"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, fevereiro 01, 2009

José Mattoso



O Professor José Mattoso proferiu ontem no Campo Arqueológico de Mértola uma Conferência.
Transcreve-se da Wikipédia a biografia do Mestre:

José João da Conceição Gonçalves Mattoso (Leiria, 1933) é um historiador, medievalista e professor universitário português.
Filho de
António Gonçalves Matoso, autor, entre outros trabalhos, dos compêndios liceais de História aprovados pelo Estado Novo, doutorou-se em história medieval pela Universidade de Lovaina, na Bélgica, em 1966 (com a tese Le Monachisme ibérique et Cluny: Les monastères du diocèse de Porto de l’an mille à 1200)[1], sendo então monge beneditino na Abadia de Singeverga, com o nome de Frei José de Santa Escolástica Mattoso. Retorna à vida laica em 1970, e inicia a carreira universitária; foi investigador do Centro de Estudos Históricos da Universidade de Lisboa, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e depois, catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Exerceu ainda as funções de director da Torre do Tombo.
Reconhecido em Portugal e no estrangeiro como um dos mais insignes especialistas na história medieval de Portugal, tendo grande parte dos seus estudos dedicado-se a essa parte da História.
Entre as suas obras destacam-se «Ricos-Homens, Infanções e Cavaleiros» (sobre a sociedade medieval), «Fragmentos de Uma Composição Medieval», bem como ainda os dois volumes de «Identificação de Um País. Ensaio sobre as Origens de Portugal (1096-1325)» (vol. I - «Oposição»; vol. II - «Composição»), com cinco edições revistas e constantemente actualizadas entre
1985 e 1995, e que foram sucessivamente premiados com o Prémio de História Medieval Alfredo Pimenta, o Prémio Ensaio do Penclube e o Prémio Pessoa em 1987, Prémio Internacional de Genealogia Bohüs Szögyeny (1991).
Para além disso, dirigiu ainda uma História de Portugal (
1993-1995) em oito volumes, singular no panorama editorial português pelas questões que aborda, tendo coordenado pessoalmente os volumes respeitantes à sua área de interesse.
José Mattoso colaborou em
Timor-Leste na recuperação do Arquivo Nacional e no Arquivo da Resistência, e deu aulas de Historia da Igreja e de História da Filosofia Medieval no Seminário Maior de Díli.
José Mattoso recebeu em Lisboa o Prémio "Troféu Latino 2007", atribuído pela União Latina, em cerimónia presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, devido ao valor da sua obra profissional e pelo "especial contributo para o conhecimento da identidade portuguesa e das raízes da Europa, com relevo para a sua componente latina"

Bibliografia activa
Le monarchisme ibérique et Cluny. Les monastéres du diocése de Porto de l'an mille à 1200, 1968
As famílias condais portucalenses dos séculos X e XI, 1970
Beneditina Lusitana, 1974
Livro de linhagens do Conde D. Pedro, ed. crítica, 1980
Livros velhos de linhagens, ed. crítica por Joseph Piel e José Mattoso, 1980
A nobreza medieval portuguesa. A família e o poder, 1981 ; 1994
Ricos-Homens, infanções e cavaleiros. A nobreza medieval portuguesa nos sécs. XI e XII, 1982 ; 1998
Religião e cultura na Idade Média portuguesa, 1982 ; 1997
Narrativas dos Livros de Linhagens, selecção, introdução e comentários, 1983
Portugal medieval. Novas interpretações, 1985 ; 1992
O essencial sobre a formação da nacionalidade, 1985 ; 1986
Identificação de um país. Ensaio sobre as origens de Portugal, 1096-1325, 1985 ; 1995
O essencial sobre a cultura medieval portuguesa, 1985 ; 1993
A escrita da história, 1986
Fragmentos de uma composição medieval, 1987 ; 1990
O essencial sobre os provérbios medievais portugueses, 1987
A escrita da História. Teoria e métodos, 1988 ; 1997
O castelo e a feira. A Terra de Santa Maria nos séculos XI a XIII, em colab. com Amélia Andrade, Luís Krus, 1989
Almada no tempo de D. Sancho I (Comunicação), 1991
Os primeiros reis (História de Portugal - Vol. I) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães,
Isabel Alçada, 1993 ; 2001
A Terra de Santa Maria no século XIII. Problemas e documentos, em colab. com Amélia Andrade, Luís Krus, 1993
No Reino de Portugal (História de Portugal - Vol. II) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, 1994 ; 2003 Coja, 1995
Tempos de revolução (História de Portugal - Vol. III) (Infanto-juvenil), com Ana Maria Magalhães, Isabel Alçada, 1995
O reino dos mortos na Idade Média peninsular, ed. lit., 1996
A Identidade Nacional, 1998 ; 2003
A função social da História no mundo de hoje, 1999
A dignidade.
Konis Santana e a resistência timorense, 2005

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Piratada à Portuguesa


Aqui está o cartaz da revista da qual falei anteriormente.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Gaza no "Avante"


Agradeço ao amigo Egas Branco, que me fez chegar este artigo, publicado no "Avante", que transcrevo:
PONTOS DE REFERÊNCIA ESSENCIAIS
O martírio da população da Faixa de Gaza tem sido enquadrado por uma orquestração mediática que manipula e desinforma, submerge informação verídica e opinião construtiva, esconde as questões de fundo, banaliza e absolve os piores crimes. Importa por isso não perder de vista pontos de referência fundamentais.
A raiz do conflito.

