"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, julho 14, 2008

Eduardo e Carolina Ramos dia 17 às 22h no Museu Nacional de Arqueologia




Na próxima quinta-feira, dia 17, pelas dez horas da noite, o cantor Eduardo Ramos, o Ensemble Moçárabe e a bailarina Carolina Ramos serão os animadores de uma noite especial no Museu Nacional de Arqueologia, nos Jerónimos.

Reproduzo excertos do artigo que escrevi sobre o cantor, em Janeiro:

"Quando me começo a dedicar à música árabe, foi como reencontrar uma coisa que andava à procura. Quando fiquei imbuído desses sons, dessa cultura musical, senti que era o que andava à procura há anos e anos, e do qual não quero mais sair. Ao nível profissional tem sido muito bom, porque tenho evoluído musicalmente, e ao nível de concertos, por causa de festivais/feiras medievais, árabes e islâmcas, há uma abertura à medievalidade e arabidade. Como sou dos poucos que faz este género de música sempre vou sobrevivendo.”
Eduardo Ramos compõe “de cabeça e fixo tudo. Não sei uma nota de música.” Quando as melodias surgem "É um mistério. Às vezes estou na cama, ligo o gravador, toco o alaúde e aprendo o que tinha gravado no dia anterior. São coisas repentinas, que não sei de onde vem, parece que são deuses, musas, que nos sopram a inspiração. A improvisação faz muito parte da minha música. Isso é capaz de vir da minha passagem do jazz-rock.” Tem três alaúdes, todos tunisinos e está à espera do quarto. Mas utiliza também a flauta indiana, a zucra (que é uma gaita da Tunísia, feita em cana que tem um corno), gambry de Marrocos, berimbau, quissange (de África, que aprendeu em Angola) e viola.
Com espectadores fiéis que o acompanham pelo país (“Em todos os espectáculos senti que o público sempre teve uma grande comunhão”), Eduardo Ramos é um músico de referência pelo excelente desempenho, de grande originalidade e qualidade. “As poucas pessoas que têm tido conhecimento, têm elogiado o meu trabalho, mas como é fora do circuito comercial e só uma minoria liga à cultura, é conhecido de um pequenino público que se interessa pelas minhas coisas.”
O alaúde nas suas mãos é fonte de poesia, asa feliz de pássaro livre. Pergunte urgentemente pelos discos dele, pois nem sabe o que anda a perder...

Certamente que iremos ter uma noite encantadora, de Verão e magia, das 1001 Noites, no espaço belíssimo que o Museu Nacional de Arqueologia ocupa. Não falte e traga mais amigos!

Luís Filipe Maçarico (Texto e fotos)

domingo, julho 13, 2008

Rosa Dias e o seu Olhar Poético










Conforme noticiámos, Rosa Dias apresentou na Feira do Livro de Campo Maior o seu primeiro CD, integralmente preenchido com 13 poemas de sua autoria, ditos com a boa dicção que a caracteriza.
Muito público assistiu à apresentação do disco, intitulado "Olhar Poético", a cargo da Vereadora da Cultura do Município local e do poeta-antropólogo Luís Filipe Maçarico.
No final da sessão, Rosa Dias autografou dezenas de exemplares.
Com o belo pretexto do lançamento do CD, Rosa reuniu vários amigos, vindos do Alentejo, Beira Baixa, Lisboa, Almada e organizou um magnífico e inesquecível convívio, que se prolongou até à tarde de hoje.
Parabéns, amiga e Bem Hajas pela hospitalidade e pelo carinho! Viemos para casa em estado de graça! Foi mesmo muito bom!
Palavras e fotos:Luís Filipe Maçarico

quarta-feira, julho 09, 2008

Rosa Dias apresenta CD de poesia na Feira do Livro de Campo Maior


No próximo sábado pelas 21 horas, na Feira do Livro de Campo Maior, a poetisa Rosa Dias apresenta o seu primeiro CD com poemas de sua autoria ditos pela própria autora.
Eis um bom pretexto para visitar aquela vila da Raia e dar um abraço à Rosa.
Parabéns, amiga, por esta iniciativa! Lá estaremos!
Transcrevo agora o poema que é dito no sítio onde o disco é promovido:

