"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, outubro 19, 2008

Poesia Portuguesa nos 70 Anos da Escola da Tapada das Necessidades






Esmeralda Veloso trouxe a poesia de Fernanda de Castro, Luís Maçarico evocou Ary dos Santos, Nádia Nogueira incarnou Natália Correia e José Alberto Franco disse as palavras de José Gomes Ferreira. Os quatro ensaiaram na relva, antes do começo do espectáculo.
Aconteceu nesta tarde de domingo, dia 19 de Outubro, na Tapada das Necessidades, por ocasião dos 70 anos da Escola Fernanda de Castro, uma escola com 2 hectares de recreio, fundada pela avó da escritora Rita Ferro, que esteve presente e falou com carinho dessa avó, que conviveu com inúmeros poetas, com os quais teve amizades que duraram pela vida fora.
Houve música da época, a cargo de um coro e duas intervenções poéticas do grupo de quatro declamadores, juntos pela primeira vez, por iniciativa de Rosário Baptista, que seleccionou a poesia dita, numa iniciativa promovida pela Junta de freguesia dos Prazeres.
O presidente da Junta Magalhães Pereira e a secretária do Executivo Margarida Passinhas, bem como uma equipa eficiente de funcionárias da autarquia esforçaram-se para que o evento tivesse o nível e o brilho participado e aplaudido por cerca de duas centenas de pessoas, entre as quais havia antigos e actuais alunos, bem como professoras, tendo o festejo terminado com um simpático beberete.
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

sábado, outubro 18, 2008

Mena Brito expõe no Cinema Londres e na Malaposta: Atmosferas do Corpo numa Arte com A Grande





No espaço de uma semana Mena Brito inaugurou duas exposições de desenho. A artista surge pujante nestes trabalhos que merecem uma visita atenta, fruindo Arte com A Grande.
Na galeria existente junto ao café do cinema Londres e na Malaposta, a criatividade desta pintora mostra-se com o requinte e a sensualidade deste traço que respira as "Atmosferas do Corpo".
E como escrevi há uns anos, a propósito da obra desta mulher arrebatadora, "A intranquilidade é talvez o traço mais vincado do seu carácter. Se assim não fosse, como poderia a resplandecente sensibilidade vir à tona, em cada tela?
Na pele da sua pintura, no traço dos seus desenhos, suor, veias, torsos, emoções, emergem sempre como um rio ou um raio, qual jacto vigoroso de uma irreprimível gestualidade, explosão de energia vibrante.
Através da cor, o corpo pulsa em formas de irrecusável envolvimento, que nos impelem à libertação de todas as barreiras. Saudosa de infinito, a memória espelha-se em alguns hinos de tinta.
São vagas de profundo ardor, os tons que se esbatem em contornos baléticos, ora doces, ora violentos, acentuando a primazia da terra (...) A partir do efémero e do vulgar, Mena Brito capta o sagrado e o fantástico. (...) Esplendorosa geografia da volúpia."
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos, 2 de quadros de Mena e da própria na exposição da galeria do Cinema Londres).

quinta-feira, outubro 16, 2008

PORTUGAL-ALBÂNIA: O RESULTADO DE UMA GERAÇÃO DE JOGADORES ARROGANTES, CONVENCIDOS E FALHADOS


Distribuam pelos mais pobres, o dinheiro que os jogadores de futebol ganham. Os Cristianos não merecem!
Eu sabia que isto ia acontecer, não aprenderam nada com o Euro 2008. São arrogantes e convencidos. Falhados.

Não é preciso ser vidente. Bastava ouvir o delírio dos locutores da Antena Um: que a Albânia era fraca, que Portugal ia ficar em primeiro lugar, ao vencer o adversário. Ora toma! Esses senhores quando ampliam a parvoíce, o descalabro é certo.

Os Ronaldos (e quejandos) podiam fazer o favor de nos deixarem em paz.
Estamos fartos da invasão que fazem ao cérebro dos portugueses, fracos de espírito, que precisam de acreditar em qualquer coisa para contornar o sofrimento de uma vida estúpida.

Documentários, entrevistas, publicidade, vendendo um bem estar consumista, de casarões, piscinas e cifrões que não é o nosso quotidiano. Ganham num ano o que nunca conseguiremos numa vida.

A semana passada mais um português se suicidou, atirando-se da ponte 25 de Abril...

E o irritante do Ronaldo ri, ri, ri de todos nós. Nem na sua terra é capaz de ser cortês para o povo da ilha, que há semanas atrás tentou vê-lo...Ídolo de quê e de quem?

