"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Inverno


No meu largo, de vez em quando, o Inverno adormece...

sexta-feira, janeiro 18, 2008

O Comboio de Boston e Olhos Cristalinos - Dois Poemas de José Filipe Rodrigues



Tenho recebido inúmeros mails, desde Fall River, repletos de beleza, na partilha de uma sensibilidade que as pessoas com coração de artista não podem deixar morrer, algumas vezes chega igualmente o comentário e a crítica aos malefícios das decisões dos senhores do Mundo, ou simplesmente o júbilo pelos pequenos triunfos do quotidiano, que constituem alimento para continuar a caminhada.

José Filipe Rodrigues tem-me presenteado com imagens maravilhosas: a Natureza captada no esplendor do Outono ou expondo nevões que, sendo envolventes, impedem o sol. E a imensa fraternidade, nas palavras escritas e ditas ao telefone. É que o Filipe, se adivinha que eu não ando bem, liga-me desde essa distante América, para me dar aquele estímulo, que me ajuda a renovar. Bom amigo este, que conheço à distância, pela net, mas nascido na mesma Évora, a que também pertenço. Não podia deixar de voltar a falar dele e da sua poesia... e direi mais: este vate, pela sua voz singular e por ser senhor de uma lírica original, onde o conhecimento académico se mescla com a linguagem coloquial, originando uma matriz essencial desta escrita, merece ser publicado e divulgado no país que o viu nascer.
Bem Hajas José Filipe!

O COMBOIO DE BOSTON

O comboio de boston descarrilou
nos escritórios almofadados da capital do estado.
Triste, mas é daquelas situações normais
a que o ingénuo cidadão já está habituado.
Agora passou a fazer parte das campanhas eleitorais
em todos os dias, semanas, e meses do ano:
prometem resoluções, obras, e medidas extraordinárias,
oferecem sofismas, estudos e planos de engano.
O comboio de boston descarrilou na capital do estado.
Ao menos ainda existe o caminho para lembrar aos atentos:
que os papagaios já têm o disco riscado,
que grande é a distância entre os discursos e a coerência,
e que, para continuar a ser eleitor,
é necessária muita paciência.
OLHOS CRISTALINOS
(Obrigado Luis, e tu sabes porquê!)

Só uns olhos cristalinos
Podem ver a pureza e simplicidade
nas paisagens sem mácula
dos diferentes ciclos do tempo.
Mesmo nos dias de céu nublado
Cinzento, confuso e gelado
Há lírios e rosas e rosmaninho
Sorrisos sonhos e um caminho
A flutuar em todos os momentos
Para os peregrinos atentos.

Poemas e Fotografias de José Filipe Rodrigues. Introdução:LFM

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Portugal Islâmico vai ser tema de Mestrado em Mértola












Recebi hoje uma mensagem que me encheu de alegria. Confesso a minha pena por não ter neste momento as condições (económicas, inclusivé) para poder participar no que é proposto no blogue que me chegou via mail. Transcreva-se então a notícia desse blogue, para gáudio dos leitores deste ÁGUAS DO SUL que tenham interesse: http://mestrado-portugalislamico.blogspot.com/

"O Mestrado será promovido conjuntamente pela Universidade do Algarve, através do Departamento de História, Arqueologia e Património da FCHS, e pelo Campo Arqueológico de Mértola. As aulas decorrerão em Mértola, nas novas instalações do Campo Arqueológico de Mértola - http://www.camertola.pt/ -, de acordo com um esquema ainda a definir. Em princípio, os tempos lectivos terão lugar às sextas-feiras à tarde e aos sábados (todo o dia). Início do Mestrado - Outubro de 2008 (aguarda aprovação por parte do Ministério da Ciância, Tecnologia e Ensino Superior).
Objectivos deste Mestrado:

O Mestrado em Culturas Árabe e Islâmica e o Mediterrâneo foi criado por iniciativa da Profª Doutora Teresa Gamito e teve a sua primeira edição no ano lectivo de 2003/2004.

Contou então com sete alunos, número que se repetiu na edição seguinte, ora em fase de conclusão, quase todos originários de diferentes áreas científicas de base, facto que, sendo em uma riqueza, não facilitou o desenvolvimento de uma formação homogénea.

A docência tem sido assegurada por professores da Universidade do Algarve, com recurso a colaborações externas, mas de carácter pontual. O actual director do Mestrado é o Prof. Doutor António Rosa Mendes, professor auxiliar do Dep. de História, Arqueologia.

