"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

sábado, janeiro 27, 2007

Terras da Raia



No início de Janeiro voltei às terras da raia de Mértola, e captei estas imagens, no limite do território português .
Só os pássaros e as águas da ribeira de Chança na chamada "Volta Falsa" (travessia da fronteira) derramavam música na paisagem.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Mário Sousa: O Caso Exemplar de Um Sucateiro na Salvaguarda do Património Histórico de Murfacém. O Morábito e o Marroquino...






Mário Sousa trabalha na reciclagem e recuperação de ferro-velho, sucatas... Nascido em Alcântara (Lisboa) foi viver em criança para Murfacém. Deve-se a este homem e ao grupo que liderou para trabalhar nas obras indispensáveis à salvaguarda do monumento emblemático daquela aldeia (a mais antiga do concelho de Almada, freguesia da Trafaria), a fruição de um património largos anos encerrado.
Em 12 de Setembro de 2005, após tomar posse como elemento da direcção (no cargo de obras/urbanismo) da Associação de Moradores de Murfacém e Cova, Mário sonhou reabrir o velho "morábito" para que todos pudessem admirar a jóia da coroa de uma localidade tranquila.
Em 18 de Dezembro desse ano, a antiga ermida da Senhora dos Remédios, que numa imagem inserta na obra do Conde de Arcos sobre a Costa da Caparica apresentava uma torre sineira e uma cruz no frontespício, reabriu para novos visitantes que "dão-nos força, porque dizem que coisas destas nunca devem morrer, é histórico, têm valor e que a própria associação fez bem em recuperar este monumento."
No livro de visitas registam-se opiniões e aplausos de cidadãos comuns, de professores e recentemente (13 de Janeiro) Rabeh Hamid passou por lá e escreveu na sua língua materna (árabe) e em português esta belíssima mensagem:
"Sou um jovem marroquino nascido a 23/12/76, moro agora em Portugal e é a primeira vez que eu visito este museu árabe os meus agradecimentos e felicitações às pessoas de Murfacém pelo cuidado e amor com que tratam o seu património, o que nos permite a todos de o desfrutar."
Foto 1: Paula Lucas da Silva; Fotos 2 a 4 e texto : Luís Filipe Maçarico

domingo, janeiro 21, 2007

Convento dos Capuchos








Frente ao mar da Costa da Caparica há um tesouro patrimonial, que merece referência neste blogue de partilha das mil e uma coisas de um Sul largo, onde se manifestam legados de crenças, mitos, costumes, rituais diversos, arquitecturas, projectos, festividades, segredos, tanta magia para os sentidos!
No contexto do sul da Europa, Portugal é um espaço de criatividades, que ao longo destes anos temos abordado em tão modesto caderno de reflexões.
No Convento dos Capuchos, ontem à tarde uma noiva posava no miradouro, alunos de piano apresentavam um recital, os gansos do lago cumprimentavam quem passava, esperando por uma côdea de pão e eu, a Paula e o Paulo deliciávamo - nos com a beleza dos jardins e da decoração de nichos, à base de conchas, e de bancos, com fragmentos de azulejos, díspares, formando painéis com uma outra racionalidade, imaginada.
Não admira que com aquele silêncio onde alguns pássaros cantam, os frades se sentissem mais perto do paraíso, que pelo menos havia (e continua a existir) ali...
Texto e fotos de LFM

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Post nº 500: Bom Dia, Eugénio!


Eugénio de Andrade nasceu no dia 19 de Janeiro. Conheci-o nos livros, primeiro. Depois, através da Feira do Livro, falei com ele, ofereci-lhe versos...
Retribuiu-me enviando-me alguns inéditos, autografou alguns livros que me chegaram pelo correio.
Acompanhei-o pelas ruas de Lisboa, rua do Salitre, Tipografia Império, dos seus primeiros poemas publicados em livro (também Pessoa ali editara a "Mensagem"), Rua de São Marçal onde ia visitar uma velha tia, Dona Estefânia...a estátua de Cesário "Já viu como este país maltrata os poetas?"
Estive ao seu lado, porque me chamou no meio da multidão que o aplaudia, na sua terra natal, durante uma homenagem da Câmara Municipal do Fundão, como meses antes percorrera essa Póvoa de Atalaia, com ele a servir de cicerone e Dario Gonçalves fotografando os passos, os gestos, o olhar, o silêncio, oliveiras e as velhas de preto que lhe traziam pães daqueles que ainda sabiam a infância...
Não gosto de falar do dia em que aqueles que estimei partiram, gosto de lembrá-los quando abriram os olhos para este mundo.
Durante anos o meu poeta trocou correspondência, critiquei-o, presenteei-o, foi sempre gentil, amigo, discreto.
Hoje recordo-o com este segundo poema de "Branco no Branco", um dos livros que mais me tem acompanhado:

