
"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"
quinta-feira, setembro 28, 2006
O ÚLTIMO A RIR...

terça-feira, setembro 26, 2006
JORGE RUA DE CARVALHO: O HOMEM PÁSSARO QUE VIVERÁ PARA LÁ DA VIDA

"É para mim um extraordinário privilégio apresentar Jorge Rua de Carvalho, este ser multifacetado cujo percurso comecei a seguir de perto há doze anos.
“Retalhos da Vida Saloia” é o quarto livro deste autor com quem convivi na I Festa das Colectividades, na Arruda dos Vinhos e Alpedrinha, quando nessas terras representou os Pregões de Lisboa, e nesta última tive o prazer de estar ao seu lado dizendo poemas, nomeadamente na Capela do Leão, onde o Jorge foi inexcedível e arrebatou a plateia que o aplaudiu de pé.
Acompanhei Jorge Rua de Carvalho nas suas exposições por escolas, associações e bibliotecas.
Escutei com atenção o testemunho da sua experiência, tive a honra de representar ao seu lado e escrevinhei uns textos para sketchs que ele apurou.
Um homem assim é da nossa família.
Por isso, queremos que viva muito, porque com ele aprendemos sempre!
Jorge Rua de Carvalho é um herói.
Fez do quotidiano um espaço mágico de convivência, vencendo a doença e a solidão, que costumam ensombrar a existência dos mais velhos.
Jorge rejuvenesceu nas páginas onde revisita a infância.
Respirou o oxigénio das palavras, para enfrentar os sobressaltos da vida.
E não pára de sonhar!
Solidário, pertence ainda ao Conselho Fiscal dos “Combatentes”, há um ano e meio fundou a “Aldraba” e aceitou o desafio de escrever um novo livro para partilhar as suas memórias do Associativismo.
Tenho-o seguido nos últimos tempos pelas ruas de Lisboa, nos miradouros e eléctricos, percebendo o quanto a cidade significa num imaginário que repovoou de saloios e pregões.
Para lá das sílabas, escreveu poesia na madeira, produzindo uma exposição magnífica sobre pregões que sucedeu a uma primeira, idealizada para imortalizar as recordações das brincadeiras da infância.
No fim de semana de 7 e 8 de Outubro, Jorge Rua de Carvalho irá ao Festival do Chícharo, em Alvaiázere, para apresentar as duas centenas de bonecos que criou com carinho de pai.
Como Geppetto idealizou dar forma à madeira, esculpindo figuras às quais se afeiçoou de tal maneira que me parece fazer todo o sentido criar um Museu com estes trabalhos que contam a história da cidade dos humildes e laboriosos, da criatividade dos simples.
Todavia, ao contrário de Pinóquio, os bonecos de Jorge Rua de carvalho falam a linguagem da verdade. São património e identidade. Espelhos da memória que iluminam o silêncio.
O livro, após as notas biográficas e o prefácio percorre umas saloiadas soltas onde se caracteriza a figura do saloio – gente sã, alimentadores de Lisboa, que levam o grão ao moinho, amanham a horta, trabalhadores do campo de sol a sol, vendendo depois o produto do seu trabalho para sustento da família mas que ainda têm tempo para se divertir nas feiras e romarias.
As primeiras férias introduzem o tema: Jorge tem dez anos, acabou de fazer o exame da quarta classe e o pai polícia, “orgulhoso de mim, ou talvez arrependido das sovas que me dera, resolveu recompensar-me” (pág. 21)
É assim que o miúdo é metido num comboio a caminho de Sobral da Lourinhã.
A partir daí, as descrições são uma delícia e o livro desenrola-se como um filme em que reconhecemos personagens que pertencem ao nosso imaginário, que o cinema português retratou, e tudo à nossa volta exaltava: o mundo rural povoado de gente laboriosa e humilde, com a sua cultura, a sua sabedoria, que constituía então a maioria da população.
Não admira que no epílogo Jorge escreva “sem dar pelo tempo passar, continuo à janela, com a cabeça entre as mãos, meditando, esperando, sem eu próprio saber por quem ou porquê” (p.72)
É natural num tempo tão diferente ter saudades e recordações dos dias felizes “cantinho delicioso do paraíso” (p.72)
Na página 24 do livro Jorge descreve assim a sua chegada:
“Olhei em volta, deslumbrado com a beleza dos fascinantes e variados tons verdes do arvoredo, das vinhas e das hortas, contrastando com as bandeirinhas dourados dos campos de milho que cercavam a brancura das casas do povoado.”
