"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, julho 09, 2008

Rosa Dias apresenta CD de poesia na Feira do Livro de Campo Maior


No próximo sábado pelas 21 horas, na Feira do Livro de Campo Maior, a poetisa Rosa Dias apresenta o seu primeiro CD com poemas de sua autoria ditos pela própria autora.
Eis um bom pretexto para visitar aquela vila da Raia e dar um abraço à Rosa.
Parabéns, amiga, por esta iniciativa! Lá estaremos!
Transcrevo agora o poema que é dito no sítio onde o disco é promovido:

A minha Vila
A minha Vila, para mim, é doce
recordação
Em toda a minha poesia, me
serviu de inspiração
Campo Maior raiana, nos meus
versos, tens lugar
Deus fez de mim poetisa, só
para te poder cantar
Nesta Vila altiva e nobre, onde
em tempos eu cresci
Conhecendo o que conheço,
outra igual, não vi.
Dentro da alma do povo, faz a
saudade viver
Obriga-nos a voltar,
não deixa a gente esquecer
E como filha querida, a uma
mãe muito amada
Eu faço a minha poesia, à
minha Vila encantada.
Rosa Guerreiro Dias, 1983
Oiçam-na aqui:

segunda-feira, julho 07, 2008

Olá, Viajante!


Nos confins do Alentejo, o jovem geólogo beirão pesquisa ouro...
Não, não é nenhuma estória para contar ao serão, à volta da tenda de campismo, ouvindo o mar.
Ele existe mesmo, tem rosto e uma personalidade forte. Cidadão atento, interessa-se pela Humanidade a que pertence, mesmo que por vezes se surpreenda com o mundo insólito que habitamos. Gosta de conhecer e viajar. Como toda a gente que tem uma vida por viver embala sonhos, relatos, impressões de leitura e contemplação. Sabe bem escutá-lo. A voz é calma, no meio da turbulência quotidiana, e o olhar é luminoso, pois estamos diante de alguém que passa pela Terra com a envolvência dos artistas. Pelo que sei, gosta de música e poesia.
Adivinho-lhe uma vontade de viver intensa. Gosto de conhecer pessoas assim, quase raras no meio de tanta máscara, tanto postiço, tanta mentira.
Encontrei-o numa viagem de expresso, a caminho de Odeceixe, há poucas semanas. Sentou-se no banco ao lado, com o cansaço inerente a quem vem de longe e vai para longe com sonos mal dormidos.
Era segunda feira e na véspera eu tinha tentado rumar com duas amigas, mãe e filha, no carro delas, para o sul. Só que o carro avariou na auto-estrada, antes da saída para a Moita e o Barreiro e passada uma hora e meia de ter metido as malas no porta bagagens, voltei para casa com elas no táxi que o seguro do carro proporcionou.
Ao vê-lo, lembrei-me de Gael Garcia Bernal, o grande intérprete de "Diários de Motocicleta". Não só pelo enredo do filme, mas pela semelhança dos rostos.
Falámos de antropologia, povos da Austrália com tradições e rituais diversos, do Fundão onde estudou, da sua terra natal, da sua "errância" em busca do El Dorado...
Ficou no Cercal, após uma conversa fabulosa, nascida nos solavancos da estrada, perto de Santiago do Cacém. E ao despedir-se revelou: ainda não disse o meu nome mas chamo-me Gabriel.
Se acreditasse em anjos teria pensado que a viagem e as férias decorreriam sem mais sobressaltos e de facto assim foi.
Estou à espera dele para bebermos um café e falarmos desse ouro fantástico, que as suas palavras insinuam, misteriosamente. Prometi-lhe poemas, que aguardam o momento.
Por onde andarás, amigo?
Fotos recolhidas na Net; texto:LFM

domingo, julho 06, 2008

Continua a haver Revista nos Combatentes








No Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", cuja sede é na Rua do Possolo, 7-9, continua com êxito a carreira da terceira revista da nova geração dirigida por Flávio Gil e com um elenco talentoso.
Aos sábados, pelas 22 horas, e até ao fim do mês, quando o pano sobe, começa uma noitada de gargalhadas e bom trabalho deste grupo de gente azougada que ama o teatro e faz sacrifícios para poder estar em cima do palco a divertir o público.
Veja teatro e ajude a colectividade a prosseguir com esta autêntica escola da arte de Molière...
Texto e fotos:LFM

