"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

segunda-feira, outubro 08, 2007

Outubro


Durante este mês não percam dia 12 na R. Maestro António Taborda, 49, r/c uma exposição de homenagem a Jorge Rua de Carvalho. Outro Jorge de apelido Neves é homenageado todas as semanas às sextas e sábados na Rua do Possolo, 7, na revista à portuguesa "Todos Contentes nos Combatentes", dirigida por Flávio Silva, um jovem de 16 anos, com um elenco muito jovem.
Ainda na primeira quinzena, a colectividade onde a revista mencionada é apresentada, realiza um pic-nic na Tapada das Necessidades.
Dia 29 faço 55 anos, até lá fiquem bem que eu depois conto o que vou fazer nas próximas 3 semanas!!!
Pintura de Rodrigo Dias, foto e texto de LFM

sábado, outubro 06, 2007

Alvaiázere:O Chícharo em Festival














Até domingo é tempo de degustar o vinho da serra de Cicó e os sabores do chícharo, com carne, peixe, em tarte ou licor.
Ontem estive em Alvaiázere com o jornal "Conversas de Café" e o tempo foi escasso para ver de relance a exposição de artesanato e produtos da terra no Mercado, assistir ao concerto de Silvestre Fonseca, à actuação dos coros dos funcionários da CMAlvaiázere e do Ministério da Educação e escutar maravilhado, entre outras, uma comunicação sobre a nova roda dos alimentos, muito bem apresentada e fundamentada, da autoria de uma professora local. Igualmente de uma investigadora do concelho, foi a comunicação seguinte, acerca da leguminosa que dá nome ao festival. Sala repleta, provando que quando o tema é aliciante e bem comunicado, o público acompanha com interesse os oradores, mesmo após um almoço bem regado.
Falaram também dois oradores externos, um deles o professor António Dores do ISCTE que se debruçou sobre o Kephir...
O jovem presidente da autarquia, com um sentido de humor e uma envolvência pouco comuns, apresentou o espectáculo, divertindo e divertindo-se, conferindo ao festival do Chícharo deste ano uma grandeza à escala humana que me apraz registar.
O convívio gastronómico foi outro momento alto e ocorre-me sugerir que se faça qualquer coisa também em Alvaiázere, em torno da maravilhosa broa, que sabe a pão, ao contrário dos sucedâneos de pão que se embalam com chancelas e dúzias de conservantes e chegam a Lisboa sabendo a plástico...
Seria injusto não deixar outra palavra de apreço, desta feita para Guida Loureiro, pela exposição patente no Museu de Alvaiázere, recentemente inaugurado. Trata-se de Piano Fortíssimo, uma mostra de mais de uma dezena de pianos, correspondentes a performances de outros tantos artistas internacionais.
Pedro Barroso, Chícharo - Mor e Guilherme de Melo participaram nas diversas iniciativas de ontem, tal como António Pinho director do "Conversas de Café", Eduardo Ventura, empresário do restaurante "AlbaPólvora" e José Alberto Franco e Luís Maçarico, da Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular.

domingo, setembro 30, 2007

Uma Noite na Tasca do Careca








Há em Lisboa, ali para os lados do Saldanha uma casa onde se escuta o Fado pela madrugada dentro. Acontece aos sábados e há nomes permanentes, como o de Lino Manuel, que apresenta os intervenientes na tertúlia semanal ou José Manuel Castro, um dos músicos privativos que acompanham os fadistas e que também canta.
Ti Abílio Duarte, autor das letras que interpreta é um peça fundamental no desenrolar de cada espectáculo, onde surgem revelações como a do rapaz que interpreta com brilhantismo o "Fado Falado" de Villaret, ou Sérgio Velhinho, uma voz jovem e talentosa, cuja estrela do destino cintilou ontem com intensidade.
A comida e a conversa preparam o grande momento.
A Tasca é um palco privilegiado do Fado Vadio: gente que começa a cantar, gente que cantou uma vida inteira. Gente que assiste e trauteia, gente que aplaude e incentiva. Gente que bebe e comenta, gente que fuma, gente que pede silêncio.
Nomes conceituados misturam-se com aprendizes. E as estrelas brilham nos olhos dos que sonham e sentem esta sensibilidade, embalados pelas cordas das guitarras e pelas gargantas onde a palavra é jóia preciosa.
Vão até lá um destes sábados e deliciem-se com a ambiência e os artistas. É único!
Legendas:
Foto 1 - José Manuel Gema acompanha com atenção a actuação dos fadistas.
Fotos 2 e 3- Sérgio Velhinho.
Fotos 4- José Manuel Castro dando um autógrafo no seu CD "Aqui Dentro do Fado".
Fotos 5 e 6 - Abílio Duarte actuando.
Foto 7 - Castro e Duarte confraternizam.
Texto e fotos de LFM

