"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Rosa Chaves



Gosto de uma boa anedota, de pessoas bem dispostas e até de pregar uma boa peta a incautos.
A Rosa Chaves é uma das mulheres mais divertidas que conheço.
Todavia e apesar de ser muito atenta, já consegui confundi-la, num dia em que disfarcei a voz ao telefone...

É sempre uma festa falar com a Rosa Chaves, encontrá-la no caminho para fazer a pausa que se impõe no quotidiano cinzento.
Admiro muito esta mulher - bonita em todos os aspectos, - que superou os obstáculos da existência e dia a dia constrói um templo de alegria e resistência.
Ao lado dela, as sombras são desafios para espalhar luz.

Em tempo de Carnaval, escolho-a para falar do riso e da vida. Saravá, Saravá!
Fotos: António Brito

quinta-feira, janeiro 31, 2008

O Olhar de Cristina Maria



Cristina Maria vive e trabalha em Évora. O seu olhar capta quotidianos de um mundo, onde lhe coube aprender a fruir formas e cores, transpondo para a tela das emoções vozes e tons de realidades tão diversas, como a da ceifeira e da mãe africana.
Cristina pinta com sensibilidade e cada quadro seu apresenta-nos os seres humanos no seu contexto. Gente do sul, desse sul onde a água rareia. Gente do sul, desse sul onde a poesia floresce, entre o deserto e o sorriso.
Obrigado, Cristina pela tua paleta mágica!

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Três Poemas Sobre a Natureza deste Tempo, de José Filipe Rodrigues




Não resisto a partilhar mais poesia, que me chega do outro lado do Atlântico, desde Fall River. José Filipe Rodrigues, já aqui apresentado há dias, continua a escrever os seus poemas, enquanto respiração da alma, que são reflexões sobre um tempo frio (metafórico), onde além do gelo de uma Natureza, por vezes tão instável, existe a instabilidade do gelo/desvairo que atravessa as egoístas e explosivas relações humanas, outrora criticáveis, hoje rotineiras.

A poesia, esta, fica como registo destes tempos difíceis, em que o frio também é interior, mal de vivre...

AS VAGAS DE BRANCO

As sucessivas vagas de branco
penetram o interior das convicções
e deixam a ideia de que os nevões
são momentos de purificação
purga e início da regeneração.
Mas esse branco que tanto promete
depressa petrifica ou derrete
e desvanecem-se todas as intenções originais
como acontece com muitas pessoas normais.
O LAGO

Este lago que alimenta a cidade
e sacia a sede das pessoas e os jardins
dizem ter sido propriedade de tribos
presidentes e figuras da realeza.
Essas lendas são de desmesurada ambição
porque ele é pertença de ninguém.
O lago é uma parte da natureza.
e só na natureza ele está bem.

O ESTADO DO TEMPO

os esquilos andam baralhados
com os diferentes estados do tempo
neste inverno confuso e inconsistente.
há quem diga ser normal na Nova Inglaterra.
há quem diga tratar-se de mutações
meteorológicas no planeta Terra.
a verdade é que nas previsões
pode-se ter calor frio ou assim assim.
das três temperaturas e situações
que podem acontecer, cá p’ra mim
eu prefiro ou o frio ou o calor de cada momento
sejam qual forem as estações ou o estado do tempo
porque é no assim assim de indefinições
que adoeço, que apanho as constipações.
Poemas e fotos de José Filipe Rodrigues

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Perfil de Eduardo Ramos, publicado no nº 27 do Jornal "Conversas de Café"





“Como sou dos poucos que faz este género de música sempre vou sobrevivendo.”