Tratem dos outros desportos.
O futebol português lembra a crise do capitalismo.
É totalitário, devasta tudo e está repleto de indivíduos que se pagam principescamente.
Não me falem de festa, a propósito desta gente. Dá-me vómitos.
LFM

quinta-feira, outubro 09, 2008

Prémio da UNESCO para Adalberto Alves


Soube ontem "em primeira mão" pelo José Prista, que leu on line. E foi com imensa satisfação que li no Público de hoje a notícia, assinada por Margarida Santos Lopes e que o amigo Tiago Bensetil me fez chegar por correio electrónico:


"UNESCO premeia o “coração árabe” do poeta e ensaísta português Adalberto Alves

Adalberto Alves consegue precisar o momento em que se apaixonou pela cultura árabe. Foi aos cinco anos, quando viu o filme Ladrão de Bagdad, “não a versão muda” mas a que foi realizada em 1940 por Ludwig Berger, Michael Powell e Tim Whelan. Ontem, a UNESCO recompensou esse amor, mas também a sua “busca interior”, que o levou a escrever “uns 30 e tal livros”, como afirmou ao PÚBLICO, por telefone.


Autor de "O Meu Coração é Árabe", provavelmente uma das suas obras mais conhecidas — “os leitores sentiram-se tocados como se tivessem reencontrado um parente perdido” — o poeta, ensaísta e tradutor português vai receber cerca de 22 mil euros, o valor do Prémio Sharjah para a Cultura Árabe, criado pela UNESCO em 1998.


A mesma quantia será atribuída ao académico egípcio Gabel Asfour, director da Fundação de Tradução Nacional no Cairo.A Asfour foi reconhecido o seu “importante papel na divulgação da cultura árabe pelo mundo” – é professor em universidades dos EUA, Europa e Médio Oriente.


No caso de Adalberto Alves, director do Centro de Estudos Luso-Árabe, em Silves, a UNESCO enalteceu-o por ter “inspirado muitos escritores portugueses e espanhóis [um deles o romancista Pedro Plasencia, autor de El Tiempo de los Cerezos] a divulgar a história da cultura árabe do Gharb al-Andalus”Hoje, o advogado que de dia trabalhava no gabinete jurídico de um banco e de noite “dormia pouco” para ir além do “romantismo e exotismo” do filme Ladrão de Bagdad, está a preparar um dicionário de palavras portuguesas com origem árabe (toponímia, antroponímia, léxico corrente e empréstimos semânticos), a publicar em 2009. Já havia um, de José Pedro Machado, mas o de Adalberto Alves tem mais elementos, “ainda que não pretenda ser exaustivo, porque todos os dias a língua portuguesa recebe contribuições árabes, como Al-Qaeda/A Base).


Assim, se já sabíamos que “oxalá” derivava de Insh’Allah (Deus queira), ficamos a saber também que os árabes nos deram a “bochecha” (mashash), o jorro (jara), o açaime (al-zimân), a febra (habra) ou o tamarindo (tamr al-hindi, tâmara do Índico). Como chegou ele aqui? “Consultando muitos dicionários e fontes árabes”, língua que aprendeu na Universidade Nova, nos anos 1980.


Para fazer a necessária pesquisa e escrever este dicionário, o arabista bateu às portas de “várias embaixadas e instituições culturais”. Nenhuma se abriu, lamenta, e agora parte do prémio será usado para pagar despesas como a compra da imprescindível Enciclopédia do Islão, “com 12 volumes e cada um a 150 contos”.


O Prémio Sharjah deve o seu nome e fundos a um emirado do Golfo Pérsico. Curiosamente, Sharjah é um dos raros territórios árabes que Adalberto Alves, de 69 anos, ainda não visitou. A sua atenção vira-se agora para o sufismo, o misticismo islâmico. “Se perguntarem se sou muçulmano digo que sim, mas também digo que sou hindu, porque acredito na unidade de todas as religiões.”


Aproveito para felicitar o notável ensaísta, poeta e sobretudo o excelente arabista, semeador de pontes entre povos! Aslama Dr. Adalberto! Mabrouk! Mabrouk!