Senhor de uma escrita sem artifícios muito visual, colorida, próxima da oralidade, Jorge Rua conseguiu escrever um grande livro juntando os fragmentos da memória e do esquecimento, onde procura o rigor dos factos e cenários, embora nesse esforço de reconstituição dos acontecimentos, o factor efabulação acabe por condimentar os diversos takes do enredo, moldando as falésias da memória com a sedimentação das vagas e ventos do olvido para citar Marc Augé.
O livro prossegue com a apresentação da casa dos tios, seguimos os protagonistas nas idas à horta, ao moinho, à feira, saboreando uma narrativa riquíssima de sequências fílmicas recheadas de vocábulos e ritmos envolventes.
A matança do porco, a desfolhada, os saloios na cidade e a descrição de uma teimosia do “Pataco” (burro é sempre casmurro”) são outros capítulos que se lêem com bastante agrado.
Maria José Lascas Fernandes, mulher de uma escrita poética marcante foi a ilustradora, que soube transmitir com mestria e puerilidade as ambiências do livro.
Todos nós tivemos uma aventura assim numa qualquer terra onde havia um tio, uma prima, uma avó, frutos, arvoredo, festas, silêncios, lendas e a magia da infância.
Se não tivemos, ouvimos falar ou lemos.
Este livro evoca a nostalgia do lugar a que pertencemos. E este homem é o resultado do que podemos ser quando sonhamos. Cada livro seu é um capítulo do romance da sua existência fantástica.
Jorge Pássaro, Jorge Sempre Menino, Jorge Amigo, Jorge Irmão, Jorge Eterno.
Prometo-te que viverás para lá da vida, no nosso coração, na nossa memória, nos nossos textos, no amor fraterno que dedicamos aos nossos Maiores.
Obrigado por tudo o que continuas a dar-nos, com tanta qualidade e carinho.
Bem Hajas pelo exemplo da tua Vida!
Lisboa, 23-9-2006
LUÍS FILIPE MAÇARICO
Foto de LFM: Jorge Rua de Carvalho durante a homenagem nos "Combatentes".
segunda-feira, setembro 25, 2006
Jorge: A Festa, o Documentário e o Livro
terça-feira, setembro 19, 2006
Viva Alpedrinha!
A primeira vez que visitei Alpedrinha, vim de comboio, esse mítico comboio da Beira Baixa, que ziguezagueia, perseguindo o Tejo, numa carruagem com compartimentos, que permitia abrir a janela e desfrutar de um convívio com pessoas da região, propiciado pela alegria da juventude, num tempo de mais esperança.
Foi de comboio que viajei algumas vezes com o pintor José Barata Moura e sua esposa Adriana Rodrigues. Ao lado daquele casal maravilhoso o tempo voava, falávamos de coisas empolgantes, enquanto em redor, os idosos se queixavam de tromboses, assaltos, idas a Lisboa aos hospitais, desfolhando maleitas, suspirando lamentos.
Foram centenas de viagens a emocionar-me com alvoradas e crepúsculos, repudiando incêndios que amputaram paisagens, inundações calamitosas, suportando chuvas e gelos implacáveis, sóis de lume…escrevendo poemas, projectos, artigos, descobrindo ou revisitando versos do poeta da Póvoa de Atalaia.
Devo ao Carlos Fatela e à Fernanda Neto a descoberta deste esplendor e ao Estáquio, ao Tomás, ao Atanásio, ao Manuel e outros, o regozijo de ter sido integrado num grupo de moços da minha idade, que, de casa em casa, nesse distante Dezembro de 1979 cantou as Janeiras, com viola e pandeireta e as vozes acesas que a bela jeropiga afinava.
Tive a sorte de encontrar ainda algumas tradições como o Santoro e o Madeiro, descritas por António Salvado Motta, na sua Monografia e por Jaime Lopes Dias na Etnografia da Beira. E a satisfação de conhecer o avô Barnabé, narrando fábulas para os bisnetos, de olhos arregalados, à volta da lareira. Escutei com gosto as explicações de Mestre Mário Brás na oficina Museu dos Embutidos, agora silenciosa. Assisti à Gota de Mel, de Leon Chancerel, dinamizada no antigo Cepa, pelo senhor Guerra. Deslumbrei-me com a sabedoria de Clara Nabais, com as canções que inventava, as lendas que compartia. Em sua casa experimentei sensações inesquecíveis, nomeadamente a comoção de encontrar em pleno século XX alguém que sendo contemporânea, possuía características de personagens de Júlio Dinis ou de Camilo Castelo Branco.
Foi na sua pensão que reencontrei Eugénio de Andrade. De quem ela costumava dizer que tinha andado em pequeno ao seu colo. A quem me obrigou a escrever, julgando que o autógrafo do autor de “Branco no Branco,”num exemplar comprado na Feira do Livro era sintoma de alguma proximidade.