sexta-feira, julho 04, 2008

A Coisa Aqui Está Preta


Hoje ao almoço, discutia-se que novos impostos vão estes senhores que nos governam impôr a quem vive do seu trabalho. E quem são aqueles que podem beneficiar de idas ao estrangeiro para intervenções cirúrgicas? Quem tem dinheiro para pagar estadias, alimento, acompanhamento médico fora de portas? Quanto valem as reformas da maior parte dos portugueses idosos? E porque hei-de eu pagar por aqueles que não pagam casas, jipes, contas disto e daquilo?
Há um ano uma colega almoçava em restaurantes, onde podia pagar uma média de 11€. Para conseguir liquidar a prestação da casa, começou a ir ao refeitório onde paga metade. Este exemplo mostra bem como estamos emboscados. E por favor, não me venham dizer que é tudo por causa do petróleo. Dantes era o gonçalvismo, agora são os combustíveis...
Ouviram Sócrates dizer que (quando o petróleo subira já para 100 dólares) não imaginava que estivesse agora quase nos 150 dólares? Pergunto então porque não tomou medidas, nomeadamente na previsão orçamental?
Na Assembleia reflecte-se e define-se quando é que a pobreza atinge limites imcompatíveis com os direitos humanos. Um jornal dito de economia diz que somos livres de ser pobres ou ricos e que ser pobre é uma escolha e por isso o Estado não tem de ajudar quem escolheu mal. Como é possível alguém pensar assim nos dias de hoje?
Será que o pântano já nos engoliu e somos zombies e não sabemos?
Tantas perguntas para nenhuma solução, a não ser empobrecer.
No dia a dia, desorientação, desmotivação, stress, e é assim por todo o lado.
Ao regressar a casa, encontrei na estação do Cais do Sodré um ex-dirigente de uma Casa Regional sediada em Lisboa, que augurou o aumento do mal estar a seguir às férias, anunciando-me que vai fazer as contas da sua pequena empresa e talvez fechar.
Os sinais são imensos. E como se nada se passasse, casos como o das Águas de Portugal, em que ao invés da contenção, se esbanjaram balúrdios em viaturas luxuosas.
Vejo um ministro na TV a dizer que isto é como as células do corpo, umas envelhecem, outras rejuvenescem.
A coisa aqui está preta!
Texto e imagem:LFM

quarta-feira, julho 02, 2008

SOPROS DE SER




Releio o livro-catálogo, publicado aquando da exposição dos derradeiros quadros de Artur Bual, intitulada "Sopros de Ser", realizada entre 4 de Setembro e 17 de Outubro de 1999 e detenho-me num excerto do texto de José Luís Ferreira (página 18):
"Não marcou (com a sua assinatura datada) as obras desse cântico timbrado pela voz magnífica e possante da sua Arte, que permanece viva nesta excepcional colectânea."
Em nota de rodapé José Luís Ferreira explicita:
"A autenticidade das obras expostas é, além de periciada, insusceptível de dúvidas autoriais."
E lá estão nesse livro, reproduzidas, entre as páginas 33 e 77 as obras por assinar...
Está publicado. Vim só aqui lembrar, caso haja dúvidas...
A propósito: Em Aljezur está uma exposição biográfica no edifício da Câmara e na Galeria de Arte local, apresenta-se uma retrospectiva da obra com dezenas de telas e desenhos que recomendo, porque não existe ainda um espaço permanente onde esta obra seja fruída por quem gosta de Bual e da sua pintura.
Parabéns às Câmaras da Amadora e Aljezur, à Família e à Associação Círculo Cultural Artur Bual, pela junção de esforços que proporcionou esta fantástica mostra no Algarve, que emociona aqueles que conviveram com o ser humano sensível e criativo, inesquecível.
LFM

segunda-feira, junho 30, 2008

Uma Semana em Odeceixe








Odeceixe voltou a ser o meu paraíso. É uma terra bonita, com gente muito simpática, praias de sonho, lugares para visitar que ficam na memória, dentro do concelho onde se integra (Aljezur).

Revisitei a Arrifana onde não ia há vários anos, foi bom rever a Cristina, comer no Oceano umas febras excelentes, contemplar uma paisagem ímpar, descobrir a ponta da Atalaia e olhar para os vestígios do Ribat investigado por Mário e Rosa Varela Gomes.
Foi excelente encher de colorido a alma, com a fantástica obra da população, que uma vez mais fez mastros, flores de papel maravilhosas, quadras, marchas e desfrutar a alegria das pessoas no ar morno dos fins de tarde da vila, saboreando abrunhos e ameixas silvestres, escutando melros felizes como eu.
Boas férias para quem ainda não teve!
Fotos e palavras de LFM

domingo, junho 22, 2008

Marcas do Barroco em Alpedrinha




Há coisas extraordinárias!
Andava eu à procura - na Internet - de imagens do maneirismo e do barroco na arquitectura, quando me surgiu esta pérola que apresenta a igreja matriz de Alpedrinha como sendo a matriz...do Fundão!
http://www.lifecooler.com/portugal/patrimonio/IgrejaMatrizdoFundao
Será que ninguém reparou nesta enormidade, neste erro crasso?
Adiante!
Fotografei há umas semanas atrás algumas formas curiosas que aparecem na arquitectura de Alpedrinha e que partilho hoje.
Parecem-me Volutas (sirvo-me do "Vocabulário técnico e crítico de Arquitectura", Quimera, 3ª edição, 2002, p.280) aquelas formas que surgem no escadório da matriz e nas escadas de acesso ao chafariz monumental de D. João V.
Marcas do Barroco na paisagem urbana de Alpedrinha, estão lá há séculos e a par das janelas manuelinas, dos palácios, do pelourinho, das fontes, dos templos, são testemunhos da passagem de gerações através dos séculos...
Estes patrimónios imperceptíveis, com a sua riqueza de pormenores merecem um olhar mais atento. Não concordam?
LFM (texto e fotos)