"É um lugar ao sul, um lugar onde
a cal
amotinada desafia o olhar.
Onde viveste. Onde às vezes no sono

vives ainda. O nome prenhe de água
escorre-te da boca.
Por caminhos de cabras descias
à praia, o mar batia

naquelas pedras, nestas sílabas.
Os olhos perdiam-se afogados
no clarão
do último ou do primeiro dia.

Era a perfeição."

Bom dia, Eugénio! Os seus poemas continuam a comover-me...

Texto e foto (Jerba) de Luís Filipe Maçarico

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Batente de Porta em El Almendro


Batente da porta de Juan Rosa, a cuja casa voltei em Janeiro. Em 17 de Outubro de 2004 entrevistei-o no âmbito da investigação que realizei para poder escrever o livro "Memórias do Contrabando em Santana de Cambas Um Contributo para o seu Estudo".
Torno àquele dia, desfolhando a página 61 da obra:
"Yo era muy pequeño, chivato...comencé en los años 40...Contrabandistas? No. Éramos defensores de la Muerte...Los portugueses fueron extraordinarios, fueron solidarios al máximo."
Juan já fez oitenta anos.
Foi bom revê-lo no dia do lançamento do livro, em Dezembro de 2005 e agora, em El Almendro.
Há pessoas que nos tocam profundamente, pelo exemplo da sua vida. É o caso.
LFM: texto e foto.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

O Postigo de Puebla de Guzman


Um postigo em Puebla de Guzman com motivos medievais, de cariz orientalista.
Quantas vezes se abriu para a notícia, o boato, a sentença, a quadrilhice, a alegria?
Quantas vezes guardou o silêncio, o rosto, os gestos?
Uma porta de alumínio acaba com tudo.
Repare-se no prego chapeado que decora a madeira e no recorte da moldura, que parece extraído de uma ilustração das Mil e Uma Noites...
Tem o peso do tempo, a marca de várias gerações que o abriram e fecharam...
Quanto mais tempo irá durar?
Texto e foto: LFM

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Ana e os Morábitos



No início de Janeiro descobri a ermida de S. Sebastião, na EB de Mértola, que terá sido reconstituída pelo Campo Arqueológico de Mértola.
O cunho mudéjar, com a integração da cúpula, fez os meus olhos terem um brilhozinho de encantamento.
Nos últimos tempos esta temática tem-me sensibilizado, há cerca de dois meses saiu na revista Callípolle um artigo sobre a arquitectura religiosa do sul, onde as construções tipo-morábito são abordadas.
Cada dia que passa tento documentar-me mais e saber um pouco do muito que ainda há para desbravar, neste e noutros assuntos.
Um abraço carinhoso, especial, desde este modesto blogue para a Ana, porque também ela se vai (re) descobrir construíndo o dossier da sua vida, para obter uma certificação de aptidões necessária, que abre outros horizontes.
A Ana, afinal, faz parte de muitas descobertas da minha vida e foi com ela que entrei pela primeira vez no morábito de Murfacém...
Morábito: eremita do Islão, procurado pelo seu saber (conselhos), que foi sepultado no lugar onde viveu em despojamento e retiro espiritual, fazendo jejum e orando.
Fotos de LFM:
1-Morábito de Murfacém (Dezembro 2006)
2- Ermida de S. Sebastião, Mértola (Janeiro 2007)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Eduardo Ramos em Lagoa com Rão Kyao



