"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quinta-feira, março 20, 2008

Um Poema para a Primavera: As Águas do Degêlo, de José Filipe Rodrigues


Em 18 de Fevereiro, José Filipe Rodrigues enviou-me este poema que hoje, à beira da Primavera, continua a fazer todo o sentido, pois fala dos ciclos da vida e da renovação, sempre possível, mesmo em contra-corrente, quando à nossa volta algumas vozes dizem que não é possível contrariar a maré sombria da contra-natura. A força da verdade é muito forte e a poesia sabe disso:
Quando as águas do degêlo iniciam a caminhada,
através da floresta, na direcção do rio grande,
longe daqui, para além do azul e dos nevoeiros,
já as violetas floriram no páteo dos limoeiros
onde os cágados persistem nos ritmos da calma.
Ainda faltam muitos dias para o início da Primavera,
e de nada adianta acelerar o passo e impacientar a alma.
Depois do degêlo, tudo voltará a ser como era,
sem pressas, num ritmo natural, num crescendo do dia,
obedecendo só às leis da vida, do verde e da poesia.
JFR

sexta-feira, março 14, 2008

Dulce Gouveia: Perfil de uma Nadadora Mítica*




Na História Desportiva de Moçambique, está por escrever a página que eternize Dulce Gouveia, nadadora de excepção que representou o Grupo Desportivo Lourenço Marques, onde nadou dos 5 aos 25 anos.

Na galeria das glórias do Desporto Nacional, Portugal deve consagrar este exemplo de perseverança, dedicação e mérito, que originou um desempenho de qualidade internacional, distinguido com o Prémio de Imprensa de 1967, na categoria de melhor Atleta do Ano.
Dulce Gouveia foi chamada para a selecção nacional, tendo nadado no Brasil, Itália, Inglaterra, Espanha e em vários países de África.

Quando se fala no seu nome junto de pessoas da sua geração, é como se disséssemos uma palavra mágica, através da qual renasce a simplicidade e a simpatia da rapariga de 14 anos, que se destacou na inauguração da piscina dos Olivais, no Torneio das 6 Nações e nos Jogos Luso-Brasileiros.
Dulce Miranda Gouveia confessa: “Considero que tive três privilégios: Ter nascido e vivido em Moçambique, ter os pais que tenho e ter tido o treinador e mestre Eurico Perdigão. Estas três conjugações fizeram aquilo que eu sou hoje.”
Eurico Perdigão “foi treinador, pai, amigo, professor, psicólogo; os pais confiavam plenamente. Organizou e disciplinou.”

Em Agosto de 1967, o “Record” afirmou que Dulce Gouveia era “A melhor de sempre da Natação Feminina”: “Veio provar de forma concludente que, com trabalho e método, cumprindo um programa em profundidade, é possível elevar o nível da nossa natação feminina.” (5/8/67, p.5).
Quando foi eleita a Melhor Atleta do ano, o “Norte Desportivo” divulgou opiniões de vários jornalistas, nomeadamente de Manuel Dias, que escreveu: “A graciosa desportista fez uma verdadeira monda de “records” e vale, agora, como exemplo (…) do que se pode conseguir com treino e entusiasmo.” (24/12/67, p. 8). Na mesma edição daquele periódico, Vasco Resende aclamou-a, profetizando: “Numa modalidade em que raramente conseguimos sair do “fundo” (…) bateu uma chusma de “records” preparando-se para continuar essa interminável série que a levará até onde talvez nunca nenhum nadador lusitano chegou.”

Quarenta anos depois, Dulce Gouveia recorda: “Fazia várias modalidades, fiz sempre paralelamente basquetebol e natação.” O que lhe permitiu estar sempre em forma e disputar com êxito inúmeros torneios nacionais.
Dulce fez o curso de Educação Física em Moçambique. Noronha Feio era director da Escola e, entre os professores estavam Teotónio Lima, António Vilela, Tanagra de Medeiros e Hermínio Barreto. Professora em Moçambique, Tábua, Cascais, S. João e Monte Estoril, Parede, Malveira e Cacém, organiza há 26 anos o almoço dos ex-nadadores de Moçambique e gaba-se de ter feito “grandes amizades com rivais.”
Quando chegou a Lisboa, lembra-se de ter sido insultada, por vir de fato de treino…” Parava tudo por nos verem em fato de treino, ninguém andava assim. Trouxemos esse hábito e ficámos estupefactos de vir para a Europa e, em vez de encontrar uma mentalidade aberta, foi um choque. Era vergonhoso, era quase como andar de ceroulas, roupa interior.”