Não esqueço as palavras que o poeta dirigiu a Fernando Paulouro Neves, que o entrevistava, quando abri a porta, a meio de uma tarde estival de frutos refrescantes que salpicavam a mesa da conversa: “Este rapaz também faz versos!”
Correspondemo-nos a partir de Alpedrinha. Quase até se despedir deste mundo, por onde passou de forma obstinada, despojado da ilusão temporal que embriaga os incautos. Era sábio. Assim o conheci desde estes lugares, que partilhou nos seus livros. Campos da Póvoa, que prolongam o Alentejo. Chão onde colheu a luz, a terra, a água, o ar, elementos essenciais da sua obra.
Acompanhei alguns amigos desta vila ao altar e ao sepulcro.
Na matriz, durante a Páscoa de 1989, a professora Monia transportou-me para o ambiente fantástico da Salzburgo de Wolfgang Amadeus Mozart, tangendo um órgão de tubos que é um dos tesouros de Alpedrinha. Na varanda da Casa do Barreiro saboreei o sublime hálito da tranquilidade, escutando as palavras encantadoras e avisadas de dona Francisca Cabral. E como esquecer as manhãs de segunda-feira a deliciar-me com uma canjinha dos deuses, no mercado do Fundão, num tascório que desapareceu ou com pataniscas no pão, acompanhadas por um tentador Alcambar, na baiuca da Estação?
Impossível limpar da memória a noite em que fui com um grupo de jovens, ajudar a apagar fogos. Não olvido o dia em que o chão da vila foi manto de cinzas…
À terra mágica trouxe gente de Leiria, do Alentejo, de Trás-os-Montes, de Lisboa. Da terra mágica partimos sempre mais enriquecidos.
Com a gastronomia apurada, a fruição de um património surpreendente, a tradição e o saber fazer singulares, evidenciados por amáveis bibliotecas vivas.
Com a informação da Liga dos Amigos, onde dirigentes diversos divulgaram textos de minha autoria, nomeadamente intervenções a favor das casas de granito, cuja beleza durante um certo período foi escondida pela alvenaria.
Com o usufruto de admiráveis realizações, que revelam a capacidade dos alpetrinienses, quando se unem em torno de projectos, como a inesquecível “A Talha” de Pirandello, no Teatro Clube, que revelou actores brilhantes ou o fascinante desafio que é a popular Festa dos Chocalhos, animando as ruas da estupenda Sintra da Beira.
Com a estima do amigo doutor João Costa - que me levou a Poitiers, através da Escola Profissional do Fundão - para apresentarmos a 2ª edição dos “Pastores do Sol”.
Com a sensibilidade do Eduardo Serra, que em 1989 revelou nas páginas da “folhinha” da Liga muitos dos escritos que configuram este meu décimo quinto livro de poesia.
Com o companheirismo do Francisco Roxo, homem diligente e solidário, que proporcionou a edição de “Vagabundo da Luz” e a consumação deste vosso amigo no cidadão honorário que acolhesteis, diante do Pelourinho, quando em Agosto de 1992, ao som do ditoso coro ficámos “Mais Perto da Terra”.
Com a fraternidade da Paula Silva e do Paulo Grilo, que trouxeram o recheio das gavetas e paredes que habito, para darem a conhecer às gentes da sua terra, a casa do poeta. Paula, prefaciadora de vários livros meus, nomeadamente em “A Celebração da Terra”, patrocinada por autarquias alentejanas e pela delegação regional de cultura e apresentada no Palácio D. Manuel II, em Évora, cidade onde nasci, com uma delegação de alpetrinienses presente.
Ninguém nasce sozinho; tenho consciência que a cadeira, onde me sento, já estava aquecida por grandes homens e mulheres, que viveram antes de mim. Por isso, vale a pena recordar o que aprendemos com Gedeão: “Venho da terra assombrada/do ventre de minha mãe/não pretendo roubar nada/nem fazer mal a ninguém/ Só quero o que me é devido/ por me trazerem aqui/ (…) Venho do fundo do tempo/não tenho tempo a perder (…) Quero eu e a natureza/ que a natureza sou eu/ e as forças da natureza/nunca ninguém as venceu/ Com licença com licença/ que a barca se fez ao mar/ não há poder que me vença/ mesmo morto hei-de passar” Lembro Raul de Carvalho: “Ajuda-me a cumprir a missão do poeta, / (…) Vem, serenidade, / e faz que não fiquemos doentes, só de ver/que a beleza não nasce dia a dia na terra.”
Tenho um percurso, um rosto, uma palavra de honra. E estou grato a Alpedrinha pelo que pudemos partilhar nestes quinze anos de publicações.
Quase todos os meus livros foram apresentados aqui, motivando o apoio voluntário e a simpatia de pessoas como a dona Manuela, a dona Lurdes, a dona Gracinha e de vários dirigentes da colectividade cultural.