Eduardo Ramos vai actuar no próximo dia 20 no auditório municipal de Lagoa e desta vez vai ter a companhia de um outro músico de grande qualidade, também ele virado para referências que para o cidadão comum se apresentam como opções exóticas: Rão Kyao.
Parabéns a ambos por este encontro de amigos e de sonoridades.
Nas fotos, Eduardo Ramos cantando no interior do morábito de S. Pedro de Alvor, no dia 30 de Dezembro de 2006, para experimentar a acústica do espaço (fotos de LFM)

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Parabéns Atlético Clube de Portugal: Quando os Pequenos Derrotam os Grandes


Quando eu era pequeno, havia cabeçudos e festa nas ruas de Alcântara para festejar a subida do clube do bairro operário à primeira divisão.
Passados tantos anos hoje foi dia grande neste bairro de Lisboa, onde moro desde criança. O Atlético Clube de Portugal, os seus dirigentes, a sua massa associativa, o treinador e os jogadores estão todos de parabéns, porque ao eliminarem o Futebol Clube do Porto da Taça de Portugal provaram que os pequenos podem vencer os grandes...
Imagem recolhida na Net.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Mário Soares, Artista de Vila do Bispo


Em Vila do Bispo, nasceu em 1970, um artista chamado Mário Soares. Trabalhador da Misericórdia local, ocupa o seu tempo livre, desde os 15 anos, fazendo obras de arte em madeira que podem ver melhor na página que ele tem na Internet.
Tive o privilégio de o conhecer e de apreciar esses belos trabalhos.
Acho que merece ser divulgado. Espero começar a ouvir falar dele em breve, porque sei que mais tarde ou mais cedo vão surgir exposições deste artista.
http://oficinadomario.com.sapo.pt/

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Mensagens de Ghomrasni Mabrouk




No espaço de pouco mais de uma semana chegaram-me de Houmt Souk, a capital da ilha de Jerba duas mensagens que não posso deixar de partilhar pelo que simbolizam, num tempo difícil para a Humanidade.
Primeiro, porque é cintilação de uma amizade que a distância não quebra, depois, porque é talvez uma das mais belas provas de respeito e fraternidade que ansiamos viver com todos os povos. Vem do outro lado do mar que nos separa, vem de uma outra forma de estar, de uma outra religião... e contudo, consagra a bela Kantara (ponte) entre pessoas que se irmanam para lá das diferenças. Como eu gostava de ver algumas das pessoas com quem tenho construído outras "pontes" olharem assim para o Outro. Faltou-lhes certamente semear um sorriso, uma palavra que mostre quem somos.
Quantos portugueses se poderão gabar de ter recebido estas mensagens? Conheço dois ou três...

AS MENSAGENS:
24 de Dezembro às 22 h 34m:
"Bonne fete pour toute la famille" (Boa festa para toda a família)

31 de Dezembro as 22h 53m
"Jour après jour un anné a fait le tour et voila le retour le plus beau jour plain de joi e d'amour et un petit mot pour ce jour bonne anné 2007"- seguem-se os nomes do autor deste texto, ao qual junta os da esposa e dos 3 filhos ( dia após dia o ano fez a sua volta e eis-nos chegados ao mais belo dia pleno de alegria e de amor e uma pequena palavra para este dia: BOM ANO DE 2007.
Imagens: antigas, da ilha de Jerba, recolhidas na Net

sábado, dezembro 30, 2006

"Morábito" de Beliche



No concelho de Vila do Bispo existe esta jóia da arquitectura religiosa do sul, em risco de se esbarrondar no mar, porque a única medida tomada por quem está responsável pela salvaguarda dos monumentos militares (o presumível morábito/capela de Santa Catarina está dentro do forte de Beliche) foi impedir o acesso ao espaço.
É com mágoa que se assinala, numa altura em que se discutem quais são as maravilhas do Mundo e do País, o abandono deste monumento.
Fotografia gentilmente cedida por Maria João Ramos (Janica).

sábado, dezembro 23, 2006

Saudades de Quem Fui


Em Dezembro de 1999, por esta altura, estava a preparar a passagem do milénio, que foi vivida em Tozeur, entre a residência Rosa (Warda) e as visitas às casas do senhor Nouri Slah e dos Omrani, cujo filho Najib (o do turbante, em pé, à esquerda, ao lado do pai, com gorro, morreria atropelado um mês depois). Tenho saudades deles, do seu afecto, da bela Semia (sentada à direita, com um bébé), do meu amigo Salem (o último em pé à direita) que conhece Portugal e fala a nossa língua.
Tenho saudades de quem fui...
Foto: Jorge Cabral

terça-feira, dezembro 19, 2006

Lançamento do primeiro volume da obra "Colectividades de Lisboa"