Na sua memória está patente um episódio ocorrido durante os Jogos Luso-Brasileiros:
“Aterrámos em Belém. Torci o pé, cheguei desgostosa, levaram-me a um médico, a prova era dali a dois dias…engessaram o pé…dois dias depois vou tirar o gesso, aflita, não tinha treinado, à tarde bato o recorde! Foi o fim-de-semana em que o Homem chegou à Lua! Pararam as provas (eles faziam o relato), a banda começou a tocar e gritaram: “O homem chegou à lua! O homem chegou à lua!”
Dulce Gouveia sorri com o mesmo ar de miúda serena e laboriosa dos recortes de jornais antigos. Quantos aplausos, vitórias e alegrias embalaram o seu coração, proporcionando uma caminhada sem sobressaltos?
Agora, Dulce é essa mulher que posa com o Tejo em fundo, soltando o sorriso da menina feliz, que um dia atravessou oceanos trazendo recordações, afectos e sonhos. Para enfrentar as marés da existência, com a sabedoria que emerge nos gestos e no olhar.

Luís Filipe Maçarico (texto)
Maria Clara Amaro (fotografias)
* Publicado na página 8 da edição nº 30 do quinzenário "Conversas de Café" (29 de Fevereiro de 2008)

quinta-feira, março 13, 2008

Mulheres e Crianças: A Poesia do Encontro!





Na passada sexta feira dia 7 de Março, a Poesia do Encontro inundou 24 horas da minha vida.

EM ALJUSTREL, O CANTE NO FEMININO E POEMAS PARA AS MULHERES

A noite foi de festa no auditório da esplêndida Biblioteca Municipal de Aljustrel, após um soberbo bacalhau no restaurante das piscinas.
Presentes, além do vereador da Cultura e da Dra. Francisca Branco, organizadora da sessão, José Godinho (presidente da Câmara Municipal de Aljustrel), Luís Bartolomeu (presidente da Assembleia Municipal), Francisco Colaço (presidente da Junta de freguesia de Aljustrel) .
O Grupo das Mulheres do MDM de Aljustrel e uma professora ligada à CGTP, cantando ou apresentando a verdade dos factos, exprimiram diversas facetas da luta por uma efectiva igualdade de oportunidades daquelas que, segundo o poeta "são as deusas que enfrentam/Todas as tempestades/Respondendo à mágoa com o sonho./Ensinando sempre a resistir."
Este e outros versos de minha autoria apresentei-os, entre a intervenção da professora e as modas cantadas pelas companheiras dos mineiros.
Fotografias de Francisco Colaço
COM A MIUDAGEM NA TAPADA DAS NECESSIDADES
A manhã começara com uma inolvidável sessão de animação de leitura, a cargo do agrupamento de escolas do ensino básico nomeadamente da EB Fernanda de Castro e da Avenida de Ceuta, a partir do primeiro livro que escrevi para crianças, "A Princesa Joaninha e o Lagarto Saltitão", de 1996.
Alunos e professores de diversas turmas e anos, três pais e respectivos filhos recriaram e partilharam a sua versão daquele texto, alegrando ainda mais a manhã primaveril trazendo até à Tapada das Necessidades muita alegria e cor.
A estufa grande e a antiga escola 128 (actual Fernanda de Castro) foram palco daquela iniciativa. No final, o presidente da Junta de freguesia dos Prazeres, ofereceu flores às professoras e uma guloseima à miudagem.

Fotos de António Brito

terça-feira, março 11, 2008

Um Poema que Chegou da América


Este rio pequeno a correr devagar
sem atropelos urgências ou ilusões
também desagua calmo no mar
como os de grandes dimensões.
José Filipe Rodrigues

domingo, março 09, 2008

um crepúsculo


Um destes dias em Lisboa, o sol despediu-se com o esplendor visível na imagem que partilho.

domingo, março 02, 2008

Pintura de Marta Barata






Em Braço de Prata esteve patente uma exposição de Marta Barata, mulher sensível, designer inspirada, artista de telas enérgicas onde a luz busca a carícia do olhar.
Artur Bual gostaria de a ter conhecido e era capaz de dizer ''a sua pintura é um caso sério...''
texto e fotos LFM

sábado, março 01, 2008

Pastores do Sol e uma Terra de Afectos animaram exposição de Jorge Cabral






Nos passados dias 28 e 29 no Espaço Cultural Santa Catarina, a poesia e as conversas do deserto animaram exposição de Jorge Cabral. Além de Luís Maçarico, participaram a poetisa Conceição Baleizão , o professor de árabe Tiago Setil e a bailarina Elsa Shams.
fotos de Marta Barata e Jorge Cabral