Alpedrinha tem sido um novelo de surpresas, que incitou a voltar e me fez sentir em casa., quando visitei a quinta de dona Amélia, quando subi ao cabeço do senhor Mota, quando provei o doce caseiro, o pitéu ou a sopa de sabor antigo confeccionados pelas mãos sabedoras da Maria dos Anjos ou da Maria Luísa.
Contudo, ficaria incompleta esta partilha e até seria ingratidão se não contasse uma outra estória, digna de exaltar, pela generosidade e grandeza de carácter dos seus protagonistas.
Na passada feira da Transumância, um velho amigo, que me ensinou a cantar as Janeiras e outros saberes da terra, José António Atanásio, fez questão de me apresentar ao doutor Manuel Frexes. Confesso que me senti embaraçado, mas ele pegou-me por um braço e levou-me até à presença do autarca.
O senhor presidente da Câmara Municipal do Fundão, quando soube que tinha escrito sobre Alpedrinha, demonstrou um redobrado interesse em conhecer o meu trabalho poético.
Assistindo à conversa, o presidente da junta de freguesia sublinhou que havia um livro a aguardar melhor ocasião, num gabinete municipal, situação que o doutor Frexes desbloqueou, comprometendo-se a publicar a obra, fazendo fé nos testemunhos escutados.
No início da semana seguinte fui informado, a partir da autarquia fundanense, que o esboço do livro estava nas mãos do doutor Manuel Frexes, o que confesso muito me surpreendeu, pois tinha apostado no meu trabalho, sem me conhecer, confiando no que escutara da boca de um colaborador próximo e de um autarca..
Cumpre-me agradecer a aposta que facultou esta reunião. Bem Hajas pelo teu gesto, José António Atanásio! Bem Hajam senhores presidentes Frexes e Roxo, ambos com este xis no apelido, que me recorda o xi coração com que Bual assinava telas para os amigos. Artur Bual, o grande pintor gestualista, que me deu a honra de ter assistido aqui, há catorze anos, com António Salvado e Sampaio Lopes, ao lançamento do meu segundo livro de poesia, inteiramente escrito e dedicado à mágica Gardunha e editado com o meu salário de funcionário público, que fiz questão de oferecer à Liga dos Amigos de Alpedrinha.
Ainda tenho na memória a imagem de uma parte substancial da população, com crianças e jovens a presenciar e a comprar a pagela com os meus versos por um preço acessível.
Oxalá essa nova geração saiba continuar o labor dos que os antecederam para a terra continuar a ser lugar de referência, na Beira Baixa, conquistado pela excelência do património monumental e humano. Brecht escreveu que uma casa à beira de um lago, rodeada de árvores, ganha outra beleza se da sua chaminé sair fumo. Desejo que o calor e a sabedoria da hospitalidade alpetriniense não se evaporem na voragem dos tempos.
Entretanto, não posso esquecer que um dia, um rapaz me disse que a minha poesia o tinha salvo, pois decidira suicidar-se, mas que ao ver um cartaz a anunciar-me, quis saber o que era um poeta. A dedicatória que escrevi mexeu de tal modo com o seu espírito que desistiu dos pensamentos sombrios. Todavia, eu só me apercebi desta situação uns anos depois, quando num dos muitos Natais passados em Alpedrinha, o encontrei. Com uns copinhos a mais, abraçou-me, afirmando que eu era naquele momento a pessoa mais importante e estimada que ele conhecia, pois tinha-lhe salvo a sua vida.
É tempo de terminar, entregando palavras afectuosas de reconhecimento, ao senhor vereador da Cultura doutor Paulo Fernandes, que enquanto estudante me entrevistou para o “Jornal do Fundão”, iniciando-se aí uma fraterna e recíproca admiração, um agradecimento à Marta Barata, à Graça Nogueira e à Maria José Lascas Fernandes, pelo envolvimento com este sonho, finalmente realizado e um abraço fraterno para o doutor João Mendes Rosa, amigo consequente, investigador notável e rigoroso a quem devemos a beleza e as informações adicionais insertas na reedição da Monografia de Alpedrinha, nomeadamente a belíssima biografia de Salvado Motta.
Como no “Principezinho”, de Saint-Exupéry, cativaram-me, são responsáveis por esta festa! Bem Hajam a Todos!
Escrito no comboio da Beira Baixa e em Lisboa,
17 Agosto e Setembro de 2006
LUÍS FILIPE MAÇARICO
segunda-feira, setembro 18, 2006
Alpedrinha nas Rotas da Transumância: 3 dias de felicidade


