"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

domingo, agosto 31, 2008

Fim de Semana Triste


O Alentejo perdeu este fim de semana dois homens solidários, que passaram uma boa parte das suas vidas sonhando um mundo melhor, dando o seu contributo para essa mudança.
Domingos de Carvalho, escritor, associativista, pai do também escritor Mário de Carvalho, deixou-nos com 89 anos e uma obra, onde as terras do sul e o seu povo sofredor atravessaram páginas de poesia e prosa.
Lutou pela liberdade e pôde enfim saboreá-la, desejando sempre que o futuro fosse mais fraterno. Na Caixa Económica Operária, antes do 25 de Abril e na Casa do Alentejo, após a Revolução dos Cravos, foi consequente com os seus ideais.
Lourenço Bernardino, mais novo, mas não menos empenhado, foi presidente da Junta de Freguesia de Santo Condestável e actualmente desempenhava o cargo de tesoureiro na direcção da Casa do Alentejo.
Fica o exemplo de ambos assinalado neste breve artigo, escrito ao fim de um domingo triste passado entre funeral e velórios.
Não podia deixar de os homenagear aqui, pois tive o privilégio de os ter como amigos. O escritor recomendou o meu nome, para escrever sobre livros na antiga revista da Casa do Alentejo e participou em lançamentos de livros meus, mesmo quando já estava doente. O autarca de Campo de Ourique convidou-me um dia, para ser membro do júri de um prémio de fado, que foi atribuído a Joana Amendoeira.
Como se não bastasse, Adão Barata, engenheiro e ex presidente da Junta de freguesia de Carnide e da Câmara Municipal de Loures foi hoje cremado. Soube-o apenas na Buraca, no velório de Lourenço Bernardino.
Fica registado neste blogue que estas pessoas sonharam e trabalharam, em prol do bem estar dos outros e a comunicação social, não ignorando o falecimento do engenheiro, nada disse sobre os outros empenhados cidadãos.
Porque tenho memória, não os deixo no esquecimento.
Oxalá a semana e o mês que vão começar não tragam mais notícias destas.
Luís Filipe Maçarico (texto) Foto: quadro de Isabel Aldinhas, pintora montemorense.

quinta-feira, agosto 28, 2008

O Segredo de um Couscous


IMPERDÍVEL é a palavra com que pretendo definir o filme que vi esta noite na sala 3 do Monumental.
Fiquei muito impressionado, pois "O Segredo de um Couscous" é uma obra prima, realizada por Abdellatif Kechiche, que conta uma história espantosa, com desempenhos notáveis, nomeadamente de Hafsia Herzi.
Não ver esta excelente co-produção franco-tunisina, é perder uma oportunidade magnífica de apreciar cinema de grande qualidade, falado em francês e árabe, com um ritmo tenso, de sequências, que num crescendo vão criando o clímax.
Espreitem os excertos e o trailer, que mostram vagamente a força do filme, mas ainda assim deixam antever o que aquelas quase 3 horas de espectáculo podem mexer com o espectador:

http://www.mymovies.it/trailer/?id=49628

http://www.allocine.fr/video/player_gen_cmedia=18778683&cfilm=61185.html

http://www.allocine.fr/video/player_gen_cmedia=18778668&cfilm=61185.html

http://www.allocine.fr/video/player_gen_cmedia=18778679&cfilm=61185.html

LFM

quarta-feira, agosto 27, 2008

Vanda, a Doce


Ela é linda, meiga, inteligente, companheira de marotices, de muito riso e de momentos difíceis que vivemos há uns anos atrás, resistindo ao absurdo no departamento onde trabalhamos.
Aprendi com a sua paciência a manejar a maquineta digital e a tornar-me "expert" de blogues e de teclagens várias, descobrindo o fascinante mundo da Internet.
Se tenho um telemóvel, foi ela que me aconselhou e acompanhou à loja para comprar...
Sem ela, a hora de almoço desde há sete anos não teria o sabor sublime da amizade, o companheirismo que enriquece o quotidiano.
Olá minha querida, bom dia!
LFM

terça-feira, agosto 26, 2008

Luísa e José






No sábado do eclipse da lua, passei a tarde a conhecer sítios mágicos, graças à Luísa e ao José Manuel. Assim, sem mesuras, apenas com a imensa gratidão de quem os estima.
Foi realmente muito bom compartir com eles a alegria da descoberta, em relação a sítios encantados como Almoster.
Apesar de alguma chuva eles foram o sol. Os amigos são sempre o sol!
Ao seu lado encontrei amoras, andávamos então em Torre Penalva...
No castro de São Pedro, percorremos de novo um espaço milenar, onde o silêncio é rei.
Pela Azambuja andei nessas horas, voltando ao doce embalo do sorriso e dos olhos destes amigos. Eles são alimento espiritual, benéfico para a minha caminhada neste mundo. Espero que a minha companhia também lhes faça bem.
Permitam que lhes dedique este post e lhes agradeça o ar excepcional que respirei naquelas paragens. Voltando a tirar fotografias um ano depois de ter estado em Manique do Intendente e que se apagaram da máquina sem ter carregado em nenhum botão...
Desta vez trouxe comigo imagens de ternura que lhes ofereço pela poesia que contêm.
Bem Hajam!
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

