"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sábado, dezembro 27, 2008

Neve em Alpedrinha






Esta manhã quando acordei, Alpedrinha tinha um manto branco que a chuva começava a esfarrapar. Não fora um grupo de gente barulhenta que me fez ficar na cama, após uma hora de chavascal entre as 7 e meia e as 8 e 30 da matina, e teria desfrutado de um prazer maior que dormir.
No entanto, quando saí para a rua deparou-se-me o espectáculo da neve, que a chuva varreu.
Voltei à cidade com estas imagens na bagagem para partilhar com os leitores, aproveitando para desejar um 2009 melhor.
Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Época Estranha






No dia 21, enviei por correio electrónico a seguinte mensagem:

"Esta é uma época estranha, cada vez mais estranha...Cinco letras traduzem o desvairo consumista, talvez agora mais contido... Mas continua a haver ostentação e muita injustiça...

Reformados que não têm dinheiro para viver, para ter calorífero, para pagar medicamentos, idosos que ficam nos hospitais, porque as famílias não os vão buscar...é o quê?

Tempo danado, de monstros quotidianos. Festejamos o quê?Natal? Festa da Família?

Como dizia há dias, na Antena Um, o professor Júlio Machado Vaz, o sangue não permite por si só o afecto...

Tempo de Amigos? Tempo de partilha? Mas isso não é para ser todos os dias?

Agradeço e retribuo os votos de saúde, bem estar e de um 2009 melhor. E deixo estas reflexões acerca deste tempo que nos foi dado viver... acrescentando que:

Tem de haver, isso sim, uma energia libertadora desta hipocrisia, desta opressão, cada vez maior e mais insuportável, dentro da qual procuramos sobreviver. Viver não é isto!!!

Abraço (mas por favor não me re-enviem mensagens que não sejam vossas, pois se receber um cena natalícia com FW FW FW adivinhem o que faço?)"

As respostas foram surgindo. Resolvi partilhar - confesso que não tinha pensado fazê-lo ,quando escrevi às pessoas - algumas das mensagens recebidas, salvaguardando a identidade dos meus amigos, pois acho que será interessante abrir aqui um espaço de debate... E vocês que vão ler estes pensamentos, o que dizem?

"estamos de acordo.
quero abraços todos os dias e laços de sorrisos feitos com alegria.
quero calor de um beijo quando faz frio e um aperto de mão quando já não há palavras para mais nada.
quero, sobretudo, respeito pela vida e isso ,Luís, é todos os dias!
todos os dias da nossa difícil vida quando nos tentam vender outro tipo de felicidade.
mas eu insisto nesta.
um abraço, com o meu sorriso de ap, "mulher de sonhos mil"!

"para nós é sempre natal ou seja viver contigo todos os dias no meu coração! bjinho da mana j.

"
EU NÃO FIQUEI.
assino em baixo do que dizes.
A minha mensagem de Natal também é um bocado nesta linha de pensamento. E não o festejo enfeitando-me/nos/a casa... Festejo-o como aos dias em que posso estar com as minhas pessoas. Neste caso a minha mãe e a minha filha e o marido dela e o meu filho e companheiro. Estaremos juntos mas não fazemos culto de prendas. Não quero. Aliás, pratico as coisas assim já há bastante tempo.
Jingã, Luís
B.
E aguarda que te chegará a MINHA mensagem de Natal que mais não é que o que penso todos os dias. "

"Caro Luís:

Percebo bem as tuas preocupações, mas relaxa…! O Natal também tem coisas boas. Uma delas é falar com os amigos (eu sei que o devíamos fazer mais vezes, mas enfim…).

Aqui ficam os meus votos de um Feliz Natal e de um 2009 cheio de coisas boas, incluindo muita poesia!

Por falar nisso, não sei se já te disse: gostei imenso do teu livro!

Um abraço

A."

"Meu amigo a minha resposta ao teu desabafo, é dá um olhinho ao meu blogs sobre festas felizes. Aquele abraço dos amigos do coração R. e T."

"Luís,
Apesar da distância de tempo que nos tem separado, continuo a lembrar-me e a falar de ti, porque te admiro como pessoa e poeta. Só uma pessoa maior se preocupa com aquilo que quase todos esquecem nesta época que deveria ser de afectos.
Tenho tido grandes preocupações ultimamente que me fizeram reflectir naquilo que verdadeiramente importa (o meu pequeno esteve hospitalizado 3 semanas). Que mundo é este em que vivemos? Que exclui? Que desprotege? Que vive de aparências? Que ostenta o supérfluo, esquecendo-se da justiça? Cabe-nos agir, mudar e tentar mudar, pelo menos os que à nossa volta vivem. O monstro é grande, certamente, mas não podemos ficar parados. Gritemos então, pode ser que alguém nos ouça!
Um Natal cheio de bons sentimentos e que o Ano Novo que se aproxima nos dê forças para lutarmos.
Um abraço
J."

"Ouvi o programa da Antena 1 do Júlio e acho que precisamos de rituais como factor de coesão social.
Mas porque não inventamos outro Natal?Com os mais pobres e desfavorecidos.Quem quer agarrar esta ideia? Um abraço do Teu amigo C."