terça-feira, setembro 12, 2006
Jorge Rua de Carvalho:Homenagem a Um Homem da Cidade

-Intervenções das Juntas de freguesia dos Prazeres e de Santa Isabel;
-Intervenções do GDEC e da Aldraba;
-Apresentação de Jorge Rua pelo geógrafo Fernando Duarte, com projecção de excertos do documentário que a Aldraba está a realizar;
-Apresentação do livro por Luís Filipe Maçarico;
-leitura de poemas do livro "Lisboa Saudade" sobre saloios, com Nádia Nogueira, Gonçalo Freitas, José Alberto Franco, Maria Eugénia Gomes, Margarida Alves e Maria Amélia Sobral Bastos;
-Actuação do Grupo dos Pregões de Lisboa;
-Animação musical por Idálio e Jorge Neves;
-Lanche saloio;
-Exposições biográfica e de bonecos: "Pregões de Lisboa" e "Brincadeiras do Meu Tempo"
segunda-feira, setembro 11, 2006
Reflexões em 11 de Setembro
sexta-feira, setembro 08, 2006
Festa dos Chocalhos 2006 em Alpedrinha

Entre 15 e 17 de Setembro decorrerá em Alpedrinha oFestival dos Caminhos da Transumância com Animação de rua, Gaiteiros, Chocalheiros, Concertos, Tasquinhas e lojas e Passeio pedestre com rebanho
Programa:
18h00 - Abertura do acampamento "Rota da Transumância" – Quinta do Anjo da Guarda 19h00 - Abertura Desfile Grupo de Bombos de Alpedrinha Rancho Folclórico de Cernache do Bonjardim Acordeonistas
21h30 - Actuação do Rancho Folclórico de Cernache do Bonjardim Concerto Clássico de Sopros - Capela do Leão; Cantares ao Desafio; Acordeonista Sertório
Sábado - 16 de Setembro
9h00 – "O solitário caminho dos pastores" (passeio pedestre Alpedrinha-Póvoa da Atalaia). Saída: Largo da Junta de Freguesia de Alpedrinha
11h00 - Arruada: Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
16h00 - Espectáculo com Quarteto Mayade
17h00 - Conversas Transumantes "A Pastorícia e o Desenvolvimento" com Santiago Bayón Vera, moderada por Mª João Centeno, Capela do Leão - Quarteto Mayalde, na Capela do Leão
18h00 - Desfile Bombos e Folia da Casa do Povo do Paul, Gigabombos, Roncos do Diabo, Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho, Rancho Folclórico da Casa do Povo de Souto da Casa e Grupo de Bombos
21h30 - Rancho Folclórico da Casa do Povo de Souto da Casa, Largo da Igreja - Cantigas à desgarrada, Largo da Fontainha
22h00 - Quarteto Mayalde, Largo da Fontainha
22h30 - Rancho Folclórico da Casa do Povo do Souto da Casa, Largo da Fontainha Cantigas à desgarrada, Largo da Igreja
Domingo - 17 de Setembro
8h30 - Passeio Pedestre "Rota da Transumância" Fundão – Alpedrinha (saída Praça do Município)
10h30 - Chegada do Rebanho a Alpedrinha e Arruada pelos Chocalheiros de Vila Verde de Ficalho
12h00 - Missa Dominical
16h00-lançamento do livro "Ar Serrano" de Luis Filipe Maçarico, na capela do Leão
17h00 - Desfile Grupos de bombos de Alcongosta; Castelejo e Donas e os Zabumbas de Alpedrinha; Chocalheiros; Gaiteiros Acordeonistas (Associação Acordeonistas da Beira Baixa) 21h00 - Actuação do Rancho Folclórico da Cova da Beira da Junta de Freguesia do Fundão e grupo de bombos
21h30 - Cantigas à desgarrada - Concerto Clássico de encerramento pela Academia de Música e Dança do Fundão.
terça-feira, setembro 05, 2006
Caligrafia do Tempo

segunda-feira, setembro 04, 2006
Luísa Basto na Festa do Avante

No rescaldo da trigésima festa do Avante, venho partilhar a alegria de ter encontrado muitos amigos, e sobretudo o privilégio de ter assistido a um concerto inesquecível e emocionante de Luísa Basto, grande senhora da canção portuguesa, que canta o Alentejo, a mulher, a luta, a liberdade e o fado com uma categoria que pede meças a novas e velhas intérpretes (memoráveis as suas interpretações de Alain Oulman: Fado Peniche e Povo que lavas no rio!).
sexta-feira, setembro 01, 2006
Post nº 450: O Olhar de Sónia Frade