É necessário não esquecer, como pretende a propaganda sionista, que ela reside na expulsão violenta de milhões de palestinianos das suas terras e das suas casas e na transformação da vida das populações dos territórios ocupados num autentico inferno. Enquanto os direitos nacionais do povo palestiniano não forem reconhecidos e respeitados, enquanto não for criado e garantido um Estado palestiniano independente e soberano com capital em Jerusalém, enquanto não forem implementadas as resoluções da ONU sobre a questão palestiniana, não haverá uma paz justa e duradoura na região. As incontáveis «tréguas», «acordos» e «processos de paz» que se têm sucedido, ignorando ou subalternizando sempre esta questão central, só têm servido para consolidar no terreno as posições do ocupante.

Um Estado fora da lei.

A coberto de uma fachada interna «democrática» e da manipulação das terríveis perseguições de que os judeus foram vítimas pela Alemanha de Hitler, Israel tornou-se num Estado que viola sistematicamente a legalidade internacional e que, à semelhança do nazismo, recorre a práticas caracterizadas pelo desprezo pela vida humana, a crueldade, a retaliação e perseguição em massa. É necessário chamar as coisas pelos nomes e não fechar os olhos a uma realidade que os massacres de Gaza tão dramaticamente denunciam.

A responsabilidade dos EUA.

Fortemente militarizado, com um Exército e serviços secretos sofisticados, dispondo de armas nucleares e químicas nunca declaradas, Israel é entretanto um Estado cujo poder depende dos EUA e a sua criminosa política de terrorismo de Estado é afinal expressão da política terrorista do imperialismo norte-americano. Israel não é mais que uma fortaleza avançada dos EUA para a sua estratégia de domínio do Médio Oriente. A comprová-lo está o acordo entre Israel e os EUA, assinado em plena ofensiva assassina, visando a extensão das operações navais norte-americanas na região, numa escalada agressiva já denunciada pela FDLP e por outras forças progressistas palestinianas.

A cumplicidade da União Europeia.
Em ano de eleições para o Parlamento Europeu ganha ainda maior relevância a cumplicidade da UE com os crimes das tropas israelitas. Em plena ofensiva contra Gaza, em lugar da condenação e sanções ao agressor, a UE oferece a Israel o reforço do seu estatuto de associação. E o PE adopta por esmagadora maioria uma resolução que os deputados do PCP não puderam acompanhar por colocar no mesmo plano agressor e agredido, iludir as questões de fundo e pôr a UE uma vez mais a reboque dos EUA.

Realidades de sinal contrário

A ONU. Salta à vista a impotência da ONU e a instrumentalização do seu Conselho de Segurança e do seu Secretário-Geral, Ban Ki-moon, um ridículo homem de palha do imperialismo. Situação perigosa recordando o lamentável desempenho da Sociedade das Nações que precedeu a II Guerra Mundial. Simultaneamente, verifica-se também uma realidade de sinal contrário, positiva, que a generalidade da comunicação social silenciou: coragem e dignidade do Presidente da Assembleia-Geral da ONU, Miguel D'Escoto, que, coerente com os valores da revolução sandinista de que foi protagonista destacado, não hesitou em denunciar os crimes dos agressores e em afirmar que «Israel não é mais do que um tentáculo dos EUA nessa parte do mundo». Coragem e dignidade também na Comissão de Direitos Humanos da ONU com uma excelente Resolução exigindo a imediata retirada de Israel da Faixa de Gaza aprovada por 33 votos contra 1 (do Canadá) e 13 abstenções, significativamente de países da UE e outros aliados dos EUA.

Portugal.

O seguidismo do Governo do PS em relação aos EUA, à UE e à NATO é uma vergonha. Noticia-se que o Governo não autorizaria a passagem por Portugal de armas para Israel. Mas as Lages lá estão para o que os EUA entenderem necessário às suas «operações encobertas» de subversão e agressão, nomeadamente no Médio Oriente e é cada vez mais frequente, como agora no Afeganistão, a participação das Forças Armadas portuguesas em operações de guerra imperialista.
A luta.
Só a luta anti-imperialista, a solidariedade internacionalista, a acção comum ou convergente dos comunistas e de todas as forças do progresso social, pode atar as mãos criminosas dos agressores sionistas e dos seus patrões norte-americanos e europeus. Daí a importância de uma ampla acção de esclarecimento do Partido com a larga difusão dos documentos de denúncia do massacre de Gaza. Daí a necessidade de dar ainda mais força às acções de solidariedade para com a luta do heróico povo palestiniano (...)
Albano Nunes

Edição Nº1834http://www.avante.pt/ - Jornal «Avante!»