A minha Vila
A minha Vila, para mim, é doce
recordação
Em toda a minha poesia, me
serviu de inspiração
Campo Maior raiana, nos meus
versos, tens lugar
Deus fez de mim poetisa, só
para te poder cantar
Nesta Vila altiva e nobre, onde
em tempos eu cresci
Conhecendo o que conheço,
outra igual, não vi.
Dentro da alma do povo, faz a
saudade viver
Obriga-nos a voltar,
não deixa a gente esquecer
E como filha querida, a uma
mãe muito amada
Eu faço a minha poesia, à
minha Vila encantada.
Rosa Guerreiro Dias, 1983
Oiçam-na aqui:

segunda-feira, julho 07, 2008

Olá, Viajante!


Nos confins do Alentejo, o jovem geólogo beirão pesquisa ouro...
Não, não é nenhuma estória para contar ao serão, à volta da tenda de campismo, ouvindo o mar.
Ele existe mesmo, tem rosto e uma personalidade forte. Cidadão atento, interessa-se pela Humanidade a que pertence, mesmo que por vezes se surpreenda com o mundo insólito que habitamos. Gosta de conhecer e viajar. Como toda a gente que tem uma vida por viver embala sonhos, relatos, impressões de leitura e contemplação. Sabe bem escutá-lo. A voz é calma, no meio da turbulência quotidiana, e o olhar é luminoso, pois estamos diante de alguém que passa pela Terra com a envolvência dos artistas. Pelo que sei, gosta de música e poesia.
Adivinho-lhe uma vontade de viver intensa. Gosto de conhecer pessoas assim, quase raras no meio de tanta máscara, tanto postiço, tanta mentira.
Encontrei-o numa viagem de expresso, a caminho de Odeceixe, há poucas semanas. Sentou-se no banco ao lado, com o cansaço inerente a quem vem de longe e vai para longe com sonos mal dormidos.
Era segunda feira e na véspera eu tinha tentado rumar com duas amigas, mãe e filha, no carro delas, para o sul. Só que o carro avariou na auto-estrada, antes da saída para a Moita e o Barreiro e passada uma hora e meia de ter metido as malas no porta bagagens, voltei para casa com elas no táxi que o seguro do carro proporcionou.
Ao vê-lo, lembrei-me de Gael Garcia Bernal, o grande intérprete de "Diários de Motocicleta". Não só pelo enredo do filme, mas pela semelhança dos rostos.
Falámos de antropologia, povos da Austrália com tradições e rituais diversos, do Fundão onde estudou, da sua terra natal, da sua "errância" em busca do El Dorado...
Ficou no Cercal, após uma conversa fabulosa, nascida nos solavancos da estrada, perto de Santiago do Cacém. E ao despedir-se revelou: ainda não disse o meu nome mas chamo-me Gabriel.
Se acreditasse em anjos teria pensado que a viagem e as férias decorreriam sem mais sobressaltos e de facto assim foi.
Estou à espera dele para bebermos um café e falarmos desse ouro fantástico, que as suas palavras insinuam, misteriosamente. Prometi-lhe poemas, que aguardam o momento.
Por onde andarás, amigo?
Fotos recolhidas na Net; texto:LFM

domingo, julho 06, 2008

Continua a haver Revista nos Combatentes








No Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", cuja sede é na Rua do Possolo, 7-9, continua com êxito a carreira da terceira revista da nova geração dirigida por Flávio Gil e com um elenco talentoso.
Aos sábados, pelas 22 horas, e até ao fim do mês, quando o pano sobe, começa uma noitada de gargalhadas e bom trabalho deste grupo de gente azougada que ama o teatro e faz sacrifícios para poder estar em cima do palco a divertir o público.
Veja teatro e ajude a colectividade a prosseguir com esta autêntica escola da arte de Molière...
Texto e fotos:LFM