Por várias razões, este capital de saber e de experiência deve ser mantido e renovado. Em primeiro lugar, porque o seu âmbito interessa sobremaneira aos territórios do Sul, quer pela sua feição mediterrânea e pelas ligações pluri-seculares a esse mar interior, quer pelo impacto da história e da cultura islâmica na fisionomia das gentes e do espaço e na trajectória daqueles territórios.

O mestrado em Culturas Árabe e Islâmica e o Mediterrâneo foi, por outro lado, o primeiro curso de 2º ciclo neste domínio a ser criado em Portugal, facto que deve ser recordado e devidamente sublinhado. Sem que isso deva impedir, contudo, a adaptação a novas exigências, reforçando as componentes histórico culturais mediterrâneas e centrado-o num domínio específico que se designou como o Portugal Islâmico. Por tudo isso, não admira que, nesta proposta de adequação, se mantenham inteiramente válidos os pressupostos gerais da criação do curso de Mestrado em Cultura Árabe, Islâmica e o Mediterrâneo. Aí se dizia, e ora se repete, que era necessário “organizar um curso (....) como reflexão sobre o Mediterrâneo e as grandes culturas e civilizações que se desenvolveram nas suas margens, bem como o enorme contributo que tiveram nas formações da Europa e de Portugal (...)”. Parece também importante manter como base de trabalho ideias como o estudo dos povos e civilizações que viveram nas margens do Mediterrâneo, nas múltiplas facetas que a primeira versão do mestrado se propunha abordar. Consideram-se igualmente pertinentes as considerações incluídas no enquadramento científico e nos objectivos que sustentaram aquela proposta inicial e que se reproduzem em seguida.

Quanto ao enquadramento científico, dizia-se “Este curso de mestrado insere-se na área das Ciências Humanas e Sociais, no conhecimento das linhas de força e desenvolvimento das civilizações e povos do Mediterrâneo, na sua especificidade e na sua articulação com a Europa. Só conhecendo as civilizações e a cultura do Mediterrâneo poderemos compreender a civilização europeia ocidental”.

No que respeita ao objectivo geral, esclarecia-se: “O objectivo (…) é o de preparar os estudantes para um conhecimento mais profundo do nosso passado e do nosso presente, da região onde nos encontramos inseridos, das civilizações que aqui se desenvolveram, e habilitá-los a participarem em acções de interacção e colaboração entre os povos, em relações e contactos diplomáticos de conhecimentos, inter-colaboração e desenvolvimento mútuos, em projectos de investigação e desenvolvimento (…).
Em suma, o curso de mestrado em Portugal Islâmico e o Mediterrâneo propõe:

- aprofundar e estudar problemas culturais e civilizacionais;
- aprofundar a reflexão sobre as correlações entre o ambiente e a civilização dos diversos povos do Mediterrâneo;
- aprofundar os conhecimentos sobre civilizações que nos influenciaram em diversos domínios: científico, linguístico, artístico etc.
- desenvolver mecanismos de maior entendimento e conhecimento entre os povos;
- capacitar o desenvolvimento de projectos em comum;
- e dotar, por fim, os alunos com a formação adequada para desenvolverem investigação pós-graduada e prosseguirem estudos através da frequência de um curso de 3º ciclo (doutoramento).

Estrutura Curricular:
1º Ano / 1º semestre O Islão e o Mundo Mediterrâneo: islamização, cultura e sociedade (História) 10 créditos; Perspectivas Teóricas e Metodológicas da Investigação Científica (História) 10 créditos;

1º Ano / 2º semestre História e Património do al-Andalus (História) 10 créditos;

Opção I (H, Arq, HA) 6 créditos Opção II (H, Arq, HA) 6 créditos

2º Ano / 1º semestre Opção III (H, Arq, HA) 6 créditos; Opção IV (H, Arq, HA) 6 créditos; Opção V (H, Arq, HA) 6 créditos; Dissertação 15 créditos
2º Ano / 2º semestre Dissertação 45 créditos. História (H) Créditos obrigatórios 30 / créditos optativos 12; Arqueologia (Arq) Créditos optativos 6 -12; História da Arte (HA) Créditos optativos 6-12; Dissertação H/Arq/HA 60;
Total 120 créditos (90 obrigatórios / 30 optativos)
No âmbito do Mestrado estão, para já, previstas as seguintes opções:

1º ano/2º semestre: O Mediterrâneo entre os Finais do Mundo Antigo e o Início do Espaço Atlântico (H) Semestral 6 créditos; O Norte e o Sul: a Jihad e a Cruzada (H) Semestral 6 créditos
Estruturas Sociais do Islão: Arcaísmo e Modernidade (H) Semestral 6 créditos.