LFM

segunda-feira, outubro 06, 2008

Universidade do Algarve: A Próxima Etapa



Esta é a minha nova Universidade.
Eis o Campus de Gambelas, em Faro, onde está situada a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, da qual passei a ser aluno.
Sou dos que pensam que aprender é um tesouro, ao nosso alcance, enquanto pudermos respirar e reflectir sem constrangimentos.
Depois da licenciatura na Universidade Nova de Lisboa, em 1994, do mestrado no ISCTE, em 2005, a próxima etapa - porque não? - poderá ser o doutoramento.
Agradeço à Dra Sónia Tomé o apoio inexcedível e aos professores Santiago Macias e Luís Filipe Oliveira o estímulo, para me aventurar neste sonho tornado realidade.
LFM (fotos e texto)

domingo, setembro 28, 2008

Cais das Colunas - Um Poema




O Cais das Colunas, tema de tantos poemas e recordações, parece renascer, no sítio onde anteriormente muitos lisboetas viveram momentos inesquecíveis.
Num livro meu há a reprodução de um desenho do cais, cujo autor foi o pintor Rodrigo Dias, que mergulhou a folha onde desenhara, nas águas do Tejo. O desenho tem a marca desse momento em que o rio entrou na página...
O Cais das Colunas renasce. Que novos versos e estórias acontecerão?
Para já, fica este texto acabado de escrever:

"Estive muitas vezes neste Cais
contemplando o Tejo
nuns olhos ou o futuro
no silêncio da página.

Espero por essas colunas mágicas
para escrever mais versos
onde um sorriso volte a inspirar
novas marés de afecto."

Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, setembro 22, 2008

Festa dos Chocalhos 2008














Alpedrinha vibrou novamente com mais uma edição da Festa dos Chocalhos. Quando o povo se apropria de uma ideia, qualquer festa que essa ideia gerou, assume as sonoridades e os aromas apreciados pela nossa gente, sem ser necessário empestar o ambiente com chunguices e pimbalhadas.

Aprecio as lojas transformadas em tascas, as ruas repletas de gente, os sabores, os petiscos, os doces, o pão, artesanatos, tudo o que faz daqueles instantes o espelho de uma festa reinventada, que as pessoas transformaram na sua festa.

Sonhada por indivíduos que idealizaram o evento, talvez para revitalizar o sítio, em perda com a auto-estrada que rasgou a Gardunha e afastou da vila muito trânsito, a festa apareceu como uma possibilidade de laboratório de experiências culturais, além de ser uma tentativa para imprimir desenvolvimento para o futuro.

Do lançamento de livros às Conversas Transumantes, vai acontecendo, a par dos bombos, dos pífaros, das gaitas de foles, das concertinas e dos ranchos folclóricos, uma actividade paralela que os alpetrinienses também acompanham, habituados que estão a iniciativas de cunho cultural.

Não peçam é que eles se sentem a teorizar, em torno do parâmetro ideal e do perigo da festa resvalar para arraial. Recordo que o arraial está sempre ligado a um santo, ao sagrado e inclui uma parte profana, que chega a conflituar com a ritualização religiosa. A Festa dos Chocalhos, se tem procissão, é a das cabras e ovelhas e se tem excesso é o da alegria e do convívio. Em época de crise económica e espiritual, não é um grande valor o encontro das pessoas?

Nas diversas edições já realizadas não houve notícia de desacatos, de violência...Mas há a evidência de milhares de sorrisos, de abraços, de euforia, da mescla humana de todas as idades, oriunda de tantos lugares.

Espero que os organizadores, programadores e animadores consigam melhorar sempre a realização deste grande acontecimento cultural, trazendo até Alpedrinha artistas criativos e interventivos. Falta a esta iniciativa tornar habitual a componente exposição, inserindo a arte na leitura transumante. Fotografia, pintura, escultura, performance, não têm acontecido. O teatro de rua, cinema, tudo isso, por motivos económicos ou quaisquer outros, não têm sido proporcionados. E este ano, se a Paula Cristina Lucas da Silva e a Rosa Dias não tivessem trazido à festa o seu olhar poético, a festa teria sido certamente mais pobre.

O receio da festa ser reduzida à febra assada e ao tintol, e às pifaradas, é um risco que não pode ser assacado a quem deseja divertir-se (após uma semana de trabalho), com o que lhe é oferecido.

Se o IGESPAR autorizou que o palácio do Picadeiro tenha um telhado de alumínio e puxadores de porta iguais aos que a minha amiga Ana viu nos contentores, onde vendia andares no Feijó mas impede a população de fazer alterações em prédios da zona histórica, como querem os senhores mais cultos que o cidadão comum aceite a cultura recomendada por eruditos, que consideram ser mais adequado para o Zé Povinho, quem sabe, talvez Leoncavallo ou Mahler?

LFM - texto e fotos (com MEG)