"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, maio 07, 2008

A Poesia Sábia de Uma Alentejana de Excepção


Rosa Dias é uma poetisa inspirada, cujos versos guardam o sabor terroso da epopeia alentejana, em cada sílaba, em cada grito, em cada silêncio. Os livros que escreveu estão esgotados, apenas sendo possível saborear a sua poesia ao vivo, quer enquanto elemento integrante do Grupo de Cante das Mulheres da Alma Alentejana, quer enquanto participante em serões de poesia, nas colectividades, palco popular onde tem divulgado o seu sentimento de mulher da raia do sul.
A qualidade dos textos que escreve não se enquadra em modelos, tipo: poeta popular de raíz aleixiana...ou qualquer outra designação. É uma Alentejana de Alma Grande em Lisboa, a fazer lembrar o espírito de poetas como Lorca ("Verde que te quiero verde") ou Alberti ("que cantan los poetas andaluzes de ahora") telúrica como eles e com Machado nas pegadas:"Caminante, no hay camino..."
***
POEMA DE ROSA DIAS
Como natural é a lua
Que nasce na minha rua
Vem a poesia e me enlaça
Esta lua nasce e vai
A poesia nasce e sai
Qual paixão que esvoaça.
***
O sol mal que desponta
Deixa a terra meio tonta
De alegria e emoção
O poeta se estonteia
Com o despontar da veia
Que lhe altera o coração.
***
Quer seja Inverno ou Verão
Esta poesia é só paixão
Dum poeta sem guarida
Já a Primavera vai longe
Ganha asas, voa, foge
Fica o Outono da vida

Rosa Guerreiro Dias
(texto de apresentação: LFM)

quinta-feira, maio 01, 2008

Para o Meu Amigo Manuel


Celebrar Abril é lembrar
o bem que nos fizeste
Tu és um dos capitães
da nossa liberdade!

O futuro que sonhaste
não é risonho,
mas ninguém esquece
a beleza desses dias
soltos de alegria!

Celebrar Abril é ficar sempre
ao teu lado com o cravo da amizade
no coração, enquanto os rios continuam
a correr e as crianças nascem
e as manifestações descem e sobem
avenidas, em busca de pão e paz
para todos.

Celebrar Abril é dizer o teu nome
mais alto que o dos heróis nacionais
porque hoje tu és o meu herói
o Homem Novo, resistindo ao sal do sul
que nas lágrimas encontra o sol
para enfrentar as sombras dos inimigos de Abril.

Agora é Maio
as estevas floresceram
as espigas crescem
e o teu sorriso faz falta
para rasgar os sombrios muros
da inquietação
destes dias.

Celebrar Abril
é este abraço
do tamanho do Mundo
para falarmos da vida
que vai continuar!

Lisboa, 1 de Maio de 2008, 23h 30m

Luís Filipe Maçarico

segunda-feira, abril 28, 2008

Uma Semana em Moreanes


A viagem começou com chuva mas mal cheguei a Moreanes participei no aniversário da minha amiga Dina que reuniu à volta de uma mesa enorme, gente fraterna de todas as idades. Um dos convivas mais divertidos foi o Norberto, cujas anedotas puseram os convidados a rir desbragadamente.
Nos dias que se seguiram visitei Serpa, petisquei em Corte Pinto, assisti ao lançamento do nº 10 da Arqueologia Medieval em Beja, num hotel de Huelva deliciei-me com a confraternização dos povos fronteiriços de Granado e Santana de Cambas, da Andaluzia e do Baixo Alentejo, celebrei o 25 de Abril em Mértola, espreitei a feira do Mel, do queijo e do Pão, comi, descansei, passeei.
E até vi Juvenal Antena!
Regressei ontem, a tempo de festejar o terceiro aniversário da fundação da Aldraba e de me espantar com a bela prenda que o Luís Ferreira ofereceu à Associação do Espaço e Património Popular, da qual ele é um dos 80 fundadores.
Apeteceria cantar "Gracias à La Vida", se um dos amigos que ficou em Lisboa mais a sua família pudessem cantar. Calo-me, solidário com esta curva apertada do caminho. A Luta Continua!
Luís Filipe Maçarico (texto e fotografia)