Três olhares da antropóloga Sónia Frade, quando este blogue atinge os 450 posts. Sónia, a quem, desde o "Águas", envio os melhores votos no sentido de um futuro luminoso para a família: João e bébé. Esse fabuloso miúdo que vai fazer os pais muito felizes!
segunda-feira, agosto 28, 2006
Deolinda Vaz Afonso: Viúva e Filha de Mineiros

Deolinda Vaz Afonso fez 92 anos em Fevereiro. “Criada e nascida aqui. Tenho ido agora a Lisboa desde que os meus filhos lá andam.”
Natural de Moreanes, onde vive, é, como outros idosos, um manancial de recordações. Mas aparte este ou aquele curioso, quem ouve os nossos velhos? Quem quer saber do destino deles?
Vemo-los nos Centros de Dia, nos Centros de Saúde, à soleira da porta ou nos bancos das praças partilhando suspiros e memórias.
Dona Deolinda casou com 25 anos, o marido era de Moreanes. Chamava-se Francisco Leandro Baptista e tinha 27 anos.
“Ele, sabe...tinha 10 anos quando os pais morreram...diferença de 20 dias. A mãe tinha tido uma criança pequenina, ele tinha mais dois irmãos e uma irmã. E ficou a pequenina, quando a mãe morreu, com uma tia deles que tomou a posse. Eles foram para casa da avó da parte da mãe. E depois, nessa altura morreu um tio que tinha 3 filhos e juntaram-se todos na casa da avó. A avó era uma mulher muito forte. Com uma cuba à cabeça muito pesada ela ia ao poço. Punha-se conversando e com a cuba à cabeça...
Todas as pessoas de idade avançada, como a nossa interlocutora, ficam com outro brilho no olhar, quando reencontram o tempo em que foram novas e felizes, através da boa companhia das lembranças luminosas.
Deolinda solta uma risada:
“Ê cheguei a levantar-me da cama quando o mê pai estava na contramina. E ele ia-me a levar aos bailes à luz do gasómetro. Ê gostava muito de bailes. O mê marido não gostava, mas bailava eu. Nesse tempo lá aparecia uma grafonola.”
Deolinda recorda “as comadres e os compadres”...
“Íamos para o campo, fazíamos lá de comer. Mesmo que eles não estivessem, lá fazíamos.”
Recordam-se versos que se improvisavam, com o mote:
“Um raminho, dois raminhos”
Através desse versejar um rapaz declarava-se e na resposta a rapariga, dava a entender se aceitava ou não aquele homem como namorado.
Vizinho de ti Deolinda, José Rodrigues lembra-se de um dia um homem apaixonado ter-se declarado desta maneira:
“Um copinho, dois copinhos
três copinhos de aguardente
um beijo duma alentejana
faz andar um homem quente!”
Tendo assistido à recitação, logo o pai da rapariga entrou peremptório na desgarrada:
“Um copinho, dois copinhos
um copinho de licor
levas um murro nos cornos
passa-te logo o calor!”
Deolinda Vaz Afonso evoca um baile em 1934, “com flaita”. O tocador “deixou a flaita e ele não se cansava de dançar.”
Os factos e as épocas revisitam-na...
“Depois o mê marido, como só quem o auxiliava era a avó, admitiram-no na mina, era aguadeiro (aos dez anos). Depois puseram-no onde o pai trabalhava, na forja.”
É da sua memória que saiem outras informações:
“Ê cheguei a ir à máquina de enxofre à noite levar-lhe o comer. Fui muitas noites, íamos a levar o jantar ao sr. Guilherme chefe da Achada” (encarregado)
À residência dos ingleses encarregados da mina chamavam “a ilha”...
Ê saí de casa do Inglês...fui pra lá ainda não tinha feito 20 anos...”
“Esses ainda tinham casas. Os outros trabalhadores, um quarto e fazia-se tudo. Tantos filhos que tinham. Viviam num quarto, era cozinha, quarto e tudo!”
Agoirentos, os ingleses- para valorizarem o seu desempenho- diziam: “Quando vocês virem a mina na mão dos portugueses acaba a mina.”
O rosto muda de feição quando assomam ao espírito imagens tristes do passado...
“Morreu com 80 anos. Não sei que tempo esteve reformado, não me lembro já. A máquina...desmontou a máquina...ao desmontá-la, partiu-lhe a cara toda...”
As memórias são agora mais sombrias:
“O mê pai também teve um desastre na mina. Foi uma pedra de minério, estavam a tentar arrancar o minério de uma pedra ela caiu e partiu-lhe as costelas. Mandaram-no para casa e não o ligaram. Não chegou a uma semana em casa, passando o natal, no outro dia era 26 e morreu.
Fez-se o funeral e não deram uma pensãozinha à minha mãe. A minha irmã foi para Santana a servir. E o sargento como gostava dela, mexeram-se e então foram lá dois médicos desenterrar o meu pai e viram que ele tinha as costelas todas partidas e então tratou-se de dar alguma coisinha à minha mãe, já tinha um mês de estar sepultado.
Ainda conheci médicos que vinham a cavalo nas bestas e vinham a casa das pessoas. Pouca gente ia ao médico.”
Fotografo esta senhora e ela despede-se com um sorriso. Fico com as suas palavras, histórias de uma vida enredada noutras existências, que o sofrimento visitou.
Deolinda é testemunha de um tempo injusto, onde os trabalhadores não podiam viver com dignidade e morriam como se fossem animais de carga.
Há quem diga nas colunas dos jornais e noutras cátedras do desprezo pelo mundo laboral, que não foi bem assim, em nome do rigor científico, etc.
Em nome do Povo, há que guardar esta oralidade, tesouro decente dum vigor que resiste à manipulação mexeruca da cagança televisiva.
Deolinda é nome de papoila que no seu campo de sempre assiste à passagem dos dias e dos seres, até que um dia o sol da alegria a chame, para nunca mais ter a sombra triste por companhia.
Lisboa, 8 de Agosto de 2006
LUÍS FILIPE MAÇARICO: texto e fotografia
Bloqueios
segunda-feira, agosto 21, 2006
Festa do Anjo da Guarda em Alpedrinha: Um Bom Argumento para Reencontrar Amigos





