Durante algum tempo o coração voou. Por vezes havia a benção da voz limpa Abrindo as portas ao paraíso... Os dias e as noites agora são muito longos...
As palavras chegam do Mar, como gaivotas embriagadas de sol. São beijos de luz aquecendo a alma na tarde azul. Mergulhado nos ruídos da cidade, arrepio-me com essa música de longe que chega com o sabor da saudade. Gaivotas, dizia, enluaradas. Flores de amendoeira estremecendo na brisa de Fevereiro.
Recolho numa novela esta frase: "Morre-se por amar de menos e por amar demais..." Escancarei o meu caderno de versos, para que um coração que está longe leia e reconsidere. E saiba que escrevi para a sua alma voltar. Continuo a ser meiguinho e a merecer o seu sorriso. Com esperança o faço, como quem diz: Meu amor, não fujas. Aguardo a mensagem que pode devolver-me a vida suspensa por uma palavra sua. Tão necessária quanto o oxigénio, o pão, o sol, o mar, a noite...
Espero um veleiro de sol para poder navegar na pele de Junho com o nome dos sonhos nas veias e o sabor das cerejas na língua.
26-1-2009 22:17
Faz-me falta o paraíso dos teus lábios o jardim das tuas palavras o mel do teu olhar para apaziguar o fogo deste desejo.
2-2-2009 12:45
A tua ausência dói como a cegonha que não voltou ao ninho, Melro emudecido, rio seco antes da foz...
6-2-2009
Em teu rosto acorda a alegria nos teus dedos o corpo arde quero adormecer nesse sorriso sensual, lua dos sonhos.
7-2-2009 15:30
Essas dunas onde te queria já foram minhas na efémera tarde de espuma e lume. A memória dos dias embala as frágeis flores de areia nesse espaço onde te sonho. Essas dunas...
As imagens são da Vila-Museu de Mértola, onde era suposto construir-se em taipa, respeitando volumetrias e materiais. Conheço esta terra desde a década de oitenta do século XX , quando o cometa Halley andou pelos céus e habituei-me a encontrar nas suas ruas a beleza genuína dum território singular, que me fez voltar sempre. Cantei-a em verso e é cenário para os melhores sonhos da vida. No entanto, recentemente, deparei-me com um cubo nascente de cimento e tijolo, que definirei como furúnculo num corpo são. Para folclorizar o sítio, os inventores desta forma de construir, colocaram um batente marroquino. Como perguntar não ofende e amar uma terra assim não é pecado, deixo uma questão a quem de direito: Que património se pretende promover? O tradicional ou esta inovação? Já é permitido fazer de qualquer maneira? Luís Filipe Maçarico (recolha fotográfica e texto)
A aula de sábado do professor Santiago Macias, que começou no Museu Islâmico de Mértola, prosseguiu na Mesquita, terminando no Bairro Islâmico. Observámos as escavações que continuam a desenvolver-se na mesquita e em redor do castelo. Soubemos no local como era habitar Mértola no tempo do Al-Andalus. Na véspera, as aulas desenrolaram-se sob a batuta do professor Luís Filipe Oliveira, com a apresentação dos últimos trabalhos por parte de cinco colegas, todas mulheres: 3 professoras, uma arqueóloga e uma técnica superiora de turismo da Câmara Municipal de Mértola. Noite dentro, bebi um gin no Lancelot, na companhia dos meus colegas... O pior foi acordar e estar a horas no Campo Arqueológico... Este curso foi uma das melhores decisões da minha vida, pelo que tenho aprendido, pelo convívio com professores que são grandes pensadores e pela fraternidade com colegas que deixam saudades quando regressamos a casa. Este fim de semana a chuva perseguiu-nos na ida e no regresso. Muita. O Baixo Alentejo parece um poema de Camões. "Verdes são os campos..." Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)
Este sábado, o professor Santiago Macias apresentou aos alunos do Mestrado "Portugal Islâmico e o Mediterrâneo", o Museu Islâmico de Mértola. Com alucidez e o arrebatamento que reconhecemos a Cláudio Torres, ouvimo-lo uma vez dizer que quem pretenda conhecer o que foi o Al-Andalus neste território, não precisa de ir às Bibliotecas do Cairo, mas a Mértola, a este Museu.
Desde a concepção do espaço à mostra de objectos que são magníficos tesouros do património português, descobertos nas escavações de três décadas de trabalho entusiástico, que acrescentaram conhecimento à Comunidade, foi muito bom fazer esta viagem, através de uma aula inesquecível.
Visitei várias vezes este Museu, mas nunca tinha tido a possibilidade de o desvendar pela experiência de um dos protagonistas, que o idealizaram e concretizaram.
As fotografias são apenas um ténue aliciante para, quando se embrenharem nas ruelas antigas de Mértola, não perderem a magia da História, através das memórias que cada utensílio evoca.