2º ano/1º semestre: O Quotidiano e a Cultura Material no al-Andalus (Arq) Semestral 6 créditos. Arte Islâmica (HA) Semestral 6 créditos. O Mudejarismo em Portugal (HA) Semestral 6 créditos. Estruturas de Povoamento no Gharb al-Aldalus (Arq) Semestral 6 créditos.
Os docentes do Mestrado, e cuja participação está desde já assegurada, são provenientes de universidades nacionais e estrangeiras:
António Malpica Cuello (Univ. Granada) *António Rei *António Rosa Mendes (Univ. Algarve) *Christophe Picard (Univ. Paris 1 - Sorbonne) *Claire Delery (CAM) *Cláudio Torres (CAM) *Fernando Branco Correia (Univ. Évora)Filipe Themudo Barata (Univ. Évora) *Francisco Teixeira (Univ. Algarve)Hermenegildo Fernandes (Univ. Lisboa) *Isabel Cristina Ferreira Fernandes (CAM)João Pedro Bernardes (Univ. Algarve) *José E. Horta Correia (Univ. Algarve)*Luís Filipe Oliveira (Univ. Algarve) *Maria dos Anjos Cardeira da Silva (Univ. Nova de Lisboa) *Maria Filomena Barros (Univ. Évora) *Santiago Macias (Univ. Algarve / CAM) *Susana Gómez Martínez (CAM) *Nº de docentes proposto: 18;

Nº de docentes com doutoramento: 16 (*)

Conferencistas:António Borges Coelho *Jean-Pierre van Staevel (Univ. Paris 4 - Sorbonne) *José Mattoso *Juan Zozaya Stabel-Hansen *
Conferencistas com doutoramento (*)
Para mais informações envie um mail para:
Prof. Doutor Luís Filipe Oliveira - lfolivei@ualg.pt
Prof. Doutor Santiago Macias - smacias@ualg.pt
Fotografias: Rosário Fernandes

terça-feira, janeiro 15, 2008

Um Poema de José Filipe Rodrigues: As Pontes Que Ardem ao Entardecer


Conheci-o através de amigos comuns, o Manuel e a Maria Amélia, e Évora é a grande ponte entre o Filipe que está na América e este Filipe que permanece em Lisboa.
Regularmente, como as ondas do mar, os poemas dele visitam-me. Hoje, partilho convosco estas palavras cheias de sentido poético e que são um bálsamo de esperança num universo de malfeitorias. É o sentimento de um coração português a palpitar por esse mundo e mundo.
As pontes que ardem ao entardecer

deixam-nos muito distantes

do outro lado, da outra margem,

e de muitos ideais e sentidos

para viver e já vividos.

Do lado de cá, nesta margem,

ainda existem caminhos e viagens

por percorrer e desbravar.

As pontes que ardem ao entardecer

nunca foram nem serão o fim,

porque na margem do lado de cá

ainda há quem cuide do jardim

e invente as flores que não há.
Poema e imagem: José Filipe Rodrigues

domingo, janeiro 13, 2008

Na Luz Efémera


As palavras
cada vez doem mais
À força de as querer
Mais claras.

Na luz efémera
Seco os sentidos
Semeando
Silêncio,
Eternidade.

Não, não havia música
Apenas saudade...

foto (Nave do Barão, Loulé) e poema (do livro ''Caligrafia do Silêncio) LFM

sábado, janeiro 12, 2008

Em Silves com Eduardo e Janica





Em Silves, com Eduardo e Janica os dias passam serenos.
BEM HAJAM, AMIGOS.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Regresso à Clandestinidade


Saboreamos ainda numas baiúcas secretas comidinhas de antanho - hoje foi bacalhau com grão - vinhoca de boa cepa, bagacito de truz! Mas não partilharei, recuso-me a divulgar onde foi essa reunião gastronómica.
Convidaram-me para uma matança de porco. Clandestinamente aviso os amigos, também desafiados a participar, mas não anunciarei em que lugar e quando será esse reviver de uma tradição ancestral em terras que porventura seriam visitadas para punição implacável dos semi-deuses socráticos que se julgam donos da verdade, se eu metesse a boca no trombone.
Em nome da lei, da autoridade, da higiene, eles andam por aí . Depois do fumo, das colheres de pau e das bolas de berlim, há-de vir a taxa para gordos e o tratamento obrigatório para emagrecer.
Por estas e por outras é que decidi o regresso à clandestinidade. É mais seguro, para preservar a parte ainda não devassada da minha intimidade.