"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sexta-feira, julho 04, 2008

A Coisa Aqui Está Preta


Hoje ao almoço, discutia-se que novos impostos vão estes senhores que nos governam impôr a quem vive do seu trabalho. E quem são aqueles que podem beneficiar de idas ao estrangeiro para intervenções cirúrgicas? Quem tem dinheiro para pagar estadias, alimento, acompanhamento médico fora de portas? Quanto valem as reformas da maior parte dos portugueses idosos? E porque hei-de eu pagar por aqueles que não pagam casas, jipes, contas disto e daquilo?
Há um ano uma colega almoçava em restaurantes, onde podia pagar uma média de 11€. Para conseguir liquidar a prestação da casa, começou a ir ao refeitório onde paga metade. Este exemplo mostra bem como estamos emboscados. E por favor, não me venham dizer que é tudo por causa do petróleo. Dantes era o gonçalvismo, agora são os combustíveis...
Ouviram Sócrates dizer que (quando o petróleo subira já para 100 dólares) não imaginava que estivesse agora quase nos 150 dólares? Pergunto então porque não tomou medidas, nomeadamente na previsão orçamental?
Na Assembleia reflecte-se e define-se quando é que a pobreza atinge limites imcompatíveis com os direitos humanos. Um jornal dito de economia diz que somos livres de ser pobres ou ricos e que ser pobre é uma escolha e por isso o Estado não tem de ajudar quem escolheu mal. Como é possível alguém pensar assim nos dias de hoje?
Será que o pântano já nos engoliu e somos zombies e não sabemos?
Tantas perguntas para nenhuma solução, a não ser empobrecer.
No dia a dia, desorientação, desmotivação, stress, e é assim por todo o lado.
Ao regressar a casa, encontrei na estação do Cais do Sodré um ex-dirigente de uma Casa Regional sediada em Lisboa, que augurou o aumento do mal estar a seguir às férias, anunciando-me que vai fazer as contas da sua pequena empresa e talvez fechar.
Os sinais são imensos. E como se nada se passasse, casos como o das Águas de Portugal, em que ao invés da contenção, se esbanjaram balúrdios em viaturas luxuosas.
Vejo um ministro na TV a dizer que isto é como as células do corpo, umas envelhecem, outras rejuvenescem.
A coisa aqui está preta!
Texto e imagem:LFM

quarta-feira, julho 02, 2008

SOPROS DE SER




Releio o livro-catálogo, publicado aquando da exposição dos derradeiros quadros de Artur Bual, intitulada "Sopros de Ser", realizada entre 4 de Setembro e 17 de Outubro de 1999 e detenho-me num excerto do texto de José Luís Ferreira (página 18):
"Não marcou (com a sua assinatura datada) as obras desse cântico timbrado pela voz magnífica e possante da sua Arte, que permanece viva nesta excepcional colectânea."
Em nota de rodapé José Luís Ferreira explicita:
"A autenticidade das obras expostas é, além de periciada, insusceptível de dúvidas autoriais."
E lá estão nesse livro, reproduzidas, entre as páginas 33 e 77 as obras por assinar...
Está publicado. Vim só aqui lembrar, caso haja dúvidas...
A propósito: Em Aljezur está uma exposição biográfica no edifício da Câmara e na Galeria de Arte local, apresenta-se uma retrospectiva da obra com dezenas de telas e desenhos que recomendo, porque não existe ainda um espaço permanente onde esta obra seja fruída por quem gosta de Bual e da sua pintura.
Parabéns às Câmaras da Amadora e Aljezur, à Família e à Associação Círculo Cultural Artur Bual, pela junção de esforços que proporcionou esta fantástica mostra no Algarve, que emociona aqueles que conviveram com o ser humano sensível e criativo, inesquecível.
LFM

segunda-feira, junho 30, 2008

Uma Semana em Odeceixe








Odeceixe voltou a ser o meu paraíso. É uma terra bonita, com gente muito simpática, praias de sonho, lugares para visitar que ficam na memória, dentro do concelho onde se integra (Aljezur).

Revisitei a Arrifana onde não ia há vários anos, foi bom rever a Cristina, comer no Oceano umas febras excelentes, contemplar uma paisagem ímpar, descobrir a ponta da Atalaia e olhar para os vestígios do Ribat investigado por Mário e Rosa Varela Gomes.
Foi excelente encher de colorido a alma, com a fantástica obra da população, que uma vez mais fez mastros, flores de papel maravilhosas, quadras, marchas e desfrutar a alegria das pessoas no ar morno dos fins de tarde da vila, saboreando abrunhos e ameixas silvestres, escutando melros felizes como eu.
Boas férias para quem ainda não teve!
Fotos e palavras de LFM

domingo, junho 22, 2008

Marcas do Barroco em Alpedrinha




Há coisas extraordinárias!
Andava eu à procura - na Internet - de imagens do maneirismo e do barroco na arquitectura, quando me surgiu esta pérola que apresenta a igreja matriz de Alpedrinha como sendo a matriz...do Fundão!
http://www.lifecooler.com/portugal/patrimonio/IgrejaMatrizdoFundao
Será que ninguém reparou nesta enormidade, neste erro crasso?
Adiante!
Fotografei há umas semanas atrás algumas formas curiosas que aparecem na arquitectura de Alpedrinha e que partilho hoje.
Parecem-me Volutas (sirvo-me do "Vocabulário técnico e crítico de Arquitectura", Quimera, 3ª edição, 2002, p.280) aquelas formas que surgem no escadório da matriz e nas escadas de acesso ao chafariz monumental de D. João V.
Marcas do Barroco na paisagem urbana de Alpedrinha, estão lá há séculos e a par das janelas manuelinas, dos palácios, do pelourinho, das fontes, dos templos, são testemunhos da passagem de gerações através dos séculos...
Estes patrimónios imperceptíveis, com a sua riqueza de pormenores merecem um olhar mais atento. Não concordam?
LFM (texto e fotos)

