"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, agosto 27, 2008

Vanda, a Doce


Ela é linda, meiga, inteligente, companheira de marotices, de muito riso e de momentos difíceis que vivemos há uns anos atrás, resistindo ao absurdo no departamento onde trabalhamos.
Aprendi com a sua paciência a manejar a maquineta digital e a tornar-me "expert" de blogues e de teclagens várias, descobrindo o fascinante mundo da Internet.
Se tenho um telemóvel, foi ela que me aconselhou e acompanhou à loja para comprar...
Sem ela, a hora de almoço desde há sete anos não teria o sabor sublime da amizade, o companheirismo que enriquece o quotidiano.
Olá minha querida, bom dia!
LFM

terça-feira, agosto 26, 2008

Luísa e José






No sábado do eclipse da lua, passei a tarde a conhecer sítios mágicos, graças à Luísa e ao José Manuel. Assim, sem mesuras, apenas com a imensa gratidão de quem os estima.
Foi realmente muito bom compartir com eles a alegria da descoberta, em relação a sítios encantados como Almoster.
Apesar de alguma chuva eles foram o sol. Os amigos são sempre o sol!
Ao seu lado encontrei amoras, andávamos então em Torre Penalva...
No castro de São Pedro, percorremos de novo um espaço milenar, onde o silêncio é rei.
Pela Azambuja andei nessas horas, voltando ao doce embalo do sorriso e dos olhos destes amigos. Eles são alimento espiritual, benéfico para a minha caminhada neste mundo. Espero que a minha companhia também lhes faça bem.
Permitam que lhes dedique este post e lhes agradeça o ar excepcional que respirei naquelas paragens. Voltando a tirar fotografias um ano depois de ter estado em Manique do Intendente e que se apagaram da máquina sem ter carregado em nenhum botão...
Desta vez trouxe comigo imagens de ternura que lhes ofereço pela poesia que contêm.
Bem Hajam!
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

segunda-feira, agosto 25, 2008

Khalil,o Príncipe da Eritreia






Foi durante a noite em que houve o eclipse da lua. Nos Jogos Olímpicos de Pequim, a Maratona Feminina desenrolava-se, e, naquela simpática casa de Alverca, um gato fabuloso, oriundo da Eritreia, encantou-me pela sua suave e terna companhia. A vida surpreende-nos com estes seres mágicos, que nos trazem luz e alegria.
Não podia deixar de celebrar, neste espaço de partilha, um momento assim, tão especial e de agradecer às donas do belo bichano, Gia e Cris, o tempinho dispensado, com comida deliciosa e o privilégio de ter conhecido Khalil, o Príncipe do Deserto... desejando longa vida aos seres humanos envolventes, com quem conheci Lucena há uns anos atrás, e a este felino/ raposinho das areias, lendário pela sua fidelidade, bem demonstrada ao longo das horas de convívio e que as imagens documentam.
Apetece citar Eugénio de Andrade:

"É um pequeno persa
azul, o gato deste poema.
Como qualquer outro, o meu
amor por esta alminha é materno:
uma carícia minha lambe-lhe o pêlo,
outra põe-lhe o sol entre as patas
ou uma flor à janela.
Com garras e dentes e obstinação
transforma em festa a minha vida.
Quer-se dizer, o que me resta dela."

in "O Outro Nome da Terra"

LFM (texto e fotos)

sexta-feira, agosto 22, 2008

O Melhor Património





Num destes sábados tive o prazer de estar com os meus amigos José Alberto Franco e Maria Eugénia Gomes, na Ericeira, simpática vila do Oeste onde não ia há décadas. Uma parte do meu serviço militar foi cumprido no convento de Mafra (EPI) e a Ericeira ficava à distância de uma viagem breve de camioneta, sempre encantadora para escutar as ondas e saborear aromas de maresia.
Desta vez, os olhos da alma deliciaram-se com tanto bem estar. Mar, barcos e terra, em tarde mágica, mesmo que ventosa. Comendo sardinhas, numa celebração de pescadores e bombeiros. E bandas filarmónicas, na praça principal, noite dentro. Partilha, criatividade e o espírito de uma noite de Verão, desfolhando memórias, ao som de um tema dos Xutos e Pontapés, executado pelos jovens músicos.
Retribuo, com gratidão e alegria, através destas imagens, a satisfação que me proporcionaram.
Afinal de contas, o melhor património ainda são as pessoas!
Sem elas, as paisagens podiam ser deliciosas, porém, o vazio das vozes ausentes tornar-se-ia insuportável...
Luís Filipe Maçarico (texto e fotos)

quinta-feira, agosto 21, 2008

NÉLSON ÉVORA: A POESIA DO TRIPLO SALTO

No final de Agosto de 2007, vimo-lo dar a volta de consagração à pista, em Osaka, com a bandeira portuguesa envolvendo o seu corpo e sentimo-lo emocionado, já no pódium dos Mundiais de Atletismo, enquanto soava o hino nacional.