domingo, abril 13, 2008

Confederação das Colectividades realizou Conselho Nacional em Mira






Ontem, em Mira, o jovem vereador da Câmara Municipal de Mira, Luís Grego, emocionou os veteranos do Associativismo Popular português, ao exprimir o seu apreço pelas colectividades que tão bem conhece, dizendo a certa altura que estava grato a estas associações, pois nelas enriqueceu-se enquanto cidadão.
A Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto foi recebida de forma muito fraterna pelo município gandarense, tendo os seus conselheiros visitado a Igreja da praia de Mira, situada num palheiro, o monumento ao pescador e o Museu Etnográfico, alojado numa casa palafítica da região. O almoço foi um belo momento de convívio desfrutando da gastronomia local.
A tarde decorreu de forma intensa, como é timbre desta entidade, sendo objectivo das dezenas de participantes apreciar e votar o relatório e contas do ano de 2007, que foi aprovado por unanimidade.
Regressámos todos às nossas terras (somos cerca de 7 dezenas de Norte a Sul do país) com boa memória de Mira e lembrando as palavras de Luís Grego que se despediu, recomendando: "Regressem bem a casa e tragam as vossas associações até cá, que serão sempre bem recebidos pelas nossas gentes!"
O professor Barbosa da Costa, ilustre estudioso e profundo conhecedor da questão associativa no Porto e o antropólogo Dr. Augusto Flor, dinamizaram a magna assembleia, o primeiro enquanto presidente da mesa do Congresso e o segundo como presidente da direcção.
Texto e fotos de Luís Filipe Maçarico

domingo, abril 06, 2008

Um Chá de Longe


A flor de jasmim
É agora uma pequena mancha
de células descoloridas, murchas
Mortas. Há uma gramática
de ausência nesse vulto
que repousa entre a memória
e uma cerâmica de Nabeul.

Embalando o corpo, poiso na mesa
um chá de longe enquanto
a nuvem de pombos atravessa
o domingo e o "Adagio"
de Albinoni...

Luís Filipe Maçarico, "Caligrafia do Silêncio", p.13, Lisboa, 2004 (1ª edição), 2006 (2ª edição).
Foto:LFM

sábado, abril 05, 2008

Aniversário Inesquecível




Graças à Maria Amélia (nas fotos) e ao seu inseparável companheiro Manuel Bastos, tive o privilégio de celebrar o aniversário dela de forma ímpar. Após o jantar (muito bom) na casa do Alentejo, assistimos a uma noite inesquecível da Grande Canção de Portugal: "Vozes de Abril".
A lembrança do dia 4 de Abril de 2008 ficará como um momento singular das nossas vidas.
Parabéns mais uma vez e um obrigado, com "abraço redondo" como diria Bual.
Fotos e texto: Luís Filipe Maçarico

"Vozes de Abril"




O Coliseu dos Recreios de Lisboa foi ontem palco de um espectáculo único: "Vozes de Abril", numa organização conjunta Associação 25 de Abril/RTP.
Entre outros, cantaram Vitorino, Janita Salomé, Filipa Pais, Manuel Freire, Helena Vieira e Ermelinda Duarte, Waldemar Bastos, José Barata Moura, Pedro Barroso, Luís Goes, Samuel, Francisco Fanhais, Luísa Bastos, José Jorge Letria, Carlos Alberto Moniz, Carlos Mendes, Fernando Tordo, Brigada Vítor Jara, Maria do Amparo e Lúcia Moniz, João Afonso, Jacinta, Erva de Cheiro, José Mário Branco e Patxi Andion.
As bandas da Marinha, Exército e Força Aérea interpretaram conjuntamente a Marcha do MFA e os grupos corais "Os Alentejanos" da Damaia e "Grupo da Liga dos Amigos da Mina de S. Domingos", de Sacavém, cantaram a "Grândola".
Disseram poemas Maria Barroso, José Fanha, Joaquim Pessoa e Vítor de Sousa.
Foram evocadas outras "Vozes de Abril" como os poetas António Gedeão, Jorge de Sena, José Carlos Ary dos Santos, Manuel da Fonseca, Sophia de Mello Breyner, o actor Mário Viegas, os cantores Adriano Correia de Oliveira e José Afonso e também Carlos Paredes e Fernando Lopes Graça.
O espectáculo, apresentado por Júlio Isidro e Sílvia Alberto, teve ainda as presenças de Adelino Gomes, João Paulo Guerra, Joaquim Furtado e Luís Filipe Costa.
O belo serão começou pelas 21h 30 e terminou cerca das 3h e 30.
Texto e fotos de LFM