Esta segunda-feira no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa decorreu perante mais de cem responsáveis das colectividades de Lisboa, a apresentação do livro "Colectividades de Lisboa Freguesia dos Prazeres" da autoria da Drª Maria João F.Rego, responsável do Gabinete de Apoio às Colectividades e de Luís Filipe Maçarico, antropólogo, funcionário do Departamento do Desporto da CML.
O evento foi presidido pelo presidente da autarquia, eng Carmona Rodrigues, que partilhou a mesa de honra com os autores e os senhores vereador do desporto Pedro Feist e presidente da Junta de freguesia dos Prazeres, engº Magalhães Pereira.
Mais notícias no site da CML:
http://www.cm-lisboa.pt/?id_item=13310&id_categoria=11
Fotos: recolhidas no site da CML

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Assembleia Geral da Aldraba


Recebi do senhor presidente da mesa da Assembleia Geral da Aldraba a seguinte informação que partilho:

Caros associados

A sessão da nossa Assembleia (...) cumpriu plenamente os objectivos previstos.

A seguir à ratificação da entrada do novo vogal para a Direcção, Leonel Costa, procedeu-se à análise e à votação do Plano de Actividades e do Orçamento para 2007, e à adopção do Regulamento Interno Geral da Associação, tendo sido tomadas em devida consideração as intervenções e algumas propostas de modificação apresentadas por diversos associados (José Chitas, Fernando Duarte, Mª Eugénia Gomes, Luís Jordão, José Prista, Mª Amélia Sobral, Luís Franco, Rogério Rodrigues, Pedro Alves e Jorge Rua Carvalho).


A AG aprovou os 10 pontos do Plano de Actividades, com a seguinte redacção final:


“1. Realizar entre dois e quatro encontros temáticos, em datas que se venham a revelar propícias, com instituições nossas parceiras (a título de exemplo, poderemos apontar para abordagens em torno do bacalhau e do Museu Marítimo de Ílhavo, do xisto e da cereja com o associativismo das Beiras, ou da doçaria saloia no Oeste).

2. Dar continuidade a iniciativas já esboçadas, como os jantares/tertúlias nas casas regionais sedeadas em Lisboa.

3. Incentivar e concretizar debates acerca das questões do património imaterial e promover iniciativas concretas em torno da consagração de alguns objectos e saberes enquanto Património da Humanidade, com a eventual colaboração de algumas Universidades com especialização nas áreas das Ciências Sociais.

4. Prosseguir e aprofundar as parcerias iniciadas com diversas associações e autarquias.

5. Manter a ligação ao Arraial do 25 de Abril em Lisboa, à Festa dos Chocalhos em Alpedrinha (Setembro) e ao Festival do Chícharo em Alvaiázere (Outubro).

6. Participar no Festival Islâmico de Mértola (Maio).

7. Celebrar o 2º Aniversário da nossa Associação.

8. Desenvolver o blogue, o site “Aldraba digital” e os contactos com a comunicação social, potenciando a divulgação de iniciativas e pontos de vista.

9. Publicar o Boletim com periodicidade semestral e iniciar a edição dos Cadernos Temáticos.

10. Cooperar com iniciativas exteriores nos domínios da cidadania e da memória e na evocação ou comemoração de personalidades ligadas ao património”.


Aprovámos também o Orçamento 2007, com as seguintes rubricas:

PROVEITOS

Proveitos Correntes

Jóias

400 €

Quotas

3.900 €

Apoios/Patrocínios

500 €

Outros Proveitos

500 €

Total dos Proveitos

5.300 €

CUSTOS

Custos correntes

Material de escritório

400 €

Despesas de representação

200 €

Internet e comunicações

120 €

PLANO FINANCEIRO

Correio

300 €

Actividade Corrente

Deslocação e estadas

300 €

Proveitos Correntes

5.300 €

Boletins (2)

1.000 €

Custos Correntes

6.020 €

Cadernos temáticos (1)

3.000 €

Saldo

-720 €

Encontros/Jornadas/Exposições

500 €

Saldo

Outros (Imprevistos)

200 €

Inicial *(estimado)

1.000 €

Total dos Custos

6.020 €

Final

280 €

* Saldo transitado de 2006


Finalmente, discutimos e aprovámos com alterações o Regulamento Interno Geral, cujo texto modificado segue em anexo.