Luís Filipe Maçarico (texto e coordenação) Helena Poejo (registo fotográfico efectuado em Marrocos)

terça-feira, dezembro 16, 2008

Mestres na Arte de Encantar












Foi um privilégio assistir, no âmbito do 4º aniversário das cantadeiras da Alma Alentejana, a um belo espectáculo com cante e viola campaniça, que incluiu uma homenagem a um jovem professor, executante com mestria, no nome e na perfomance: Pedro Mestre.
Com ele vieram os 4 ao sul, as crianças das escolas de Almodôvar, as papoilas, os cardadores e as mulheres, também elas campaniças, que cantam como ninguém, onde floresce a Ana Valadas, voz de oiro do Alentejo. E o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Castro Verde, Paulo Nascimento, homem solidário e de iniciativa.
Parabéns ao Joaquim Avó, à Nazaré, ao Luís Moisão e à Fátima, a todas as cantadeiras, à Rosa Dias, aos Amigos do Alentejo, padrinhos das cantadeiras e ao público estóico, que aguentou uma sala - CIRL, do Laranjeiro, com temperatura gélida, autêntico viveiro da gripe.
E obrigado pelo esforço que permitiu o espectáculo, que também teve as sevilhanas e os cavaquinhos, o saboroso arroz de pato, o convívio e a sempre maravilhosa alegria do povo num domingo outonal, chuvoso e frio.
Luís Filipe Maçarico

domingo, dezembro 14, 2008

De sexta a sábado





















































Todas as semanas, desde 31 de Outubro, volto a Mértola para rever os colegas e ouvir os professores Santiago Macias, Cláudio Torres e Luís Filipe Oliveira.
Aos sábados, almoçamos em grupo, o que é muito simpático. Na semana passada, a Sandra e o P. Carlos trouxeram familiares e amigos e o convívio foi memorável.
Até porque nesse dia, o Marco (de Mafamude) e a Marta (de Beja) tinham dado o nó. Perdoem-me a foto tremida, mas é a minha maneira de os homenagear. E já agora, destaque para a pequena Adriana, pela alegria que trouxe à mesa do colectivo estudantil. Saravá, Ágata e Pedro, pais babados!
É com este pessoal que ando, quando saio de Lisboa, para estudar, de sexta a sábado...
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

sábado, dezembro 13, 2008

Ercílio




Primeiro, lavou-se...depois, cumprimentou-me.
E tal como surgiu, desapareceu pelas vielas de Mértola, enquanto uma chuva morrinhenta toldava o cenário.
O gato, que todas as semanas nos procura à porta do Campo Arqueológico, na chegada e no intervalo dos estudos, esteve comigo alguns minutos no domingo passado.
O Rolando baptizou-o de Ercílio...
O nome do bichano será certamente mais felino... todavia, a alegria de nos revermos todas as sextas, não precisa de nomes para estarmos ali, olhando o Guadiana, escutando os pássaros...
E tal como o Mário Elias, a Nádia e outras figuras carismáticas de Mértola, o Ercílio tem a magia do lugar, com a diferença que cumprimenta mas quase quer ir para as aulas connosco...
LFM (texto e fotos)

domingo, novembro 30, 2008

Mértola, a Eterna




Com o espelho do Guadiana a lembrar-lhe a eterna beleza, Mértola adormece e desperta no coração da luz, entre rumorejos de água e asas.
Decorrido o mês inicial do primeiro semestre do mestrado "Portugal Islâmico e o Futuro", continuo a olhar esta terra com o prazer da descoberta das coisas boas do Mundo.
A Poesia vive naquelas ruelas, naquelas pedras ancestrais, nos rostos acolhedores da gente humilde e fraterna que o Alentejo tem.
Chegado aqui, reforço a vontade de prosseguir.
LFM

quarta-feira, novembro 26, 2008

Muito Solicitado...


Na passada segunda feira apresentei na Associação dos Amigos dos Castelos uma conferência sobre Associativismo em Lisboa, onde encontrei uma leitora que só me conhecia pela leitura de um poema, a proprietária do prédio onde habito e uma antiga professora da Escola Comercial Ferreira Borges, com quem aprendera "Noções de Comércio". Mas esta senhora,agora de cabelinhos brancos, fora comigo à Rua de S. Paulo, em nome da Acção Social Escolar comprar-me roupa nesses longínquos anos da adolescência...
Foi uma hora de partilha, perante dezenas de pessoas muito interessadas e envolventes.
Ontem, na Sociedade de Geografia de Lisboa, durante uma homenagem ao Dr. Leite de Vasconcelos, apresentei uma comunicação onde abordei o imaginário popular sobre os árabes na obra daquele etnógrafo.
Há uma semana e meia, na Universidade Nova, durante o Congresso Portugal e o Magreb, também apresentei uma comunicação, sobre o que fazer com patrimónios de origem árabe, como aldrabas e morábitos? Esta comunicação foi escrita em tempo recorde, pois a organização aceitou-a, mas eu nunca recebi a confirmação, tendo sabido que iria falar, quando li o programa, na web...
Tempo de energia e criatividade, de grande produção, é certo. Participações aceites há muitos meses, quando ainda não tinha decidido fazer o Mestrado Portugal Islâmico e o Mediterrâneo.
Felizmente, correu tudo bem e em qualquer dos três sítios, a reacção dos ouvintes foi muito estimulante.
Agora é tempo de me dedicar mais ao curso, embora ainda tenha um artigo de fôlego para escrever para uma associação de defesa do património, que actua na costa vicentina...
Fotografia de Lurdes Capitão