No dia 21, enviei por correio electrónico a seguinte mensagem:
"Esta é uma época estranha, cada vez mais estranha...Cinco letras traduzem o desvairo consumista, talvez agora mais contido... Mas continua a haver ostentação e muita injustiça...
Reformados que não têm dinheiro para viver, para ter calorífero, para pagar medicamentos, idosos que ficam nos hospitais, porque as famílias não os vão buscar...é o quê?
Tempo danado, de monstros quotidianos. Festejamos o quê?Natal? Festa da Família?
Como dizia há dias, na Antena Um, o professor Júlio Machado Vaz, o sangue não permite por si só o afecto...
Tempo de Amigos? Tempo de partilha? Mas isso não é para ser todos os dias?
Agradeço e retribuo os votos de saúde, bem estar e de um 2009 melhor. E deixo estas reflexões acerca deste tempo que nos foi dado viver... acrescentando que:
Tem de haver, isso sim, uma energia libertadora desta hipocrisia, desta opressão, cada vez maior e mais insuportável, dentro da qual procuramos sobreviver. Viver não é isto!!!
Abraço (mas por favor não me re-enviem mensagens que não sejam vossas, pois se receber um cena natalícia com FW FW FW adivinhem o que faço?)"
As respostas foram surgindo. Resolvi partilhar - confesso que não tinha pensado fazê-lo ,quando escrevi às pessoas - algumas das mensagens recebidas, salvaguardando a identidade dos meus amigos, pois acho que será interessante abrir aqui um espaço de debate... E vocês que vão ler estes pensamentos, o que dizem?
"estamos de acordo.
quero abraços todos os dias e laços de sorrisos feitos com alegria.
quero calor de um beijo quando faz frio e um aperto de mão quando já não há palavras para mais nada.
quero, sobretudo, respeito pela vida e isso ,Luís, é todos os dias!
todos os dias da nossa difícil vida quando nos tentam vender outro tipo de felicidade.
mas eu insisto nesta.
um abraço, com o meu sorriso de ap, "mulher de sonhos mil"!
"para nós é sempre natal ou seja viver contigo todos os dias no meu coração! bjinho da mana j.
"
EU NÃO FIQUEI.
assino em baixo do que dizes.
A minha mensagem de Natal também é um bocado nesta linha de pensamento. E não o festejo enfeitando-me/nos/a casa... Festejo-o como aos dias em que posso estar com as minhas pessoas. Neste caso a minha mãe e a minha filha e o marido dela e o meu filho e companheiro. Estaremos juntos mas não fazemos culto de prendas. Não quero. Aliás, pratico as coisas assim já há bastante tempo.
Jingã, Luís
B.
E aguarda que te chegará a MINHA mensagem de Natal que mais não é que o que penso todos os dias. "
"Caro Luís:
Percebo bem as tuas preocupações, mas relaxa…! O Natal também tem coisas boas. Uma delas é falar com os amigos (eu sei que o devíamos fazer mais vezes, mas enfim…).
Aqui ficam os meus votos de um Feliz Natal e de um 2009 cheio de coisas boas, incluindo muita poesia!
Por falar nisso, não sei se já te disse: gostei imenso do teu livro!
Um abraço
A."
"Meu amigo a minha resposta ao teu desabafo, é dá um olhinho ao meu blogs sobre festas felizes. Aquele abraço dos amigos do coração R. e T."
"Luís,
Apesar da distância de tempo que nos tem separado, continuo a lembrar-me e a falar de ti, porque te admiro como pessoa e poeta. Só uma pessoa maior se preocupa com aquilo que quase todos esquecem nesta época que deveria ser de afectos.
Tenho tido grandes preocupações ultimamente que me fizeram reflectir naquilo que verdadeiramente importa (o meu pequeno esteve hospitalizado 3 semanas). Que mundo é este em que vivemos? Que exclui? Que desprotege? Que vive de aparências? Que ostenta o supérfluo, esquecendo-se da justiça? Cabe-nos agir, mudar e tentar mudar, pelo menos os que à nossa volta vivem. O monstro é grande, certamente, mas não podemos ficar parados. Gritemos então, pode ser que alguém nos ouça!
Um Natal cheio de bons sentimentos e que o Ano Novo que se aproxima nos dê forças para lutarmos.
Um abraço
J."
"Ouvi o programa da Antena 1 do Júlio e acho que precisamos de rituais como factor de coesão social.
Mas porque não inventamos outro Natal?Com os mais pobres e desfavorecidos.Quem quer agarrar esta ideia? Um abraço do Teu amigo C."
Luís Filipe Maçarico (texto e coordenação)
Helena Poejo (registo fotográfico efectuado em Marrocos)