terça-feira, janeiro 27, 2009

Piratada à Portuguesa

O meu computador está a arranjar, há três semanas (felizmente ainda dentro da garantia) foi atacado por uma virose e por isso não tenho vindo aqui com a regularidade que gostava.
Não consigo publicar nenhuma imagem, o pc onde estou a escrever estas palavras deve estar blindado contra tudo.
Na impossibilidade de meter uma foto de Marina Mota, deixo a notícia: Por favor não percam a revista que ela e Nicholson escreveram - "Piratada à Portuguesa", em exibição no Maria Vitória, com Carlos Cunha e Vera Mónica. Além de um grupo de baile muito dinâmico e outros actores que acompanham os principais, com eficácia.
Hilariantes, os quadros, do princípio ao fim da revista fizeram as delícias dos espectadores arrebatados, como eu, pelo talento da azougada Marina e do não menos engraçado Carlos Cunha.
Os dois enchem o palco com o seu enorme saber.
Fiquei extasiado, confesso.
Pela beleza dos cenários e guarda roupa, pela música, pelos desempenhos.
E sobretudo por ter constatado que a revista não está decadente, que há grandes textos como estes. Na rábula da Justiça, dei comigo a lembrar-me de Brecht, da "Ascensão e Queda da Cidade de Mahagony", "Baal", com Mário Viegas e João perry, a "Ópera do Malandro", Liza Minelli e "Cabaret", o velho inesquecível "Adóque"...
Parabéns a esta grande mulher da cultura popular, que consegue chamar os bois pelos nomes, em parceria com esse grande senhor do teatro português.
Uma palavra de simpatia para Vera Mónica, exímia na cena da Assembleia e para Flávio Silva, protagonizando diversos papéis, nos quais acompanha bem os grandes actores com quem contracena.
Luís Filipe Maçarico

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Obrigado, Marco!



O Hugo Baptista, de Viseu, que é arqueólogo no Alqueva, fotografou.

O Marco Valente (também arqueólogo, natural de Mafamude, a residir em Beja) e eu, tínhamos acabado de apresentar o primeiro trabalho do Mestrado, sobre uma necrópole islâmica, descoberta por Isabel Luzia na cidade de Loulé, em 1999.

Aliás, a nossa análise centrava-se no artigo que aquela arqueóloga escreveu para a revista Al-Ulyã. Correu bem.

Disse então ao professor Luís Filipe Oliveira que, só pelos desafios que este trabalho me colocou, já tinha valido a pena ter decidido frequentar este curso.

É que sendo antropólogo cultural, e não percebendo nada da análise de cadáveres (antropologia física) nem de arqueologia, fiz uma pesquisa minuciosa, para tentar perceber as metodologias, as práticas, as exigências e lógicas daquelas áreas do saber.

O Marco Valente foi (é) impecável como colega e ser humano.
Partilhou, reflectiu, aprendemos um com o outro e ficámos bem na fotografia, pois toda a gente nos felicitou pela informação apresentada.

Obrigado Marco, obrigado professor, obrigado colegas e até sexta-feira!

Luís Filipe Maçarico (texto) Hugo Baptista (fotografia)

domingo, janeiro 11, 2009

PULO DO LOBO




Há cerca de um mês, com o Pedro, a Ágata, a Adriana e outros companheiros de viagem excelentes, revisitei o Pulo do Lobo.
Situado nos confins do Alentejo, no concelho de Mértola. esta inclinação do Guadiana que forma uma pujante queda de água, é símbolo desse imenso silêncio habitado pelas águas mais intensas da terra.
Uma visita a este local é sempre um estimulante para a existência do dia a dia. Sabermos que a Natureza tem esta força e que a podemos usar para nosso benefício, nem que seja do olhar, é um bálsamo para a alma, tão magoada com a impiedade dos poderosos.
O Portugal profundo, somos nós.
Luís Filipe Maçarico

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Património de Belas












Nunca falei desta localidade, detentora de tanto património material e algum imaterial, de relevo, como as imagens documentam em breve amostra.
Sítio que guarda um resto de bucolismo, foi território de quintas, ainda visíveis, bons ares e certamente magníficos frutos.
Terra saloia de doces identitários, como os célebres Fofos (de dona Liberdade,) uma criação do património gastronómico popular, com dois séculos.
Lugar de arquitecturas do tempo, modelando a paisagem humana com o selo da qualidade.
Belas - nome poético, com memórias ou lendas, em torno de figuras da realeza, que por aqui passariam a caminho do palácio de Queluz.
Um passeio por lá é uma sugestão para um futuro sábado ou domingo, mas com sol. No azul de uma tarde de luz, o património de Belas apresentar-se-á certamente mais fulgurante, os seus jardins mais apetecíveis.
Seja como for, esta "iniciação" ao paraíso terreal de Belas deveu-se ao convite da minha amiga e colega socióloga Vanda Oliveira, que desde esta janela feliz do Águas do Sul saúdo, prolongando o encanto desta manhã/início de tarde.
Obrigado, querida Vanda!
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)