seus estudos dedicado-se a essa parte da História.
Entre as suas obras destacam-se «Ricos-Homens, Infanções e Cavaleiros» (sobre a sociedade medieval), «Fragmentos de Uma Composição Medieval», bem como ainda os dois volumes de «Identificação de Um País. Ensaio sobre as Origens de Portugal (1096-1325)» (vol. I - «Oposição»; vol. II - «Composição»), com cinco edições revistas e constantemente actualizadas entre
1985 e 1995, e que foram sucessivamente premiados com o Prémio de História Medieval Alfredo Pimenta, o Prémio Ensaio do Penclube e o Prémio Pessoa em 1987, Prémio Internacional de Genealogia Bohüs Szögyeny (1991).
Para além disso, dirigiu ainda uma História de Portugal (
1993-1995) em oito volumes, singular no panorama editorial português pelas questões que aborda, tendo coordenado pessoalmente os volumes respeitantes à sua área de interesse.
José Mattoso colaborou em
Timor-Leste na recuperação do Arquivo Nacional e no Arquivo da Resistência, e deu aulas de Historia da Igreja e de História da Filosofia Medieval no Seminário Maior de Díli.
José Mattoso recebeu em Lisboa o Prémio "Troféu Latino 2007", atribuído pela União Latina, em cerimónia presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, devido ao valor da sua obra profissional e pelo "especial contributo para o conhecimento da identidade portuguesa e das raízes da Europa, com relevo para a sua componente latina"

Bibliografia activa
Le monarchisme ibérique et Cluny. Les monastéres du diocése de Porto de l'an mille à 1200, 1968
As famílias condais portucalenses dos séculos X e XI, 1970
Beneditina Lusitana, 1974
Livro de linhagens do Conde D. Pedro, ed. crítica, 1980
Livros velhos de linhagens, ed. crítica por Joseph Piel e José Mattoso, 1980
A nobreza medieval portuguesa. A família e o poder, 1981 ; 1994
Ricos-Homens, infanções e cavaleiros. A nobreza medieval portuguesa nos sécs. XI e XII, 1982 ; 1998
Religião e cultura na Idade Média portuguesa, 1982 ; 1997
Narrativas dos Livros de Linhagens, selecção, introdução e comentários, 1983
Portugal medieval. Novas interpretações, 1985 ; 1992
O essencial sobre a formação da nacionalidade, 1985 ; 1986
Identificação de um país. Ensaio sobre as origens de Portugal, 1096-1325, 1985 ; 1995
O essencial sobre a cultura medieval portuguesa, 1985 ; 1993
A escrita da história, 1986
Fragmentos de uma composição medieval, 1987 ; 1990
O essencial sobre os provérbios medievais portugueses, 1987
A escrita da História. Teoria e métodos, 1988 ; 1997
O castelo e a feira. A Terra de Santa Maria nos séculos XI a XIII, em colab. com Amélia Andrade, Luís Krus, 1989
Almada no tempo de D. Sancho I (Comunicação), 1991
Os primeiros reis (História de Portugal - Vol. I) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães,
Isabel Alçada, 1993 ; 2001
A Terra de Santa Maria no século XIII. Problemas e documentos, em colab. com Amélia Andrade, Luís Krus, 1993
No Reino de Portugal (História de Portugal - Vol. II) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, 1994 ; 2003 Coja, 1995
Tempos de revolução (História de Portugal - Vol. III) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, 1995
O reino dos mortos na Idade Média peninsular, ed. lit., 1996
A Identidade Nacional, 1998 ; 2003
A função social da História no mundo de hoje, 1999
A dignidade.
Konis Santana e a resistência timorense, 2005