sexta-feira, julho 04, 2008

A Coisa Aqui Está Preta


Hoje ao almoço, discutia-se que novos impostos vão estes senhores que nos governam impôr a quem vive do seu trabalho. E quem são aqueles que podem beneficiar de idas ao estrangeiro para intervenções cirúrgicas? Quem tem dinheiro para pagar estadias, alimento, acompanhamento médico fora de portas? Quanto valem as reformas da maior parte dos portugueses idosos? E porque hei-de eu pagar por aqueles que não pagam casas, jipes, contas disto e daquilo?
Há um ano uma colega almoçava em restaurantes, onde podia pagar uma média de 11€. Para conseguir liquidar a prestação da casa, começou a ir ao refeitório onde paga metade. Este exemplo mostra bem como estamos emboscados. E por favor, não me venham dizer que é tudo por causa do petróleo. Dantes era o gonçalvismo, agora são os combustíveis...
Ouviram Sócrates dizer que (quando o petróleo subira já para 100 dólares) não imaginava que estivesse agora quase nos 150 dólares? Pergunto então porque não tomou medidas, nomeadamente na previsão orçamental?
Na Assembleia reflecte-se e define-se quando é que a pobreza atinge limites imcompatíveis com os direitos humanos. Um jornal dito de economia diz que somos livres de ser pobres ou ricos e que ser pobre é uma escolha e por isso o Estado não tem de ajudar quem escolheu mal. Como é possível alguém pensar assim nos dias de hoje?
Será que o pântano já nos engoliu e somos zombies e não sabemos?
Tantas perguntas para nenhuma solução, a não ser empobrecer.
No dia a dia, desorientação, desmotivação, stress, e é assim por todo o lado.
Ao regressar a casa, encontrei na estação do Cais do Sodré um ex-dirigente de uma Casa Regional sediada em Lisboa, que augurou o aumento do mal estar a seguir às férias, anunciando-me que vai fazer as contas da sua pequena empresa e talvez fechar.
Os sinais são imensos. E como se nada se passasse, casos como o das Águas de Portugal, em que ao invés da contenção, se esbanjaram balúrdios em viaturas luxuosas.
Vejo um ministro na TV a dizer que isto é como as células do corpo, umas envelhecem, outras rejuvenescem.
A coisa aqui está preta!
Texto e imagem:LFM

quarta-feira, julho 02, 2008

SOPROS DE SER




Releio o livro-catálogo, publicado aquando da exposição dos derradeiros quadros de Artur Bual, intitulada "Sopros de Ser", realizada entre 4 de Setembro e 17 de Outubro de 1999 e detenho-me num excerto do texto de José Luís Ferreira (página 18):
"Não marcou (com a sua assinatura datada) as obras desse cântico timbrado pela voz magnífica e possante da sua Arte, que permanece viva nesta excepcional colectânea."
Em nota de rodapé José Luís Ferreira explicita:
"A autenticidade das obras expostas é, além de periciada, insusceptível de dúvidas autoriais."
E lá estão nesse livro, reproduzidas, entre as páginas 33 e 77 as obras por assinar...
Está publicado. Vim só aqui lembrar, caso haja dúvidas...
A propósito: Em Aljezur está uma exposição biográfica no edifício da Câmara e na Galeria de Arte local, apresenta-se uma retrospectiva da obra com dezenas de telas e desenhos que recomendo, porque não existe ainda um espaço permanente onde esta obra seja fruída por quem gosta de Bual e da sua pintura.
Parabéns às Câmaras da Amadora e Aljezur, à Família e à Associação Círculo Cultural Artur Bual, pela junção de esforços que proporcionou esta fantástica mostra no Algarve, que emociona aqueles que conviveram com o ser humano sensível e criativo, inesquecível.
LFM