
Rosa Dias é uma poetisa inspirada, cujos versos guardam o sabor terroso da epopeia alentejana, em cada sílaba, em cada grito, em cada silêncio. Os livros que escreveu estão esgotados, apenas sendo possível saborear a sua poesia ao vivo, quer enquanto elemento integrante do Grupo de Cante das Mulheres da Alma Alentejana, quer enquanto participante em serões de poesia, nas colectividades, palco popular onde tem divulgado o seu sentimento de mulher da raia do sul.
A qualidade dos textos que escreve não se enquadra em modelos, tipo: poeta popular de raíz aleixiana...ou qualquer outra designação. É uma Alentejana de Alma Grande em Lisboa, a fazer lembrar o espírito de poetas como Lorca ("Verde que te quiero verde") ou Alberti ("que cantan los poetas andaluzes de ahora") telúrica como eles e com Machado nas pegadas:"Caminante, no hay camino..."
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POEMA DE ROSA DIAS
Como natural é a lua
Que nasce na minha rua
Vem a poesia e me enlaça
Esta lua nasce e vai
A poesia nasce e sai
Qual paixão que esvoaça.
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O sol mal que desponta
Deixa a terra meio tonta
De alegria e emoção
O poeta se estonteia
Com o despontar da veia
Que lhe altera o coração.
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Quer seja Inverno ou Verão
Esta poesia é só paixão
Dum poeta sem guarida
Já a Primavera vai longe
Ganha asas, voa, foge
Fica o Outono da vida
Rosa Guerreiro Dias
(texto de apresentação: LFM)