Rui Costa, em nome do clube que o atleta representa, declarou que “É um estímulo para o país inteiro, é um campeão do Mundo e é um grande exemplo (…) Hoje é nosso herói nacional.”

Nascido em 20 de Abril de 1984, na Costa do Marfim, Nélson Évora, cujos pais são cabo-verdianos, vive em Portugal desde os seis anos de idade, sendo cidadão nacional, porque conforme afirmou numa entrevista, tudo o que conseguiu no Atletismo, foi aqui que adquiriu e é aqui que tem as suas raízes.

Segundo Ana Oliveira, antiga recordista nacional da modalidade, que conheceu Nélson Évora no primeiro clube onde se formou e competiu - o Odivelas - ele “tinha um talento que se foi desenvolvendo naturalmente, com muito trabalho e com o apoio técnico de João Ganço.”

Nélson Évora representou aquele clube até 1995, passando em 1996 para o Sport Lisboa e Benfica, onde se manteve até 2001, regressando em 2004, após uma curta incursão no Futebol Clube do Porto.

O jovem atleta de 23 anos, construiu a sua carreira com “muita segurança técnica e psicológica”, na opinião de Fonseca e Costa, dedicando-se intensamente aos objectivos traçados, tendo conseguido ser campeão europeu de juniores, em 2003, atingindo agora o recorde nacional de triplo salto, com a marca de 17, 74, que lhe valeu a medalha de ouro no Campeonato do Mundo.

Nelson Évora, com o resultado obtido em Osaka, passou a ombrear, com outras medalhas de ouro que o desporto nacional conquistou em Campeonatos do Mundo, nomeadamente Rosa Mota em 1987, Manuela Machado e Fernanda Ribeiro em 1995 e Carla Sacramento, em 1997.

Nos Jogos Olímpicos de Pequim, no dia 21 de Agosto de 2008, Nélson conquistou a medalha de ouro no triplo salto e tem uma vida pela frente. Parabéns ao atleta exemplar e ao homem sensato, que entre outras coisas disse: "Vou procurar ser melhor, mais rápido, mais forte" e "Adoro esta dinâmica, esta poesia do triplo salto."

Texto: LFM Imagem: Youtube

quarta-feira, agosto 20, 2008

Atletas Olímpicos: Nem Oito nem Oitenta








Subscrevo o que Nuno Pacheco escreve hoje no Editorial do "Público":
"Em Portugal, um país que preza o futebol com afinco e as restantes modalidades quando para isso é empurrado, falhanços deste tipo tornam-se clamorosos.
Apegamo-nos demasiado ao lado verde da bandeira, à esperança, mas quando as coisas correm mal guinamos facilmente para o encarnado e exigimos sangue. (...) Mas é preciso perguntar se em Portugal nos empenhamos em formar atletas olímpicos ou simplesmente atletas que até podem ir aos jogos olímpicos."

No mesmo periódico, o professor do ensino superior Santana Castilho comenta:
E claro está que as lamentáveis justificações dos nossos representantes olímpicos merecem reflexão. Um desiste porque a égua entrou em histeria, por não estar habituada aos écrãs de vídeo; outro queria o lançamento do peso, julgo, à tarde, porque, de manhã, "ele só é bom na caminha"; uma senhora borrifa-se para a segunda prova em que devia participar, depois de ser eliminada na primeira, porque as africanas são melhores; outra descobre em Pequim que, afinal, "não é muito dada a este tipo de competições", enquanto um colega bloqueia quando vê o estádio cheio.
(...) Um país que cultiva na escola e na polis a falta de rigor e de exigência, tem autoridade para sancionar quem o envergonha no estádio olímpico?"