O Professor José Mattoso proferiu ontem no Campo Arqueológico de Mértola uma Conferência. Transcreve-se da Wikipédia a biografia do Mestre:
José João da Conceição Gonçalves Mattoso (Leiria, 1933) é um historiador, medievalista e professor universitário português. Filho de António Gonçalves Matoso, autor, entre outros trabalhos, dos compêndios liceais de História aprovados pelo Estado Novo, doutorou-se em história medieval pela Universidade de Lovaina, na Bélgica, em 1966 (com a tese Le Monachisme ibérique et Cluny: Les monastères du diocèse de Porto de l’an mille à 1200)[1], sendo então monge beneditino na Abadia de Singeverga, com o nome de Frei José de Santa Escolástica Mattoso. Retorna à vida laica em 1970, e inicia a carreira universitária; foi investigador do Centro de Estudos Históricos da Universidade de Lisboa, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e depois, catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Exerceu ainda as funções de director da Torre do Tombo. Reconhecido em Portugal e no estrangeiro como um dos mais insignes especialistas na história medieval de Portugal, tendo grande parte dos seus estudos dedicado-se a essa parte da História. Entre as suas obras destacam-se «Ricos-Homens, Infanções e Cavaleiros» (sobre a sociedade medieval), «Fragmentos de Uma Composição Medieval», bem como ainda os dois volumes de «Identificação de Um País. Ensaio sobre as Origens de Portugal (1096-1325)» (vol. I - «Oposição»; vol. II - «Composição»), com cinco edições revistas e constantemente actualizadas entre 1985 e 1995, e que foram sucessivamente premiados com o Prémio de História Medieval Alfredo Pimenta, o Prémio Ensaio do Penclube e o Prémio Pessoa em 1987, Prémio Internacional de Genealogia Bohüs Szögyeny (1991). Para além disso, dirigiu ainda uma História de Portugal (1993-1995) em oito volumes, singular no panorama editorial português pelas questões que aborda, tendo coordenado pessoalmente os volumes respeitantes à sua área de interesse. José Mattoso colaborou em Timor-Leste na recuperação do Arquivo Nacional e no Arquivo da Resistência, e deu aulas de Historia da Igreja e de História da Filosofia Medieval no Seminário Maior de Díli. José Mattoso recebeu em Lisboa o Prémio "Troféu Latino 2007", atribuído pela União Latina, em cerimónia presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, devido ao valor da sua obra profissional e pelo "especial contributo para o conhecimento da identidade portuguesa e das raízes da Europa, com relevo para a sua componente latina" Bibliografia activa Le monarchisme ibérique et Cluny. Les monastéres du diocése de Porto de l'an mille à 1200, 1968 As famílias condais portucalenses dos séculos X e XI, 1970 Beneditina Lusitana, 1974 Livro de linhagens do Conde D. Pedro, ed. crítica, 1980 Livros velhos de linhagens, ed. crítica por Joseph Piel e José Mattoso, 1980 A nobreza medieval portuguesa. A família e o poder, 1981 ; 1994 Ricos-Homens, infanções e cavaleiros. A nobreza medieval portuguesa nos sécs. XI e XII, 1982 ; 1998 Religião e cultura na Idade Média portuguesa, 1982 ; 1997 Narrativas dos Livros de Linhagens, selecção, introdução e comentários, 1983 Portugal medieval. Novas interpretações, 1985 ; 1992 O essencial sobre a formação da nacionalidade, 1985 ; 1986 Identificação de um país. Ensaio sobre as origens de Portugal, 1096-1325, 1985 ; 1995 O essencial sobre a cultura medieval portuguesa, 1985 ; 1993 A escrita da história, 1986 Fragmentos de uma composição medieval, 1987 ; 1990 O essencial sobre os provérbios medievais portugueses, 1987 A escrita da História. Teoria e métodos, 1988 ; 1997 O castelo e a feira. A Terra de Santa Maria nos séculos XI a XIII, em colab. com Amélia Andrade, Luís Krus, 1989 Almada no tempo de D. Sancho I (Comunicação), 1991 Os primeiros reis (História de Portugal - Vol. I) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, 1993 ; 2001 A Terra de Santa Maria no século XIII. Problemas e documentos, em colab. com Amélia Andrade, Luís Krus, 1993 No Reino de Portugal (História de Portugal - Vol. II) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, 1994 ; 2003 Coja, 1995 Tempos de revolução (História de Portugal - Vol. III) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, 1995 O reino dos mortos na Idade Média peninsular, ed. lit., 1996 A Identidade Nacional, 1998 ; 2003 A função social da História no mundo de hoje, 1999 A dignidade. Konis Santana e a resistência timorense, 2005