quarta-feira, setembro 26, 2007

Eduardo Ramos sexta-feira 28 de Setembro na Biblioteca Municipal de Loulé


Esta sexta-feira, ao serão (21 e 30h) Eduardo Ramos apresenta um recital de poesia e música medieval de raíz cristã, na Biblioteca Municipal de Loulé.
Entretanto, o trovador de "Cântico para Al-Mutamid" acaba de apresentar "Romances de Peregrino".
Este novo disco é mais uma jóia, na colecção de encantos melodiosos, que este artista único tem partilhado com um público, que se habituou à sonoridade do alaúde e outros instrumentos, como o gambri e o bendir, pouco usuais no panorama musical português.
A voz do cantor integra diversos cambiantes, notando-se influências recolhidas no cante alentejano, fado e música árabe. Aliás, o trabalho de recolha de Eduardo Ramos é notável: das diversas formas vocais e instrumentais, passando pelos autores que escreveram sobre a cultura abordada, ele preocupa-se com a arte final de cada obra - a capa, o que se lê e o que se escuta, são produto de uma longa tecelagem de sabedorias peneiradas pela sua sensibilidade singular.
O timbre com que nos brinda, o suspiro transmitido pela corda do alaúde, trazem-nos doçura, inquietude, ancestralidade e virtuosismo.
Neste novo trabalho, romances e cantigas da tradição popular, como "Laurinda" e "Senhora do Almurtão", surpreendem-nos pelo tratamento cuidado e inteligente com que Eduardo Ramos as reinventou, introduzindo no nosso imaginário acordes nunca saboreados que celebram o prazer espiritual, para lá da fruição da existência.
O resultado é fabuloso: mais um disco que acompanha os nossos gestos quotidianos, enquanto o dia se faz noite e a vida se transmuta em sonho.
Respiração de profunda beleza, o novo CD do cantor de "Moçárabe" e "Andalusino" merece escuta atenta e um tempo dilatado, para que o prazer da música se espalhe pela casa, ao sabor da poesia e do desfrute pleno da eterna magia do conhecimento.
Eduardo Ramos é um genuíno homem do sul, grande intérprete, de referência, que há-de ser cada vez mais aplaudido e reconhecido, pois o seu percurso de qualidade tem sido construído serenamente e com uma riqueza de conteúdo a que não se pode ficar indiferente.
Este texto é o meu modesto tributo ao inspirado criador de "Canto de Flores, Canto de Amores", "O Ocidente do Andalus" e "Um Sarau no Palácio do Jasmim" que continua a perfumar o éter com sons de veludo e odes, onde o esplendor da lua rivaliza com o orvalho dadivoso, para citar o imortal poeta de Silves.
Luís Maçarico

segunda-feira, setembro 24, 2007

NotíciasTransumantes


















Na festa do ano passado a Nádia e o Gonçalo disseram poemas meus na Capela do Leão, durante o lançamento do meu livro 15º de poesia que a Câmara Municipal do Fundão editou: "Ar Serrano" (mencionado nas páginas 55 e 124 da revista anual do Município).
Dois jovens que descobriram Alpedrinha através do meu olhar e que voltaram à Festa dos Chocalhos neste Setembro de 2007.
A Nádia que voltou em Novembro, com Eugénio de Andrade na mochila, trouxe nesta sua 3ª vez mais amigos. Comemos todos, os petiscos e a sopa da Maria dos Anjos na tasquinha que o Lourenço animou.
Acompanhou-nos em vários percursos, em algumas refeições e na taberninha da Dona Maria (maravilhosa ginja com elas!) o presidente da direcção da Aldraba, José Alberto Franco.
O rebanho tornou a descer a Gardunha pelo caminho romano. Os espectáculos e os desfiles sucederam-se e causou sensação "As Pifaradas do Álvaro", vindo de Unhais com os executantes vestidos com uma indumentária que lembrava romanos ou índios...
Foi giro ver o pequeno Miguel a acompanhar os Zabumbas. Os elementos do rancho folclórico da Casa do Povo local trouxeram memórias nos seus gestos e houve ainda vários gaiteiros, harmónicas de Ponte de Sor, o acordeonista Sertório, os Cotas Club (jazz).
Concertos de música clássica e uma conversa com a directora do Museu da Transumância de Abruzzo, em Itália enriqueceram o programa da Festa.
Mas o privilégio maior foram as conversas que tive com dois homens incontornáveis: o vereador da Cultura Paulo Fernandes, que está atento à requalificação do Palácio do Picadeiro e o pastor Lopes, cujos terrenos que possui comprou com trabalho e honra no tempo em que a palavra tinha valor.
Nota curiosa: ninguém de Alpedrinha participou na descida da serra e aqueles que vieram do Fundão, ao chegarem à vila que a marquesa de Alorna apelidou de "Sintra da Beira", meteram-se numa camioneta e regressaram à origem.
Texto e fotos de LFM

domingo, setembro 23, 2007

Festa dos Chocalhos 2007










Sábado voltei a Alpedrinha após um interregno de muitos meses.
Uma vez mais cumpriu-se o calendário e a festa reinventada que é que é a Festa dos Chocalhos, atraiu desta feita largas dezenas de milhar de visitantes.
Este ano houve algumas novidades: uma exposição de penicos e clisteres, o grupo do Paúl Toc'Avakalhar.
Foi tempo de rever amigos e percorrer os recanto da terra, com mais gente que nunca lá tinha ido.
E de considerar que o evento terá de sofrer alterações para o ano, para não perder o espírito festivo e original que o projectou além Gardunha.
Fotos e texto: LFM

quarta-feira, setembro 19, 2007

RUA VIEIRA DA SILVA








Batentes, espelhos de fechadura, aldrabas, trancas... Há um pouco de tudo nesta rua, em termos da linguagem da porta.
Sobreviveram à rapina e às fúrias da ignorância, que esvaziam a cidade de uma parte do património identitário.
Efectivamente estes objectos acompanharam aquelas pessoas na sua caminhada. Pertencem ao seu imaginário, às recordações de toda uma vida...
Gostaria que a Junta de Freguesia dos Prazeres (como todas as outras) e a Câmara Municipal de Lisboa (como todos os municípios do país) pudessem fazer qualquer coisa.
Nem que fosse a edição de livros e postais sobre estes utensílios...
Parafraseando o jornalista Augusto Baptista, de Oliveira de Azeméis: "Por favor, Salvem os Batentes!"
Texto e fotos de Luís Filipe Maçarico