"Um Barco atracado ao cais é sempre um sonho preso"

quarta-feira, maio 10, 2006

Lassaäd Maherdi, O Alfaiate de Houmt Souk/Lassaäd Maherdi, Le Tailleur de Houmt Souk


Há cerca de cinco anos descobri que ainda é possível, para um gordo, encomendar umas calças directamente ao mestre alfaiate, que depois de se escolher o tecido e de tirar as medidas apresenta um trabalho magnífico.
Pode parecer pretensioso, mas é a realidade: Em Houmt Souk, na ilha de Djerba, Tunísia, respira e sonha o meu alfaiate: Lassaäd Maherdi, um mestre na arte de receber, um artista do talhe, esculpido com mãos de sábio.
Entre conversas inteligentes e um chá de menta, a obra nasce.
O convívio, a partilha de conhecimentos entre pessoas de culturas diferentes é vital e faz parte de um ritual indispensável.
Sempre que lá vou peço-lhe novas calças. Cujo preço é muito simpático também. Espero voltar muitas vezes ao atellier de Lassaäd, encontrando-o sempre sorridente como na foto. O sorriso aberto é a sua forma de receber.
Il ya cinq ans j'ai découvert qu'il est encore possible pour un homme gros, demander des pantalons directement au maitre tailleur, qui après le choix du tissus e de verifier les dimensions du corps presente son travail magnifique.
Peut être on va penser que je suis snob mais c'est la realité: A Houmt Souk, dans l'ile de Jerba, Tunisie, mon tailleur favorit respire et rêve: Lassaäd Maherdi, un maitre dans l'art de recevoir, un artiste qui taille le tissus avec ses mains de sage.
Entre paroles inteligents et un thè a la menthe, l'oeuvre commence...
La convivence, le partage de connaissances entre personnes de cultures diferents c'est vital et integre les rituels fondamentaux.
Je le visite presque toujours dans mes voyages et je le demande des nouveaux pantallons. Le prix est aussi très sympat. J'espere retourner beaucoup de fois a Jerba et a son atelier, trouvant toujours Lassaäd sourriant comme dans cette photo. Le sourire ouvert est sa maniere de recevoir.
(Foto de Sónia Frade)

segunda-feira, maio 08, 2006

Tapada das Necessidades: Um Paraíso Abandonado-II















A exuberância resistente deste maravilhoso jardim desconhecido de Lisboa compensa-nos da tristeza que nos causa o esquecimento em que vive. Caminhos tortuosos, ervas selvagens invadindo tudo, património construído ao abandono, árvores moribundas, lagos sem peixes (em tempos chegou também a haver gansos) e a gula, que não pára, de diversas entidades que tal como acontece em Monsanto, retalham este parque para instalarem gabinetes de Suas Excelências, como o mamarracho de betão onde uma parcela do Ministério da Defesa assentou arraiais e o atelier de pintura do rei D. Carlos que se destina ao Conselheiro de Estado Jorge Sampaio.
No próximo fim de semana presenteie a sua criança e a sua vontade de respirar numa paisagem repousante, dentro da cidade. Visite a Tapada das Necessidades. Está situada junto ao Palácio com o mesmo nome, onde funciona o Ministério dos Negócios Estrangeiros, perto do velho Hospital da CUF e do Quartel da Marinha que deu nome à Praça da Armada. Autocarros: 13, 27, 49, 60.
Traga também o seu sentido crítico, porque quem cala consente.
(fotos:LFM)

Tapada das Necessidades: Um Paraíso Abandonado






Há algum tempo que não disfrutava de um espaço mágico que está situado perto da minha residência. Refiro-me à Tapada das Necessidades. Que encontrei muito abandonada, conforme as imagens mostram: Motivos escultóricos quebrados e tombados, edifícios degradados, estufas recuperadas desactivadas,lagos secos, lixo um pouco por todo o lado.
Os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Agricultura são duas das entidades que deveriam recuperar e promover a manutenção deste pulmão verde da cidade. Ao invés, deixaram-no ao abandono.
E se houvesse gente disposta a criar o GRUPO DOS AMIGOS DA TAPADA DAS NECESSIDADES?
(fotos LFM)

segunda-feira, maio 01, 2006

Aldraba é Sinónimo de Trabalho de Equipa e Nome de Site


Em 2005, no dia da Liberdade, nascia a Aldraba. Sonho ousado para quem não tinha sede, mas mesmo assim fizeram-se estatutos, debatidos ao longo de cinco meses de reflexão de uma Comissão Promotora que reunia em casa de dois futuros vice-presidentes da direcção eleita em Assembleia Geral fundadora, que aprovou os estatutos e o programa de actividades.


Decorreu um ano. O fôlego desta jovem associação está patente nos resultados: mais de 100 associados, parcerias com diversas autarquias, seis encontros (Montemor-o-Novo, Viana do Alentejo, Alqueva I - visita à barragem e interacção com populações das aldeias da Luz (Mourão) e da Estrela (Moura), Alqueva II - debate na Ordem dos Arquitectos sobre as aldeias da Água, com Isabel Guerra, Raúl Caixinha e Maria João George, Coruche e Aljustrel).

Mas não é tudo...Houve também 3 exposições: Aldrabas e Cataventos, Momentos de Rua nos Pátios de Lisboa, Centenário de Adeodato Barreto. Fizemos duas assembleias muito participadas, mantivemos um blogue que vai a caminho do ano e meio de existência, criámos dois e-mails, um no hotmail, outro no gmail, mas não parámos de sonhar. É por isso que desde há alguns meses decidimos realizar um filme sobre a vida e a obra de Mestre Jorge Rua de Carvalho, homem do associativismo, do teatro de amadores, da poesia popular, do fado operário e do reencontro com a memória dos pregões de Lisboa e das brincadeiras de infância dos anos 20-30.

Fizemos parte do júri do concurso de pintura sobre o contrabando em Santana de Cambas e fizemo-nos representar na apresentação do livro sobre o mesmo tema que foi realizada na nova sede da Junta de freguesia local, numa inesquecível jornada de memórias e fraternidade transfronteiriça. No pré-lançamento desta obra em Alpedrinha também estivemos presentes.

Na Aldraba não há um presidente iluminado, há uma equipa que interage, que produz todo este trabalho, o qual efectivamente é colectivo e o nosso prestígio advém desse compromisso de cada um com o todo que são os associados.
Temos uma postura que recusa a de certas agremiações cujo objectivo primordial é" ensinar o povo a respirar".
Por isso chegámos aqui: o nosso boletim é motivo de satisfação e aplauso, bem como o site que nos propusémos criar e agora é uma realidade.

http://www.aldraba.org.pt/

A todos os que transformaram o sonho em realidade, do cidadão anónimo ao companheiro que se destacou na Sociedade pelo seu desempenho a bem do colectivo, é chegado o momento de demonstrar reconhecimento e orgulho, por termos semeado, justamente neste blogue, a inquietação que gerou um dos mais belos ideais realizados em vida.
Obrigado, companheiros de sonhos!