Concordo com esta opinião. Porém, espanta-me que ninguém fale na pressão da comunicação social sobre os atletas olímpicos, nomeadamente no estilo execrável dos jornalistas desportivos da Antena 1, que a meu ver têm noticiado cada prova final em que participa um atleta português num estilo deplorável, utilizando termos que não me parecem adequados quer para os visados, quer para o público, que nestes momentos podia ser cativado para outras modalidades que não o eterno futebol. Eles gritam mimos deste jaez: "Deixou fugir a medalha", "Não conseguiu mais que um 7º lugar", etc. em vez de valorizar algumas honrosas participações, o que certamente contribuiu para pessoas como Francis Obikwelu e Gustavo Lima porem termo em carreiras que não estavam esgotadas. Caramba, nem oito nem oitenta

Ficam então duas perguntas: quanto ganha um jogador de futebol e um atleta olímpico?Porque razão a comunicação social não tem o mesmo tipo de atitude, quando os Figos, os Ronaldos, os Ricardos e quejandos falham?
Recolha de fotos (na Net), textos ("Público") e nota final de LFM

segunda-feira, agosto 18, 2008

TITINA: CRUEL DESTINO


Conheço Titina desde 1989, há dezanove anos portanto.

Eu tinha acabado de chegar de uma viagem muito desejada, a Cabo Verde, pois trabalhara com um rapaz caboverdiano, na varredura das ruas da cidade, muitas madrugadas, manhãs e tardes ouvindo-o contar coisas espantosas da sua terra, desse arquipélago mágico, com gente luminosa, cheia de ritmo e sentimento.

Lera"Hora di Bai" de Manuel Ferreira, "Os Flagelados do Vento Leste" de Manuel Lopes, ouvi "Os Tubarões" em disco e na Festa do Avante. Escutara desde muito novo "A Voz de Cabo Verde", na antiga Emissora Nacional, arrepiava-me com algumas mornas, frequentara a discoteca Bana e sentira desde sempre uma atracção pela morna, depois pela catchupa, até que Titina me descobriu na Associação Caboverdiana, com uma mãocheia de versos sobre a sua ilha de Soncente.

Antes da canção, que naquele dia, à hora do almoço, me ofereceu na Associação, Titina anunciou que ia dedicá-la ao amigo, que acabara de conhecer, pelos poemas que lera.

Li esses versos, anos mais tarde, num belo tributo que lhe foi prestado no Teatro Maria Matos, por Tito Paris, Paulo de Carvalho, Fernando Girão e outros.

Titina, a voz mais bonita de Cabo Verde, chegou a Lisboa adolescente, com um Grupo Musical, que actuou em Portugal, apaixonou-se, casou, teve dois filhos, porém a música nunca deixou de respirar no caminho trilhado, em terra longe. Gravou alguns discos, a rádio e a televisão falaram dela, embora não tanto quanto merecia, fez teatro, telenovela, cantou em vários recintos, muitas vezes no estrangeiro, e foi sobrevivendo para ressurgir com um vigor extraordinário.

Titina é uma força da Natureza, uma sonoridade cristalina de nascente, andorinha migradeira, que embala a eterna beleza das ilhas, cantando, com um sentir genuíno, que transparece na forma como interpreta, magistralmente, a alma dos caboverdianos espalhados pelo mundo e no seu torrão natal.

De uma versatilidade notável, a cantora que os deuses bafejaram com cordas vocais inigualáveis, é sempre grande, interpretando coladera ou morna. Uma vez no S. Luís vi o público da plateia saltar da cadeira, para dançar, tal era a energia que irradiava, e percebi que aquele momento era único, impossível de ser vivido noutros contextos. Titina é fogo, é subtileza, é graciosidade, é o ritmo africano nas veias e no corpo ondulante, que convida à alegria, à festa, à partilha.

Há alguns meses, Titina lançou novo disco, "Cruel Destino", com excelente execução musical e o inconfundível desempenho, de quem não perdeu as raízes e traz a essência em cada pegada.

Pelos autores que canta, pelas palavras que derrama, vale a pena acompanharmos Titina, numa toada de morna enluarada até Mindelo, ficando em êxtase, embalados pelo mar e pelo timbre melodioso dessa senhora que canta o Amor e a Paz.

Apreciem a arte de Titina clicando em:






Há ainda uma entrevista muito interessante, que vale a pena seguir nestes dois links:



Texto e pesquisa de Luís Filipe Maçarico