sexta-feira, agosto 18, 2006
Jorge Rua de Carvalho: "Retalhos da Vida Saloia"

Jorge Rua de Carvalho fez oitenta e sete anos e continua a sonhar. Autor de vários livros de poesia e contos, que começou a escrever depois de se reformar, para partilhar memórias únicas, vai apresentar no próximo mês (a 23 ou a 24 de Setembro), durante os festejos do centenário da colectividade "Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", o seu novo livro "Retalhos da Vida Saloia"
quarta-feira, agosto 16, 2006
A Língua do Poder

terça-feira, agosto 15, 2006
Dois Aniversários

Directamente de casa da Ana, com quem faço desde 16 de Agosto de 2005 o blogue APARIÇÃO 69, festejo esta deliciosa ideia que nos nasceu dentro de água, com leitores fiéis e participativos. A orgia anunciada nos posts daquela instituição foi entretanto adiada, devido a uma gastroenterite da minha partenaire.
segunda-feira, agosto 07, 2006
Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores



Governo e jornais andaram "a brincar com o fogo", deitando foguetes à falta de propaganda sobre mais emprego e melhor qualidade de vida para os portugueses, por este ano, com as medidas que Suas Excelências tinham tomado estar previsto que a ordem seria restabelecida durante a época de incêndios. Suas Excelências tinham decretado que este deveria ser o verão em que, depois de muitos anos de inferno, íamos atingir o paraíso.
Como sempre hão-de aguardar até à última para decidir se devem pedir reforços à UE ou se é melhor não chatear as Excelências amigas...
Baseando-me no que ouvi na rádio, há bocado, entre a meia-noite e as 19 e 30 desta segunda feira dia 7 de Agosto de 2006 tinham acontecido mais de 400 incêndios. A culpa, disse alguém, era do vento Leste. Já agora, da União Soviética, do Gonçalvismo e quem sabe se Che Guevara também não terá culpas no cartório...
Ainda hoje os níveis do ozono atingiram limites perigosos para a saúde em várias localidades e ninguém toma medidas para a circulação automóvel, leia-se um dos produtores de poluição, ser controlada.
Entretanto, troncos duma árvore caiem durante um piquenique, em cima de pessoas que fizeram uma longa viagem para a Morte, em Sintra, na frondosa Sintra exaltada por Lord Byron. Hoje mesmo outros troncos de outra árvore na mesma Sintra desabaram sobre um carro, causando estragos.Pergunto-me para que servem certas empresas municipais. Leio no site http://www.parquesdesintra.pt/ptmissao.html que "A Parques de Sintra, Monte da Lua (PSML) foi criada em 2 de Setembro de 2000 (decreto lei 215/2000, de 2 de Setembro), na sequência da classificação pela UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade e dos compromissos assumidos com a gestão integrada da zona: Recuperação, Preservação, Beneficiação, Divulgação do património classificado.
Nesse sentido, constituem objectivos programáticos da Sociedade a salvaguarda e valorização do património natural e edificado à sua guarda, designadamente através de um conjunto de acções de conservação e divulgação que visam dotar o Parque da Pena, o Parque de Monserrate, o Convento dos Capuchos e o Castelo dos Mouros de melhores condições de acolhimento ao público, permitindo a fruição e o conhecimento de um Património Natural e Cultural de excelência."
Passaram quase meia dúzia de anos. As notícias que tenho lido na imprensa acerca desta empresa resumem-se à disputa entre políticos locais para conseguir um lugar na administração da referida empresa. Caiem agora árvores. Ficam muitas interrogações. Quem puder que responda, que eu só pergunto porquê?
E para não dizerem que não falei de flores, lembro aquela canção com letra de Geraldo Vandré, que há muitos anos no Alto da Ajuda, Simone e Chico Buarque de Holanda cantaram com milhares de portugueses, que eu acredito que apesar de tanta lavagem ao cérebro também se interrogue como eu...
"Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantado e seguindo a canção
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Pelos campos a fome em grandes plantações
Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição:
De morrer pela pátria e viver sem razão
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Vem, vamos embora que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."
Texto e fotografias (Tapada das Necessidades) de LFM
domingo, agosto 06, 2006
Moita dos Ferreiros: Um Dia Memorável Com Gente Que Ama o Associativismo e o Teatro de Amadores