segunda-feira, agosto 25, 2008

Khalil,o Príncipe da Eritreia






Foi durante a noite em que houve o eclipse da lua. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, a Maratona Feminina desenrolava-se, e, naquela simpática casa de Alverca, um gato fabuloso, oriundo da Eritreia, encantou-me pela sua suave e terna companhia. A vida surpreende-nos com estes seres mágicos, que nos trazem luz e alegria.
Não podia deixar de celebrar, neste espaço de partilha, um momento assim, tão especial e de agradecer às donas do belo bichano, Gia e Cris, o tempinho dispensado, com comida deliciosa e o privilégio de ter conhecido Khalil, o Príncipe do Deserto... desejando longa vida aos seres humanos envolventes, com quem conheci Lucena há uns anos atrás, e a este felino/ raposinho das areias, lendário pela sua fidelidade, bem demonstrada ao longo das horas de convívio e que as imagens documentam.
Apetece citar Eugénio de Andrade:

"É um pequeno persa
azul, o gato deste poema.
Como qualquer outro, o meu
amor por esta alminha é materno:
uma carícia minha lambe-lhe o pêlo,
outra põe-lhe o sol entre as patas
ou uma flor à janela.
Com garras e dentes e obstinação
transforma em festa a minha vida.
Quer-se dizer, o que me resta dela."

in "O Outro Nome da Terra"

LFM (texto e fotos)

sexta-feira, agosto 22, 2008

O Melhor Património





Num destes sábados tive o prazer de estar com os meus amigos José Alberto Franco e Maria Eugénia Gomes, na Ericeira, simpática vila do Oeste onde não ia há décadas. Uma parte do meu serviço militar foi cumprido no convento de Mafra (EPI) e a Ericeira ficava à distância de uma viagem breve de camioneta, sempre encantadora para escutar as ondas e saborear aromas de maresia.
Desta vez, os olhos da alma deliciaram-se com tanto bem estar. Mar, barcos e terra, em tarde mágica, mesmo que ventosa. Comendo sardinhas, numa celebração de pescadores e bombeiros. E bandas filarmónicas, na praça principal, noite dentro. Partilha, criatividade e o espírito de uma noite de Verão, desfolhando memórias, ao som de um tema dos Xutos e Pontapés, executado pelos jovens músicos.
Retribuo, com gratidão e alegria, através destas imagens, a satisfação que me proporcionaram.
Afinal de contas, o melhor património ainda são as pessoas!
Sem elas, as paisagens podiam ser deliciosas, porém, o vazio das vozes ausentes tornar-se-ia insuportável...
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

quinta-feira, agosto 21, 2008

NÉLSON ÉVORA: A POESIA DO TRIPLO SALTO

No final de Agosto de 2007, vimo-lo dar a volta de consagração à pista, em Osaka, com a bandeira portuguesa envolvendo o seu corpo e sentimo-lo emocionado, já no pódium dos Mundiais de Atletismo, enquanto soava o hino nacional.

Rui Costa, em nome do clube que o atleta representa, declarou que “É um estímulo para o país inteiro, é um campeão do Mundo e é um grande exemplo (…) Hoje é nosso herói nacional.”

Nascido em 20 de Abril de 1984, na Costa do Marfim, Nélson Évora, cujos pais são cabo-verdianos, vive em Portugal desde os seis anos de idade, sendo cidadão nacional, porque conforme afirmou numa entrevista, tudo o que conseguiu no Atletismo, foi aqui que adquiriu e é aqui que tem as suas raízes.

Segundo Ana Oliveira, antiga recordista nacional da modalidade, que conheceu Nélson Évora no primeiro clube onde se formou e competiu - o Odivelas - ele “tinha um talento que se foi desenvolvendo naturalmente, com muito trabalho e com o apoio técnico de João Ganço.”

Nélson Évora representou aquele clube até 1995, passando em 1996 para o Sport Lisboa e Benfica, onde se manteve até 2001, regressando em 2004, após uma curta incursão no Futebol Clube do Porto.

O jovem atleta de 23 anos, construiu a sua carreira com “muita segurança técnica e psicológica”, na opinião de Fonseca e Costa, dedicando-se intensamente aos objectivos traçados, tendo conseguido ser campeão europeu de juniores, em 2003, atingindo agora o recorde nacional de triplo salto, com a marca de 17, 74, que lhe valeu a medalha de ouro no Campeonato do Mundo.

Nelson Évora, com o resultado obtido em Osaka, passou a ombrear, com outras medalhas de ouro que o desporto nacional conquistou em Campeonatos do Mundo, nomeadamente Rosa Mota em 1987, Manuela Machado e Fernanda Ribeiro em 1995 e Carla Sacramento, em 1997.

Nos Jogos Olímpicos de Pequim, no dia 21 de Agosto de 2008, Nélson conquistou a medalha de ouro no triplo salto e tem uma vida pela frente. Parabéns ao atleta exemplar e ao homem sensato, que entre outras coisas disse: "Vou procurar ser melhor, mais rápido, mais forte" e "Adoro esta dinâmica, esta poesia do triplo salto."

Texto: LFM Imagem: Youtube