Uns anos antes de conhecer Eduardo Ramos em 2001, no Festival Islâmico de Mértola, já ouvira falar da sua primeira incursão na música arabista, cantando poetas luso-árabes. O seu disco “Andalusino” circulava. Seguiu-se “O Ocidente do Al-Andaluz”, “Moçárabe”, “Cântico para Al-Mutamid”, “Uma Noite no Palácio do Jasmim” (gravado em Janeiro de 2006, no Centro Cultural de Belém) e “Romances de Peregrino.” Inspirado na poesia de João de Deus, “Canto de Flores, Canto de Amores”, fora o seu primeiro trabalho discográfico.
Animador de festas reinventadas, como as “Noites da Moura Encantada”, em Cacela, ou da comemoração da Feira Medieval de Lamego, Eduardo Ramos tornou-se presença requisitada para concertos em Lagoa, Loulé, Silves, Albufeira ou nos Jerónimos (no Museu de Arqueologia) sob a égide da Associação de Amizade Portugal-Egipto. Nas suas actuações os filhos acompanham-no: Tiago na precursão e Carolina na dança do ventre.
Natural de Penedo Gordo, Beja, é em Silves que mora, há quase duas décadas, depois de uma dúzia de anos a residir no Carvoeiro. Aqui compõe as melodias mágicas com que nos brinda para ilustrar a poesia de Al-Mutamid e Ibn Amar.
O seu percurso está ligado à prenda que o pai lhe ofereceu na adolescência –uma viola. Com ela aprendeu a voar nos caminhos da Música. Filho de militar, viveu em Luanda, absorveu os ritmos africanos, fundou e tocou em conjuntos dos anos 60 e 70, prosseguindo no Algarve, onde conheceu a sua mulher Janica, uma busca musical que o levaria à escolha do universo poético e sonoro árabe, através de uma actuação de Anuar Brahem. Eduardo Ramos tomou então a decisão de adquirir um alaúde na Tunísia, durante uma viagem àquele país.
Eduardo recorda: “Formei em Angola, os “Windies”, “Grande Malha” e “Ki Kanta”, sempre com dois angolanos, Beto na bateria e Rakar na viola baixo. Viemos juntos para o Algarve e tocámos em grupos, bailes...Foi uma aprendizagem musical, para saber estar em cima do palco, o que é muito importante. Depois foi a fase de tocar em hotéis sozinho, com viola de doze cordas, música anglo-saxónica, tradicional portuguesa e angolana. Quando comecei a dedicar-me à música árabe, foi como reencontrar uma coisa que andava à procura. Ao ficar imbuído desses sons, dessa cultura musical, senti que era o que andava à procura há anos e anos, e do qual não quero mais sair. Ao nível profissional tem sido muito bom, tenho evoluído musicalmente, e ao nível de concertos, por causa de festivais/feiras medievais, árabes e islâmcas, há uma abertura à medievalidade e arabidade. Como sou dos poucos que faz este género de música sempre vou sobrevivendo.”
Eduardo Ramos compõe “de cabeça e fixo tudo. Não sei uma nota de música.” Quando as melodias surgem“ É um mistério. Às vezes estou na cama, ligo o gravador, toco o alaúde e aprendo o que tinha gravado no dia anterior. São coisas repentinas, que não sei de onde vem, parece que são deuses, musas, que nos sopram a inspiração. A improvisação faz muito parte da minha música. Isso é capaz de vir da minha passagem do jazz-rock.” Tem três alaúdes, todos tunisinos e está à espera do quarto. Mas utiliza também a flauta indiana, a zucra (que é uma gaita da Tunísia, feita em cana que tem um corno), gambry de Marrocos, berimbau, quissange (de África, que aprendeu em Angola) e viola.
Com espectadores fiéis que o acompanham pelo país (“Em todos os espectáculos senti que o público sempre teve uma grande comunhão”), Eduardo Ramos é um músico de referência pelo excelente desempenho, de grande originalidade e qualidade. “As poucas pessoas que têm tido conhecimento, têm elogiado o meu trabalho, mas como é fora do circuito comercial e só uma minoria liga à cultura, é conhecido de um pequenino público que se interessa pelas minhas coisas.”
O alaúde nas suas mãos é fonte de poesia, asa feliz de pássaro livre. Pergunte urgentemente pelos discos dele, pois nem sabe o que anda a perder...

Texto e fotos: LUÍS FILIPE MAÇARICO

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Eduardo Ramos Actuou Em Lisboa




Carolina dançou, Tiago tocou e Eduardo Ramos cantou, tangendo o seu alaúde novo...Foi durante as primeiras horas desta noite no Pestana Palace Hotel, Alto de Santo Amaro, durante um evento destinado a divulgar as pousadas de Portugal.
texto e fotos LFM

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Inverno


No meu largo, de vez em quando, o Inverno adormece...

sexta-feira, janeiro 18, 2008

O Comboio de Boston e Olhos Cristalinos - Dois Poemas de José Filipe Rodrigues



Tenho recebido inúmeros mails, desde Fall River, repletos de beleza, na partilha de uma sensibilidade que as pessoas com coração de artista não podem deixar morrer, algumas vezes chega igualmente o comentário e a crítica aos malefícios das decisões dos senhores do Mundo, ou simplesmente o júbilo pelos pequenos triunfos do quotidiano, que constituem alimento para continuar a caminhada.

José Filipe Rodrigues tem-me presenteado com imagens maravilhosas: a Natureza captada no esplendor do Outono ou expondo nevões que, sendo envolventes, impedem o sol. E a imensa fraternidade, nas palavras escritas e ditas ao telefone. É que o Filipe, se adivinha que eu não ando bem, liga-me desde essa distante América, para me dar aquele estímulo, que me ajuda a renovar. Bom amigo este, que conheço à distância, pela net, mas nascido na mesma Évora, a que também pertenço. Não podia deixar de voltar a falar dele e da sua poesia... e direi mais: este vate, pela sua voz singular e por ser senhor de uma lírica original, onde o conhecimento académico se mescla com a linguagem coloquial, originando uma matriz essencial desta escrita, merece ser publicado e divulgado no país que o viu nascer.
Bem Hajas José Filipe!

O COMBOIO DE BOSTON

O comboio de boston descarrilou
nos escritórios almofadados da capital do estado.
Triste, mas é daquelas situações normais
a que o ingénuo cidadão já está habituado.
Agora passou a fazer parte das campanhas eleitorais
em todos os dias, semanas, e meses do ano:
prometem resoluções, obras, e medidas extraordinárias,
oferecem sofismas, estudos e planos de engano.
O comboio de boston descarrilou na capital do estado.
Ao menos ainda existe o caminho para lembrar aos atentos:
que os papagaios já têm o disco riscado,
que grande é a distância entre os discursos e a coerência,
e que, para continuar a ser eleitor,
é necessária muita paciência.
OLHOS CRISTALINOS
(Obrigado Luis, e tu sabes porquê!)

Só uns olhos cristalinos
Podem ver a pureza e simplicidade
nas paisagens sem mácula
dos diferentes ciclos do tempo.
Mesmo nos dias de céu nublado
Cinzento, confuso e gelado
Há lírios e rosas e rosmaninho
Sorrisos sonhos e um caminho
A flutuar em todos os momentos
Para os peregrinos atentos.

Poemas e Fotografias de José Filipe Rodrigues. Introdução:LFM