Aparte as deliciosas febras e a boa sardinhada e o belo do tintol, mais a impecável hospitalidade do simpático casal, o que me surpreendeu foi o facto de o Marinho, o Vítor, a dona Fernanda Correia, a Ana Correia, o Carlos, o Júlio, o próprio Zé Pedro e o Flávio saberem de cor diversos papéis da revista que a colectividade estreou este Verão, proporcionando-se uma representação hilariante da qual se dá conta para quem estiver interessado em reinvindicar que estes amigos saiam dos bastidores e pisem também o palco com uma versatilidade que pede meças aos actores que ajudaram a criar as personagens entretanto revisitadas na Moita dos Ferreiros, em casa da Lurdes e do Zé Pedro, entre sardinhas e febras, sangria e passeios ao moinho...
Ficou-me entretanto na lembrança um desabafo do Zé Pinheiro: "Enquanto houver guerras no Mundo não consigo ser totalmente feliz!"
Legendas das fotografias:
Foto 1-Sob um sol tórrido, Marinho e Correia conduzem a tarefa do churrasco;
Foto 2- os anfitriões Lurdes e Zé Pedro Pinheiro, depois de "baptizados" com uma mangueirada do Vítor...
Foto 3- o grupo à entrada da sede das colectividades da Moita dos Ferreiros, um verdadeiro palácio do associativismo local.
Fotos 4 e 5-Flávio e Fernanda, duas gerações, a mesma dedicação à Comunidade.
Fotos 6 e 7- dois instantâneos da ida ao moinho da Moita dos Ferreiros (Ana e Fernanda Correia, muito bem dispostas dançam com Júlio um quadro da revista, que decoraram)
Fotos 8, 9, 10 e 11- aspectos da alucinante representação, que fez rir a bom rir todos os presentes.
Fotos 12, 13 e 14- Marinho representa uma cena que decorre entre dois quadros da revista "Isto É Que Vai Uma Crise!" Repare-se na mímica deste dirigente dos "Combatentes", habituado a trabalhar nos bastidores, morador nas imediações da colectividade, que cresceu com uma série de amigos que hoje estão na comissão de festas ou são associados. Com eles a colectividade e o teatro podem ter uma boa esperança...
(fotos e textos de LFM)
terça-feira, agosto 01, 2006
ÁGUAS DO SUL NASCEU HÁ DOIS ANOS
As asas permitiram trazer fotografias de diversos sítios, além das ofertas e da digitalização de algumas imagens antigas, que amigos nos ajudaram a aprontar para poder usar aqui, como é o caso desta imagem (LFM:Florença)
As visitas têm sido estimulantes e ainda que poucos comentem, o Águas é visto anualmente por milhares de cibernautas de todo o Mundo.
Hoje, ao assinalar a data, deixo uma palavra de PAZ e de SABEDORIA para os que governam o planeta e o país onde vivemos. É que neste momento não posso deixar de pensar nas imagens que nos bombardeiam em televisões e jornais, acerca dos que sofrem no LÍBANO, IRAQUE e PALESTINA, fugindo ou enfrentando a Morte.
Ficou-me na ideia o que José Rodrigues dos Santos disse no telejornal das oito (que vi enquanto aguardava o enfermeiro Tavares que nas últimas duas semanas tem tratado da unha do dedo grande do meu pé esquerdo, que decidiu entrar pela carne dentro) a propósito de cidadãos libaneses que preferiam morrer nas suas casas em Beirute em vez de mendigar comida e vida nos campos de refugiados.
O meu pensamento vai também, nesta hora, para todos os que em Portugal não têm emprego e como eu já estão nos "entas", vivendo angústias e pesadelos. É com o coração atento a todos os seres humanos que sofrem que assinalo dois anos de intervenção.
E é assim que quero continuar.