quinta-feira, junho 19, 2008

Portugal Olé


Hoje no meu serviço apostei que a Alemanha vencia a selecção portuguesa (2-1).
A equipa escolhida por Scolari, galifão de voz enfadonha, confesso admirador de Pinochet, que agora vai mamar para outro lado, pautou-se por uma atitude de vedetismo, abrindo as casas para mostrar o vazio mental em que vivem e jogando com erros antigos, que nenhuma Virgem de Caravagio salva, com equipas mexerucas a quem ganharam, perdendo com uma equipa fraca.
Não houve qualquer preocupação com a miudagem, que vê neles ídolos a imitar, quando foram entrevistados por um repórter do mesmo nível. Apenas o vazio, o vazio, o vazio...mais alguns risos imbecis.
E porque têm o deles garantido (sugado dos nossos impostos), se perderem, haverá sempre um bode expiatório: os árbitros, a partida do treinador para outra vacaria e tantas outras justificações de pacotilha.
Nunca ganharei numa vida o que aqueles senhores arrecadam por mês. Por isso estou-me nas tintas. Se perderem é para o lado que durmo melhor. A mim interessa-me dignidade no emprego, saúde garantida, salário capaz de vencer os obstáculos do quotidiano, justiça e educação adequadas, governo democrático que oiça os cidadãos, que entenda os sinais de mal estar.
A crise que atravessamos deixou-me menos só no bairro onde moro desde menino. Em 2004 foi o histerismo nacionalista nas janelas. Agora, a minha rua encontra-se livre dessa contaminação. Não há uma única bandeira na minha rua.
A classe média e os pobres com lucidez que não se deixaram alienar com futebóis, têm encontrado motivos de sobejo, para desejar não serem portugueses ao longo dos últimos meses.
E uma parte dessas pessoas, já não se deixa embalar com o saltitante "Portugal Olé" dos emigrantes na Suíça ou dos moradores da Quinta do Loureiro, que transferem os êxitos indispensáveis às suas vidas, para entidades transcendentes: os mercenários da bola, as Senhoras de Fátima e arredores...
Se perderem, amanhã já começa a deixar de haver Portugal, este Portugal oportunista que se predispõe a enfeitar janelas. Amanhã, se os caniches de Scolari agonizarem aos pés dos germânicos, acordaremos com a ampliação do vazio cada vez maior das carteiras, da falta de cultura e da falta de paciência. Tudo de trombas. E Scolari tem mais dias de férias antes de levar o seu circo deprimente para Inglaterra.
É que convém não esquecer, que os Ministros do Trabalho da União Europeia aproveitaram o desenrolar deste Euro, para aprovarem a semana das 65 horas de trabalho. E que está aí o SIADAP, sigla que designa a avaliação na Função Pública, que deixou de ser feita por concurso e passa a desenrolar-se por vontade exclusiva do chefe e um código de trabalho perseguidor do de Bagão Félix, que considera a legislação actual tenebrosa, à espera de tramar o povo que lava no rio e cumpre promessas aos santinhos. Para não falar no meio milhão de desempregados e nos dois milhões de pessoas que vivem no limiar da pobreza.
Santa Eucarária nos valha, que desde o tempo dos romanos "não sabemos, nem nos deixamos governar"...

Ié Ié Ié Nos Combatentes É Que É!








Nos próximos dias 29 do corrente e 4 e 5 de Julho, a revista "Ié Ié Ié Nos Combatentes É Que É", volta a ser representada, com um elenco numeroso e jovem, que merece muito público, disposto a passar bons momentos de humor e arte.
Flávio Gil é o responsável por mais este trabalho, que surgiu da sua sensibilidade e criação, enquanto autor e encenador.
O grupo é talentoso e hilariante. Não fique em casa e vá apoiá-los até à Rua do Possolo, 7-9 (sede do Grupo Dramático e Escolar Os Combatentes).
Parabéns a estes magníficos rapazes e raparigas pela alegria e pelo desempenho!
Texto e fotos:LFM

sábado, junho 14, 2008

JUNHO NOS COMBATENTES










Nas noites de Junho e desde há muito, o Grupo Dramático e Escolar Os Combatentes continua a mostrar, como é possível as pessoas unidas fazerem uma obra incontornável, em prol do bem estar do colectivo.
Um mar de gente muito jovem anima o espaço destes arraiais, trazendo alegria e esperança, que ajudam a combater as tristezas de um quotidiano cada vez mais difícil de suportar.
Se quer passar algumas horas de boa disposição e convívio, vá até à Rua do Possolo. Está tudo bom: a música, a equipa de trabalho, as sardinhas, o vinho, a cerveja preta, os caracóis, a saladinha com pimento, as farturas.
LFM (texto e fotos)