A Assembleia tomou conhecimento de que a edição do Boletim “ALDRABA” nº2 (Nov.2006) está prevista para sair até final de ano.

Cordiais saudações associativas, com votos de uma boa quadra festiva, passada em solidariedade com familiares e amigos.

José Alberto Franco

Presidente da Assembleia Geral

domingo, dezembro 17, 2006

Poema de José Filipe Rodrigues, com desenho intitulado "Meu Pai "de seu filho Jonathan Rodrigues


meu filho

quando chamares pelo meu nome

não o vais encontrar nas páginas mitológicas

que os poetas inventam e revelam.

de grandioso vais descobrir o meu amor por ti

o que nenhum deus, poema ou paisagem

consegue encarnar ou descrever

na sua plenitude.

JFR

Uma Rosa de Saúde para a Paula


Querida Amiga: Desejo-te dias melhores num futuro que não tarde. E que os teus melhores sonhos se realizem sem sobressaltos. Se há hipótese de sermos felizes neste mundo, tu mereces e já é tempo de saboreares aromas e sabores do paraíso. O melhor para ti, é o que te desejo, amiga que és para toda a vida. Bem Hajas por tudo o que és e fazes! Natal és tu a sorrir.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Luandino Vieira: A Sabedoria


Extractos de uma entrevista de Luandino Vieira a Alexandra Lucas Coelho, publicada no"Mil Folhas" suplemento de 15 de Dezembro de 2006 do "Público":
"Fui sempre escrevendo. Pelo menos fui sempre armazenando. Como fui vendo sempre a realidade em termos de literatura, o que é defeito meu, porque muitas vezes subestimo, outras vezes subestimo as pessoas, e os senntimentos das pessoas. É sempre uma alienação, uma fuga - protejo-me de que seja uma falta de respeito (...)
Autonomia, sim. Faz parte do meu carácter. Sempre tive que me virar sozinho. Acabei por ficar mais solitário do que gosto de ser...Não percebe pela conversa que não gosto de ser solitário? Acabo por conversar muito, mas depois retraio-me, meto-me na minha concha (...)
Não acredito em nenhum (regime). Um regime é uma coisa perfeitamente transitória. Os homens desenvolvem formas de se auto-governarem conforme as necessidades. São sempre circunstancialismos que determinam isso. Hoje, o mundo tem esse modelo, a democracia. E viu-se por exemplo o que deu tentarem impor a democracia no Iraque."

sábado, dezembro 09, 2006

AUSENTE


A esta hora em Alpedrinha, prepara-se a divulgação do último livro de Jorge Rua de Carvalho, que me comprometi a apresentar pelas 18 horas nos Antigos Paços do Concelho.
Escrevo de Lisboa, da casa onde habito, lamentando não poder estar presente, por motivos de saúde.
Logo à noite no Teatro Clube local sobe à cena a revista "Isto é Que Vai Uma Crise" representada pelo elenco do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes" que viajou numa excursão que o meu estado de espírito me impediu de partilhar.
Alpedrinha e "Os Combatentes" não têm culpa nenhuma deste meu mal estar, tenho andado a tomar medicamentos para impedir que a ansiedade destrua o que se construiu ao longo de uma vida.
Estou doente, não sei até quando.
Só mais uma palavra: Peço que não me deem as Boas Festas, preferia estar morto a ter de assistir à pressão e prepotência quotidiana, ao constante esticar da corda sensível, no trabalho e nos relacionamentos ditos de amizade.
Deixei de conseguir aguentar.
Não sei quando volto.
Foto: 1988, doente com hepatite

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Cortelha, um Lugar para o Encontro










Conheci a Cortelha em Janeiro, dias antes de um manto branco cobrir a serra do Caldeirão e desde logo, pelo ar fresco mas sadio dos lugares secretos, resguardados das confusões do mundo dito civilizado, senti que ali seria um lugar bom para sonhar. Sonhei um encontro, para desvendar a vida de um povo que percorre os dias que passam entre Dezembros e Agostos.
Conheci-os agora. Primeiro eram dois nomes, a partir de uma conversa de um restaurante acolhedor, o "Solar dos Presuntos", onde a Sandra nos serve iguarias com sabores da tradição espalhando os seus quadros pelas paredes do recinto, e a vontade de compartir com mais amigos a beleza de um lugar assim, distante da confusão, protegido por árvores sobreviventes, abraçado por águas cristalinas da serra e ventos embaladores.
Desvendei a sabedoria dos idosos que mostraram como se vive, através de jovens luminosos que dançam o tempo dos avós para lhes darem saúde, alegria, satisfação, sorrisos - o melhor remédio- convivência.
Percebi que gente muito nova recolhe os tesouros que aprende e partilha.
Ficarei eternamente adorador daquele lugar onde vivi um dos dias mais maravilhosos da minha vida, entre pessoas simples mas imensamente importante porque faz da existência um lugar para o encontro.
Texto: LFM Fotos: Mário Rui Sousa.

terça-feira, novembro 28, 2006

A ALDRABA EM LOULÉ DIAS 1 E 2 DE DEZEMBRO







A Aldraba-Associação do Espaço e Património Popular enviou aos seus 116 associados e divulgou no seu blogue http://aaldraba.blogspot.com e no site www.aldraba.org.pt o programa do encontro de Outono que vai decorrer em Loulé.
Prometem uma jornada memorável no Barrocal:
"Vamos desta vez até terras algarvias, depois de a ALDRABA ter já visitado ou realizado actividades em localidades dos distritos de Beja, Évora, Castelo Branco, Leiria, Lisboa e Santarém.Convidamos os associados (e seus familiares e amigos) a participarem neste 7º Encontro, que vai ter lugar no concelho de Loulé, entre a sede do concelho e as freguesias de Querença e de Salir, com o seguinte programa:
Sexta-feira, 1 de Dezembro
12h :Recepção aos participantes na Casa do Povo de Querença
12.30h : Almoço de feijoada com carne de porco preto, oferecida pela Junta de Freguesia de Querença
14.30h : Percurso pedestre pelo barrocal, observando alfarrobeiras seculares, o bufo e a águia de Bonelli, o moinho ti Casinha, a Ribeira das Mercês, a Fonte Filipe, os Montes do Almarjão, a calçada da Amendoeira, e caminhos antigos.
16.30h : Convívio com a população, de novo na Casa do Povo de Querença, que incluirá intervenções de alguns notáveis locais, como a D. Filipa Faísca (artesã de bonecas e poetisa de raiz tradicional), a D. Albertina (poemas), o Sr. Tonico (cesteiro), a prima Alice e outras senhoras (a fazer uma empreita).
Deslocação até Loulé, com jantar livre e dormida em Loulé
Sábado, 2 de Dezembro
10h : Visita ao Museu de Arqueologia de Loulé, seguida de visita ao centro histórico da cidade e ao Núcleo de Frutos Secos, com apresentação da doçaria com frutos secos pela Drª Conceição Amador.
13h : Almoço na Casa dos Presuntos (localidade de Cortelha),cujo menu completo importará em 12€.
15h : Passeio pedestre até a um moinho típico, organizado pela Associação dos Amigos da Cortelha. 16h : Convívio com o Grupo Etnográfico da Serra do Caldeirão.
18h : Fim do Encontro
As deslocações dos participantes até Loulé, dentro do concelho e no regresso far-se-ão nos meios de transporte próprios dos associados e dos seus amigos. Quem deseje participar e não tenha meios próprios de deslocação, deve indicá-lo para que tentemos encontrar alguma boleia.As inscrições para a participação neste 7º Encontro devem ser-nos transmitidas pelos telefones 967187654(L.F.Maçarico), 963708481(J.A.Franco) ou 966474189(Margarida Alves), ou ainda através de mensagem electrónica para aldraba@gmail.com.
Saudações associativas.
Texto:JAF/LFM; Fotos:LFM